10 músicas que foram destaque no primeiro semestre de 2018

O ano de 2018 já caminha para o seu final recheado de bons lançamentos nacionais e internacionais. E faltando menos de 4 meses para o ano acabar, é claro que a gente não poderia deixar de escolher quais foram as músicas que mais chamaram a atenção aqui na redação.

A seleção feita por Wagner Ximenes e Cirilo Dias é bem variada, tem Ariana Grande, Plutão Já Foi Planeta e até mesmo brega funk com MC Elvis e outras bandas que vale a pena você colocar na sua playlist.

Plutão Já Foi Planeta – “Estrondo”

Lembra de “Viagem Perdida”? A canção-fofa bombou bastante entre os indies que acompanharam o programa “Superstar” da TV Globo durante a participação do Plutão em 2016. Desde então, confesso, não prestei muita atenção no som deles, mas não deu pra deixar passar batido “Estrondo”. Não é à toa que é a quinta música que mais escutei em 2018 até agora (sim, contabilizei pelo LastFM). Imperdível mistura refinada de guitarras, sintetizadores e dos vocais de Natália Noronha.

“Ariana Grande – No Tears Left to Cry”

Da leva de divas pop da sua geração, Ariana Grande é uma das que menos promete, mas é a que mais tem entregado faixas pop interessantes e que conseguem fugir das tendências mais óbvias do momento. “No Tears Left to Cry” é mais um exemplo. E o videoclipe da música dirigido por Dave Meyers só ajuda. (O álbum “Sweetener” já saiu, mas essa continua sendo uma das melhores faixas.)

Kendrick Lamar – “All The Star (with SZA)”

Teria “Pantera Negra” o mesmo impacto sem a trilha sonora do Kendrick Lamar? Provavelmente não. Enquanto a nostalgia dos anos 70 e 80 permeou as soundtracks dos “Guardiões da Galáxia”, também da Marvel, o rapper ditou o clima durante e após a sessão de cinema da aventura em Wakanda com faixas inéditas e atuais. “All The Stars”, lançado com a SZA, é o ápice desta investida do músico no universo cinematográfico marvético. O clipe da música também é do Dave Meyers e vale demais a visualização.

Azealia Banks – “Anna Wintour”

Polêmicas e tretas à parte. Azealia voltou com, talvez, sua faixa mais promissora (em termos de sucesso comercial) desde “212”, o hit de 2014 que conquistou baladeiros e críticos. “Anna Wintour” é dançante e provocativa, sem medo de soar radiofônica. Aqui a rapper solta referências sobre sua carreira enquanto evoca a própria Anna Wintour (“Shades always, these bitches can’t look, no / Bob sleek-chic petite, I fit those”.)

Arctic Monkeys – “Tranquility Base Hotel & Casino”

A maior promessa do rock britânico dos últimos tempos surpreendeu os fãs com o novo disco, para o bem ou para o mal. Eu particularmente fiquei muito feliz e aliviado com o resultado. O “AM” foi um marco para a banda de Sheffield, mas “Tranquility” prova que os caras não querem apenas saber de hits – para a decepção de Noel Gallagher. A faixa-título é uma das minhas favoritas e a que mais me faz entrar no clima de um casino distópico e com cheiro de mofo na lua. Era essa a ideia, né?

Don’t Matter to Me – “Drake (feat. Michael Jackson)”

Drake volta inspirado, com um belíssimo disco duplo e, bem ali no meio das 25 músicas, você olha intrigado para um “feat. Michael Jackson”. A música realmente é muito boa, mas em uma primeira ouvida você pode facilmente achar que foi The Weeknd que cantou com Drake. Mas o interessante deste inusitado dueto é você fazer o exercício de imaginar como Michael Jackson estaria muito bem acompanhado nos dias de hoje.

“Father John Misty – God’s Favorite Customer”

De tempos em tempos aparece um compositor, banda ou músico que consegue lançar um disco sem nenhuma música ruim. É exagero chamar de obra-prima, mas Joshua Tillman conseguiu esta proeza, e seu  “God´s Favorite Customer”, quarto disco sob a alcunha de Father John Misty,  é daqueles discos que você ouve no repeat durante semanas e não enjoa. A faixa que dá nome ao disco é um desespero só. Profunda, um desabafo sincero de um sujeito perdido querendo a todo custo reconquistar a sua fé, perdida em alguma esquina ou bar. A vontade que dá ao terminar de ouvir a música é chamar Tillman e falar “vem aqui, me dá um abraço, vai ficar tudo bem”.

“MC Elvis – Tá Rocheda”

Você pode torcer o nariz, estufar o peito de arrogância e soltar o famoso clichê “isso aí não é música, é lixo”. Mas meu amigo, tire seu antolho musical e cultural e ouça com muita atenção o Brega Funk, em especial o fabuloso MC Elvis. Foi uma viagem recente para Caruaru (PE) que tive a oportunidade de ver 100 mil pessoas cantando e dançando a música “Tá Rocheda”, que significa “Tá Top”. Ela é reggaeton, é sertanejo universitário, é funk, mas principalmente é um relato de sujeito que só queria curtir a balada, leva um belíssimo fora da garota e não se deixa abalar, continua curtindo enquanto tudo “tá rocheda”. Brega Funk é a cara do Brasil e se você torce o nariz pra isso, você não sabe de nada.

Kamasi Washington – “Can You Hear Him”

O jazzista e saxofonista Kamasi Washington consegue se superar a cada trabalho. Em seu terceiro disco “Heaven Or Earth”, ele costura de forma primorosa tantas texturas musicais que é um tremendo desperdício você ouvir em um som fuleiro. “Can You Hear Him” já começa com um clima bem soturno, contrastando com batidas caribenhas e vocais muito bem colocados. Uma música que com toda certeza poderia estar em alguns dos filmes de James Bond.

Nine Inch Nails – “Ahead of Ourselves”

É bom ver Trent Reznor voltar raivoso, despejando uma sujeira sonora das boas. “Ahead of Ourselves”, do EP Bad Witch, décimo trabalho de estúdio do grupo, é uma mistura do grupo Atari Teenage Riot com o clima de The Downward Spiral (disco lançado em 1994 pelo NIN).  Raiva, batidas frenéticas, que já se mostraram ser bem poderosas quando tocadas ao vivo. Obrigado por estar novamente puto, Trent Reznor.

um escrevedor aficionado por música pop, quadrinhos, cinema, games, etc.

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