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Dub para as massas

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Pegue uma caneta, um pedaço de papel, a palavra Nova Iorque e liste 10 coisas que vêm à sua mente. Frank Sinatra, Estátua da Liberdade, Central Park, 11 de setembro, Time Square, The Strokes? Em algum momento você pensou em reggae? O ritmo jamaicano evoluiu, sofreu algumas transformações, recebeu um banho de tecnologia, deu aquele “tapa” no visual e ficou mais interessante, em forma de ragga dub – um reggae com ares psicodélicos.

Agora que a psicodelia entrou no assunto, fica fácil associar a um álbum clássico e lisérgico, Dark Side of The Moon do Pink Floyd. Foi juntando o ritmo jamaicano ao clássico do rock, que os nova-iorquinos do Easy Star All Stars chamaram a atenção do mundo da música. Lançado em 2002, o álbum The Dub Side of The Moon recriou de forma primorosa o clássico do Pink Floyd, mantendo-se fiel a estrutura musical, ritmo, letras, e graças a Deus, fugindo de versões bizarras e cheia de estereótipos que habitam o gênero.

Depois disso, a banda sai em turnê, dá uma passadinha aqui pelo Brasil em maio desse ano e vai colecionando, além de fãs, um grande desafio: qual seria o próximo clássico a ser recriado?. “Sempre foi a pergunta mais freqüente durante entrevistas, turnês, festas(…) mas enquanto todos davam sugestões de qual álbum nós deveríamos fazer – The Wall [também do Pink Floyd], London Calling [Clash] e Thriller [Michael Jackson], não foi nada fácil achar um disco que tivesse a combinação certa de música, concepção, legião de fãs e compreensão que o fizesse ser uma continuação de peso”, diz o produtor, músico e um dos donos da Easy Star Records, Eric Smith, no site oficial da gravadora (www.easystar.com).

E foi com essa dedicação que o Easy Star escolheu OK Computer do Radiohead – que recebeu o bem sacado nome de Radiodread - como seqüência desse projeto de recriações que os nova-iorquinos vêm promovendo. Michael Goldwasser, produtor do Radiodread e um dos donos da Easy Star Records (ao lado de Eric Smith, Lem Oppenheimer, e Remy Gerstein) conversou, via e-mail, com o Urbanaque, a respeito de novas tecnologias, recriações dos clássicos do rock, e claro, sobre esse projeto que vem ganhando respeito e admiradores a cada dia. Confira abaixo essa conversa.

Urbanaque – De onde surgiram as idéias de se fazer versões ragga-dub para discos clássicos, como o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e agora para o OK Computer, do Radiohead. Como vocês selecionam o artista para o qual darão o tratamento reggae?

Michael - Lem, nosso parceiro, foi quem teve a idéia do Dub Side. Ele era um grande fã deste álbum do Pink Floyd e um dia, enquanto ouvia o disco, a idéia de fazer aquilo como reggae veio a ele. Ele levou a proposta para Eric e para mim, e pensei naquilo a partir de uma perspectiva musical, e percebi que podia fazer dar certo. Escolhemos OKC como o sucessor porque assim como o DSOTM era um álbum incrível e do qual todo mundo gosta muito.

De vez em quando o Radiohead é cotado como um Pink Floyd da modernidade, e o OKC é freqüente e favorecidamente comparado ao DSOTM, então, aquilo fazia sentido. E também sabíamos que fazer o OKC em reggae seria um grande desafio, e não queríamos fazer nada muito fácil – já que o que queríamos mesmo era ganhar respeito do público.

O disco Radiodread tem alguns convidados especiais como Horace Andy, Morgan Heritage e Sugar Minott, e na maioria das vezes, eles não podem se apresentar ao vivo. Como vocês contornam isso? Usar playbacks e samples pode se tornar um problema? Aqui no Brasil o público gostou do show (que se utilizou desses playbacks), mas como é na Europa e nos Estados Unidos?

Uma vez que não podemos ter os artistas convidados em turnê conosco, os membros da banda fazem todos os vocais. Não precisamos usar playbacks ou samples. Acredito que todos os nossos vocalistas trabalham muito bem ao interpretar a performance dos artistas que gravam o disco.

O que os integrantes do Radiohead e do Pink Floyd disseram sobre o projeto? Eles gostaram? E quanto à questão do direito das músicas, as gravadoras e donas destes direitos foram acessíveis?

David Gilmour, do Pink Floyd gostou bastante do Dub Side e todos os caras do Radiohead disseram que curtiram o Radiodread. Trabalhamos com inúmeras agências de publicidade e gerenciamento para conseguir os direitos, então, não foi tão difícil assim.

Durante a turnê brasileira você conheceu ou gostou de algum artista local? Algo que tenha sido realmente bom?

Firebug é uma ótima banda de fora de São Paulo. Meu bom amigo Victor Rice, que tocou baixo no Radiodread e também mixou o álbum junto comigo, sempre toca com eles e produziu o primeiro trabalho da banda. Também gostei do Natiruts. Me lembro de quando eles eram chamados de Nativus. Coisa boa.

Radiodread vazou na internet duas semanas antes do lançamento. Você acha que isso pode ter sido ruim? Como você lida com essas novas tecnologias, como o YouTube, o Torrents, My Space…?

Tudo bem que o álbum tenha vazado na internet – acredito que isso tenha ajudado a espalhar o interesse por ele, e verdadeiramente falando, isso levará às pessoas a comprarem o disco. Pessoas que não gastariam dinheiro em comprar ou fazer download legal não comprariam de qualquer maneira, então não há nada que podemos fazer a respeito. Por ser produtor e dono de gravadora, espero que um número maior de pessoas perceba que a troca de arquivos ilegais e “queimar” cd´s é um tipo de roubo, mas não podemos fazer muito sobre esta questão.

Algumas faixas de Radiodread são bem similares às versões originais, como “No Surprises”, “Karma Police” e “Paranoid Android”, mas outras, como “Electioneering” e “Climbing Up the Walls”, podem ser consideradas músicas do Easy All Stars com letras do Radiohead. Como vocês trabalham nas composições e arranjos? Os convidados levam influências para o estilo musical?

Eu trabalhei e atingi cada faixa de maneira diferente e fiz exatamente aquilo que achei certo fazer para aquela música. Eu não tinha nenhum plano geral daquilo. Trabalhei em todos os arranjos antes mesmo de termos qualquer artista convidado, então não, eles não influenciaram tanto assim. Como em “Let Down” – não trabalhei nela como se fosse um ska porque tinha Toots – pegamos o Toots porque pensamos que fosse soar muito bem numa faixa de ska.

Fale mais sobre o Easy All Stars: projetos, turnê, expectativas. Você tem idéia de qual será a próxima re-criação? Você vai considerar as sugestões para trabalhar em London Calling e Thriller?

Começaremos uma turnê em setembro por onde percorreremos todo os Estados Unidos e depois vamos para a Inglaterra em dezembro. Espero que sejamos convidados para voltar à América do Sul logo. Eu não seguirei turnê com a banda; tenho outros diversos projetos de estúdio para tomar conta. Não temos certeza quanto ao nosso próximo tributo, mas estamos pensando.

Você poderia deixar uma mensagem ao público brasileiro?

Bem, gostaria de agradecer ao público brasileiro pelo apoio contínuo e pelas “good vibes” que sentimos quando estivemos aí este ano. Os brasileiros devem se orgulhar pelo Radiodread ter sido mixado em São Paulo (no estúdio El Rocha) – o Brasil será sempre parte da história do Easy Star!

[TEXTO CIRILO DIAS]

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