
Um festival de rock com nuances de música eletrônica ou o inverso disso? Para quem aguardava uma rave em plena capital paulista, como de fato ocorreu nas últimas edições, o Skol Beats 2008 trouxe em seu line up atrações que flertavam direta e indiretamente com o gênero que o Tinhoso mais aprecia.
Isso ao menos no Live Stage, local destinado para os convidados de luxo – escolhidos pelo público através de votação no site do evento.
Com formato mais enxuto esse ano, tanto na disposição relativamente próxima dos três palcos quanto na “curta” duração, os primeiros a se apresentarem no Live Stage foi a dupla Killer On The Dance Floor, logo precedidos pelo electro-rock do Montage. Os cearenses fizeram o seu habitual show cheio de energia, levado principalmente pela lasciva presença de palco do vocalista Daniel Peixoto, que foi auxiliado em “Dance To The Floor” pela MC Bárbara, do Bonde das Impostoras.
O viés rock do evento começava a aparecer e o Mix Hell de Iggor Cavalera e Layma Leyton vieram pra confirmar. Em certo momento, Mehdi Pinson do Scenario Rock tomou de assalto o palco cantando “Skitzo Dancer”, o hit de sua banda, sob uma base funk providenciada pelo casal. No fim, Iggor largou os botões para cacetar uma bateria eletrônica enquanto sua parceira segurava os bpms.
Com o terreno pronto e a galera já amaciada, os franceses do Justice, talvez o principal nome do Skol Beats 2008, adentraram o Live Stage para mais uma etapa de sua via-crúcis. Mas ao invés de martírio e apedrejamento (esse só se for dos beats deles), muita dança e clima de reverência. Quando a melodia de “Waters Of Nazareth” foi sentida, um frisson tomou conta do público e assim que A CRUZ acendeu os beats pesados da dupla, que tocaram “espremidos” por amplificadores Marshall, começaram a ser despejados sem dó. Aliás, a famosa cruz da dupla, quando acendia, era o principal indicador de quando o peso iria recair sobre as cabeças. O auge foi em “We Are Your Friends”, com sampler de “Atlantis To Interzone” do Klaxons, entoada pelo público do começo ao fim.
O prata da casa DJ Marky, auxiliado pelo MC Stamina, ficou com a ingrata missão de suceder a acachapante apresentação do Justice e, com sua experiência, não sentiu o peso.
A principal lição de que o rock quando mal aplicado com a música eletrônica pode virar uma maçaroca sem graça foi dada pelos britânicos do Pendulum. Soando como um arremedo de Fear Factory e, acredite, Linkin Park, dava pra crer que em certos momentos (pra não dizer todos) eles estavam tocando sob uma base pré-gravada. Traduzindo, o fatal playback.
Ainda bem que os alemães do Digitalism, compensando o furo do ano passado, fizeram um show enérgico já na metade da madrugada. Regado ao mais puro electro-pós-punk – Jence até vestia uma sugestiva camiseta do Joy Division – a dupla fez uma apresentação arrebatadora calcada nas excelentes faixas de seu único álbum, Idealism. Os pontos altos foram em “I Want, I Want” e na tão esperada “Pogo”. A “tecnêra” voltou a ter destaque na vez do holandês Armand Vam Buuren, que tocou até o raiar do sol. Mas Gui Boratto, outro prata da casa, subiu no Live Stage empunhando uma vistosa guitarra e apoiado por uma banda para reproduzir uma versão rock das músicas de seu elogiado álbum Chromofobia. Nem a fina garoa da fria manhã de domingo foi capaz de deter o ânimo dos heróis que resistiram ao mais roqueiro dos Skol Beats.
TEXTO: Leonardo Dias Pereira









