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Frank Jorge retoma carreira com Volume 3

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Quando se pensa em rock gaúcho, um nome obrigatoriamente encabeça a lista de seus disseminadores: Frank Jorge. Integrante de bandas hoje cultuadas, como Cascavelletes e a mítica Graforréia Xilarmônica, ele conseguiu um tempo em sua apertada agenda acadêmica – atualmente Frank é professor da UNISINOS (RS) no inédito curso de Formadores de Músicos e Produtores de Rock – para lançar o seu mais novo trabalho solo, batizado com o sugestivo nome de Volume 3. Aproveitando a sua breve pausa, o Urbanaque convidou Frank Jorge para um descontraído faixa-a-faixa de sua mais nova criação:

1 – “Elvis”
Sempre ouvi um turbilhão de estilos de sons diferentes em casa desde pequeno. Meus irmãos e irmãs curtiram muito o disco ABC do Jackson Five e já persegui algo parecido em outras músicas, sem problema também de assumir que é meio Hanson! Meio Roberto fim dos 60 e é claro, um atrevimento dizer que tem algo do mestre supremo Tim Maia.

O lance da letra quando fala em “sonho” evoca “In Dreams” do Roy Orbinson. Aproveito e tasco uma criticazinha light sobre o comportamento humano estereotipado de falar mal dos outros, tentando reverenciar e colocar no devido lugar nosso idolatrado Elvis Aaron Presley. Se ele não tivesse existido, nem o Latino estaria hoje dançando serelepe o seu funk-melody adoidado nos Raul Gil da vida. A propósito: também sou fã do Latino.

2 – “Obsessão Anos 60”
Uma brincadeirinha também com as verdades absolutas e remakes constantes que revisitam os Anos 60; sempre serei fã dos Anos 60 do século XX, agora, é necessário colocar Super Bonder na cabeça e grudar um chapeuzinho tipo Bob Dylan para ser “in”? Sou mais o chapéu do pessoal da turma do mangue-bit, o chapéu de gaúcho, um Panamá do Tom Jobim e o chapéu de caipira do Mazzaropi. Ok, vocês venceram, me dá um chapeuzinho tipo… mexicano.

3 – “A historiadora
Ete som tem um flerte com a new wave, pelo menos tentei. Graças a Deus, sempre fica diferente da referência! Comentário chulo sobre os rigores da Academia. A criatura fica tão obcecada por pesquisa que esquece de viver, mas claro, é uma crônica, uma caricatura. Umas das minhas prediletas do disco.

4 – “A imagem”
Única canção antiga – década de 90 – do CD novo. Uma canção Roberto de amor tristinho.

5 – “Pilhas de Livros”
Tentativa de citar The Mammas and the Pappas, um clima São Francisco. Tentativa de exorcizar a neurose urbano-contemporânea de não ter tempo para nada. Entramos numa ‘livrariazona’, destas de shopping, e levamos meia loja, aí, não sobra tempo algum para dar conta de tanta leitura.

O grande desafio da humanidade: como distribuir nossas ações, tarefas, é trabalho, leitura, estudo, filhos, casamento e ainda tem que aparecer nas “gig” ou do contrário, não falarão de ti! Mestre Dusek já dizia: ‘Isto é que dá/ (vo) cê querer frequentar’.

6 – “Eu demiti um amigo”
Meu link com música cubana, bolero; em função dos charutos, que comecei a curtir em 1997, pesquisei e aprendi a gostar desta bela música. Bolero sempre ouvi em casa, minha mãe curtia muito bolero e tango. A história é real e o pessoal de algumas rádios tem usado esta canção para ilustrar notícias sobre a crise econômica! É a vida real gritando na nossa cara.

7 – “Não pense agora”
As agruras de quem já cometeu ou sofreu um episódio envolvendo decepção, desilusão amorosa. O bacana é entender o assunto com humor, como ensina Reginaldo Rossi.

8 – “Não sou como vocês”
Encasquetei que este som tinha a ver com a banda do Paul [McCartney], Wings. Uma balada bem tristonha, quase um personagem pós-moderno desencaixado do mundo, mas com algo de bom no coração, outra das prediletas. A linha de baixo tem um toque das produções do Phil Spector. Aliás, os timbres de baixo no disco, foi usado um Hofner igual ao do Macca. Um capítulo a parte pra mim, gostei muito.

9 – “Não espero mais nada”
Esta foi uma das primeiras composições deste repertório, um pouco do conceito do disco. Passa pela síntese que esta canção representa: jovem guarda até dizer chega! A letra tem umas figuras de linguagem para dar um tom de desesperança mesclado com humor. É uma das músicas mais Roberto 66/67 que já fiz.

10 – “Alice”
Sou e sempre serei um fã dos Ramones, não só pelo tipo de som, pelas canções, mas pelo conceito, pelo riqueza e conhecimento musical que eles tinham e conseguiam externar. Quando ouço Ramones vejo Chuck Berry e Beach Boys. Sim, é chover no molhado dizer isto, mas é o que sinto. Satisfiz um desejo de gravar um som meio Ramones, ‘bubble gum’ total.

11- “O que sobrou do mundo”
Lentona brega mas convicta. Outra tentativa de evocar Roberto, mas na fase início dos 70. Quem tem filhos normalmente se identifica com esta canção, também tem um humor meio sarcástico, meio Dusek. Tem aquele negócio na letra, tipo: ‘tá, agora que chegou a minha vez, o que sobrou do mundo?!’.

12 – “Se você ainda me quiser”
Esta música realmente foi feita meio na pressa, pra completar o disco e parece que ficou com a tarefa ingrata de fechar a sequência. Gosto dela também, tem um embalo meio Renato e Seus Blue Caps.

TEXTO: Leonardo Dias Pereira

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