
Formado no verão de 2003, o grupo paulistano Flaming Moe confirmou sua popularidade na noite da última sexta-feira (9) no CB Bar, em São Paulo.
Com um currículo que inclui passagens por festivais como Goiânia Noise Festival e participação no seriado Alice, da HBO Brasil, só agora a banda promoveu o lançamento de seu disco de estreia, Soul Hunter.
Espera que atraiu uma multidão de fãs ansiosos, que formaram uma extensa fila no número 871 da Rua Brigadeiro Galvão, e foram recompensados por uma noite de stoner rock sujo.
Do lado de dentro, um o calor infernal e som alto o suficiente para maltratar os tímpanos, formando o clima ideal para Gui Klaussner (vocal), Maurício Peruche (guitarra), Caio Varnier (guitarra), Vitor Rodrigues (baixo) e Daniel Guerrini (bateria) deixar o público em transe.
No set, canções clássicas (“Red Woman” e “Oh, Yeah”); um cover de “The Devil Stole The Beat From The Lord”, do Hellacopters”; e a suingada “Vasalube”.
Flaming Moe @ CB Bar – “Vasalube” from Urbanaque on Vimeo.
Aproveitando a ocasião, o Urbanaque conversou com Maurício Peruche, que explicou os vários motivos de ter deixado os fãs esperando tanto tempo.
Urbanaque – O que mudou desde que vocês tocaram na décima edição do Goiânia Noise, em 2004?
Peruche - Naquela época, estávamos muito no início. Só tínhamos mesmo a vontade de botar energia adolescente pra fora. Não entendíamos muito de como compor, como tirar o melhor de cada um. Era algo mais cru, visceral. Em compensação tinha a beleza de ser algo puro.
Hoje a gente sabe tocar melhor os instrumentos, compor melhor, selecionar o que funciona ou não. E claro, sabe se portar melhor com o mundo da música.
Infelizmente é uma maquiagem inegável que vem com o tempo. Talvez a mesma maquiagem que tentamos deixar de lado na hora de tocar e compor as músicas do Soul Hunter.
A experiência te dá muita tranqüilidade na estrada, mas é a crueza do começo que mostra quem você realmente é.
Foram cinco anos amadurecendo as músicas. Por que tanto tempo?
Queríamos fazer algo com a nossa cara, com a nossa grana, com quem entendesse o espírito que a gente queria transmitir.
A falta de grana foi um dos motivos, porque simplesmente demoramos pra juntar com os cachês ridículos que as casas que promovem o rock independente pagam.
Fizemos o álbum todo com nosso grande amigo de longa data e produtor, Tomas Thornhart. Um cara incrível e que foi muito paciente e generoso com a gente.
Mas o Soul Hunter começou a ser gravado em 30 de junho de 2006. O processo todo pode ser acompanhado aqui: www.flamingmoe.com.br/blog
Então se você pensar bem, desde o Noise, em dezembro de 2004 até julho de 2006 não foi tanto tempo assim. Foi o tempo de compor, juntar a grana, achar um produtor, fazer demos, produzir o álbum, achar referências de timbres, etc.
As gravações terminaram em julho de 2007. A mixagem em 6 de fevereiro de 2007.
Aí começou a busca por selo. Nenhum topou liberar mp3 no site da banda, e isso é questão de honra pra nós. Procuramos por muito tempo e nada. Infelizmente sentimos na pele que selos independentes são os mais hipócritas. Bom, então levou mais um tempo pra juntar grana pra bancar a prensagem independente, fazer parcerias, etc.
Aí em fevereiro de 2008, um dia antes do Soul Hunter chegar da fábrica em nossas mãos, nosso baterista Hugo, saiu porque tinha sérios problemas em conciliar horários.
Ele é residente em Neuro Cirurgia e desde que iniciou a carreira no hospital não consegue mais ter tempo pra nada. Teve de optar. Aí foi mais um ano procurando – e muito – bateristas em nosso ciclo de amigos, afinal a banda surgiu através de nossa amizade no colégio.
Até aparecer o cara certo e o entrosamento acontecer foi mais um tanto. Eis que só lançamos mesmo o disco em janeiro de 2009. Já que o ano de 2008 foi praticamente perdido.
Com as mudanças, você acha que agora o Flaming Moe está melhor?
A banda está diferente. O Hugo foi um dos fundadores da banda, tinha muita voz na hora das composições. Era o que mais atraía ele. Já o Daniel veio com a empolgação de qualquer início e gosta bastante de ajudar também na divulgação e promoção da banda. Isso é bem importante depois de cinco anos tocando as mesmas músicas.
Qual música da época da demo vocês acham que ganhou uma cara melhor?
Na minha opinião, todas. Fizemos a produção novamente de “Nitro Z”, “In My Mind” e “Red Woman”, que são as músicas do EP que também entraram no disco exatamente pra deixar um registro mais digno. Todas ficaram mais concisas e ganharam o clima que a gente queria desde o início. “In My Mind” ganhou no disco um [teclado] Hammond muito classudo, pra citar um exemplo.
Apesar da espera, o público lotou o CB. Esperavam tanta gente?
Sinceramente? Eu não. Nunca vi o CB tão lotado nem com tanta fila na porta. Deu orgulho. Sempre leio muita gente falando bem do Flaming Moe por aí na internet, mas parece que as bandas de rock independente no Brasil não tem um público tão fiel assim. O shows não costumam lotar desta maneira. Já vi muita banda que toca na MTV fazer show pra um quinto do público e no mesmo CB.
Qual foi o momento mais intenso do show?
Acho que o final do show foi bem interessante. A galera sempre anima com “Oh, Yeah!” e o Gui, pra variar, se empolgou e foi terminar o show de cima do balcão do bar. Gostei disso.
SET LIST DO SHOW:
1. EXPLODE MY LIFE AGAIN
2. BAIL OUT
3. SO FIND ME
4. COLD ENOUGH TO FACE THE DEMON
5. VASALUBE
6. RED WOMAN
7. WAVE ME ON MY WAY DOWN
8. THE JOURNEY
9. THE DEVIL STOLE THE BEAT FROM THE LORD (HELLACOPTERS)
10. THE OUTSIDER
11. OH, YEAH!









