
Fruto de um desejo antigo de duas amigas, o Festival Alavanca, organizado pela agência de mesmo nome, traz em sua escalação bandas de destaque da cena independente atual. Mas relevância não foi o único critério para a escolha segundo Katia Abreu e Pamela Leme, timoneiras da agência, disseram para o Urbanaque
Urbanaque – Quem teve a ideia de realizar o festival?
Katia - Todo mundo que é envolvido com música (mesmo que seja apenas como fã) nutre secretamente o desejo de fazer um festival. Era uma vontade antiga de nós duas e quando a gente começou a estruturar a agência foi uma das primeiras coisas que definimos: vamos fazer um festival. Ao longo desse ano de trabalho, a gente voltou nessa discussão várias vezes, e decidimos realizar esse sonho no mês do nosso aniversário.
Temos grandes nomes da nova música nacional tocando em um dos lugares mais legais de São Paulo. Qual foi o critério de escolha das bandas e do local?
Pamela - É um festival que celebra o nosso aniversário, então acima de tudo queríamos aproveitar a ocasião pra reunir algumas das bandas que a gente mais gosta de ver ao vivo. Como o evento rola no comecinho do ano, decidimos escolher nomes bem ativos e elogiados na cena, e que têm enormes chances de chamar ainda mais atenção em 2009. Das seis bandas escaladas, três lançaram seus discos mais destacados no ano que passou (Cérebro Eletrônico, MoMo e Instiga) e as outras prometem álbuns novos para este ano (Supercordas, Numismata e Banalizando). Também são grupos com trabalhos e shows diferentes uns dos outros, não queríamos noites temáticas.
Sobre o local, ele tem muitos pontos a favor. Além de estar colado a uma estação de Metrô, permite acesso a todo tipo de público, com conforto e segurança. Isso sem contar que é perfeito para um festival como o nosso que terá duas bandas por dia. Cabem quase 650 pessoas na Sala Adoniran Barbosa, onde será realizado, e é essa a média de público que esperamos para cada noite. O formato de teatro de arena também nos atrai, porque permite que todo mundo possa acompanhar aos shows sem perder nada.
Cérebro Eletrônico – “Dê” @ Festival Calango 2008 from Urbanaque on Vimeo.
Vocês disseram que houve uma preocupação com o público mais jovem para fazer o festival. Os shows vão acabar cedo? Qual a importância desse público mais jovem dentro do atual mercado?
Pamela – Sim, essa é outra razão que nos levou a escolher o CCSP pra abrigar nosso festival. Raramente, o público adolescente tem chance de assistir aos shows dessas bandas, especialmente aglutinados num único evento. As bandas se apresentam bem cedo (pontualmente às 19h nos dois primeiros dias, e às 18h no último dia) e o evento acaba cedo também, por volta das 21h.
O público jovem é muito interessado e participativo, até porque um monte de coisa é novidade pra essa galera, cujo gosto musical está em formação. Acima de tudo, é uma platéia que um dia vai crescer e: 1. nada é mais legal que crescer com as suas bandas favoritas; 2. são os consumidores do futuro – daqui a dois, três, quatro anos, eles vão estar saindo à noite e enchendo os shows dessas bandas nas casas noturnas ou virando madrugadas em festivais.
Em um ano de Alavanca, qual a coisa mais legal que vocês já fizeram? E a mais chata?
Katia – Pergunta difícil. Talvez a coisa mais legal do nosso trabalho seja aproximar as pessoas umas das outras – e de nós mesmas. Aqui, poderíamos fazer uma extensa lista de gente legal que conhecemos por causa da Alavanca e de músicos que se conheceram através da gente e viraram amigos – e, quiçá, parceiros um dia. Mas se for pra citar uma ação específica, desde já a coisa mais legal é o festival, que só confirma essa nossa vocação agregadora.
A coisa mais chata… deve ter alguma se a gente parar pra pensar, mas vamos apelar pra mesma saída que o Gui Mendonça (Guizado) usou numa entrevista pra MTV: “tristeza não paga dívida”.
Qual seria o presente de aniversário perfeito para vocês nessas comemorações de um ano da Alavanca?
Pamela – Ver todos os shows e festivais que produzimos lotados de gente que gosta de música e procura novas experiências musicais, e não está lá apenas pra ver e ser vista. Começamos o mês com uma bem-sucedida mostra da cena curitibana em São Paulo, e agora vem aí nosso primeiro festival, mais uma edição da festa oficial da agência (a Noite Alavanca e uma banda novíssima a surgir na cena da cidade, O Departamento Celeste) e shows de dois grandes parceiros, Guizado e Do Amor.
São Paulo é órfão de um festival independente, apesar do grande número de shows. Essa foi uma das motivações para fazer o festival?
Pamela – Essa foi a grande motivação para fazer o festival. E justamente por estarmos em São Paulo que, a princípio, ele ganha esse formato pequeno. Não podemos dar passos maiores que as pernas, né? Tentamos ser realistas com o número de pessoas interessadas em música independente brasileira contemporânea na cidade e o quanto elas estão dispostas a pagar pra assistir aos shows dessas bandas. Esperamos que seja o caminho para aumentar o interesse desse público e formar novas platéias, pra que as futuras edições do Festival Alavanca (e de outros festivais) sejam cada vez maiores.
Quais os planos de vocês para 2009?
Katia – Fazer barulho. Trabalhar muito, botar as bandas do nosso cast pra tocar por aí, trazer bandas legais pra tocar em São Paulo e fazer isso ser notado pelas pessoas. Sobretudo, a gente quer continuar se divertindo e proporcionando diversão às pessoas.
Serviço:
Festival Alavanca
16/01 (sexta), às 19h: Cérebro Eletrônico e Supercordas
17/01 (sábado), às 19h: MoMo e Numismata
18/01 (domingo), às 18h: Banalizando e Instiga
CCSP: Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso – São Paulo, SP
Ingresso (para cada dia): R$ 15 (estudantes e maiores de 60 anos pagam meia-entrada)







