
Para comemorar seu aniversário de um ano, entre os dias 16 e 18 de janeiro a Agência Alavanca promoveu o Festival Alavanca no Centro Cultural São Paulo (CCSP), em São Paulo.
Foram seis bandas divididas em três dias, com shows que começaram (sempre no horário) e terminaram cedo, um grande mérito da produção, já que o CCSP fica na estação Vergueiro do metrô, facilitando a vida de quem ainda queria enfrentar uma nova balada após o festival.
Sexta-feira - Muitas pessoas só conseguiram chegar ao CCSP para ver os cariocas do Supercordas abrirem o festival Alavanca quando o show já havia começado. Marcado para às 19h, de uma sexta-feira, muitos ficaram presos no trânsito.
O grupo, conhecido por sua “psicodelia rural”, promoveu uma execução pública de seu novo álbum, A Mágica Deriva dos Elefantes. Em meio às novas composições, como a excelente “Mágica”, não faltaram algumas canções tiradas do elogiado Seres Verdes ao Redor (2006), que projetou o grupo carioca no cenário independente.
Supercordas @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
Ao final da apresentação do Supercordas, um bom público já tomava os dois espaços reservados aos espectadores no CCSP ansiosos para ver Tatá Aeroplano e seu Cérebro Eletrônico fazerem a festa no local.
Vestindo sua característica cartola vermelha, Tatá mostrou o elogiado show baseado no repertório de Pareço Moderno no CCSP.
Ruídos tirados de brinquedos e bastões de neón imitando sabres de luz deram detalhes lúdicos para o início de “Dominó Tecnológico” que logo foi seguida por “Antes Eu Tivesse Escolhido Conviver Só Com A Minha Guitarra”.
Cérebro Eletrônico – “Os Astronautas” @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
Em meio a tantas outras composições de “Pareço Moderno” (como a própria faixa título), o Cérebro Eletrônico seguiu o exemplo do Supercordas e presenteou o público com algumas composições inéditas, que estarão no terceiro disco do grupo, previsto para 2010: “Chapeleiro Louco”, “Cama” e a marchinha de Carnaval “Marcha de Núpcias”, esta última com letra recheada do característico humor dos relacionamentos amorosos.
No final, como já é de praxe nos shows do Cérebro Eletrônico, o palco ficou totalmente sujo com confetes, serpentinas e papel laminado picado. E o público extasiado e satisfeito.
Sábado – A chuva até espantou um pouco do público, mas foi o clima perfeito para o MoMo apresentar seu indie rock com pitadas de MPB.
No repertório, algumas músicas de A Estética do Rabisco (2007) e do elogiado Buscador, lançado no ano passado. O compositor Marcelo Frota quase esgotou os pulmões para dar a intensidade necessária em “É preciso ser pedra”, cantada por toda a plateia, que naquela altura já estava em transe, e se manteve assim na melancólica “Tristeza”.
MoMo @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
Quem se acostumou com as apresentações tranquilas e bem comportadas do Numismata deve ter estranhado a presença do novo integrante da banda, o performático vocalista e percussionista Russo.
Enquanto o grupo discretamente executava músicas de Brazilians On The Moon e outras do inédito Chorume (com previsão de lançamento para este ano), Russo tinha espamos e chiliques cada vez que era solicitado nos vocais, divertindo e prendendo a atenção da plateia.
Numismata @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
No final, o grupo fechou a noite transformando a sala Adoniran Barbosa do CCSP em um baile de carnaval.
Domingo - Como já era de se esperar, o domingo teve o menor público dos três dias do festival Alavanca. Mesmo começando mais cedo, 18h, quem viu Banalizando e Instiga não deu conta de encher os dois ambientes do CCSP.
O trio paulistano Banalizando é mais uma banda dessa nova safra de grupos instrumentais que a cada dia ganham mais espaço – vide o exemplo dos cuiabanos do Macaco Bong, eleitos disco do ano pela “Rolling Stone Brasil”.
Banalizando @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
Apesar de terem começado o show com uma mistura de carimbó com funk (“Ai Ai Ai”), o que predomina na sonoridade do grupo é o estilo de George Clinton e James Brown com algumas pitadas de ritmos caribenhos.
Destaque para “Funkadão”, onde o inquieto Ivan (baixo) e seu dois companheiros Tide (guitarra) e Xuxa (bateria), ganharam o acompanhamento de uma dupla de instrumentos de sopro.
Os campineiros do Instiga ficaram com a missão de fechar o festival Alavanca. Com poucas palavras (só se apresentaram pro público no final do show), mandaram uma música atrás da outra sem firulas.
Instiga @ Festival Alavanca (CCSP) from Urbanaque on Vimeo.
A apresentação durou pouco mais de 40 minutos, e o Instiga apresentou boa parte do repertório de seus dois últimos trabalhos, Menino canta Menina (2007) e Tenha uma banda (2008).
Estreando no calendário dos festivais brasileiros, o Alavanca provou que é possível fazer um evento de qualidade em São Paulo, que apesar de ter o maior número de bandas circulando todos os dias, é órfão de um festival que concentre bons nomes da cena nacional.
TEXTO e FOTO: Bruno Dias e Cirilo Dias









