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L.A.B. lança EP e se diz pronto pra estrada

L.A.B. estreia EP

Formada no verão de 2009, o L.A.B. (Less A Bullshit) – Dan Schneider (vocal, baixo, guitarras, sintetizadores e programação), Fê Fischer (guitarra solo e vocal) e Moa Jr. (bateria, percussão e vocal) – faz parte daquele pequeno grupinho de bandas que já nasceram prontas.

Seguindo a linhagem de grupos como New Order, Kraftwerk e LCD, com letras melancólicas, aquele ar disfuncional e mesclando influências sem medo de errar o L.A.B foge do velho clichê “moderninho, safado e underground” que persegue 99% das novas bandas brasileiras. Boas melodias, riffs, sintetizadores e as definições para o som vão desde indie rock – com elementos eletrônicos – até algo como um “pop alternativo”.

Com pouco mais de seis meses de estrada, os meninos demonstram satisfação com o resultado de seu trabalho, confiança com a proposta adotada e prontos para levar o grupo a um próximo estágio, afinal, é hora de fazer barulho.

Urbanaque – Como surgiu o L.A.B. (Less A Bullshit)?
Fê Fischer: Eu e o Dan tocávamos em uma banda da região, a Poliéster. A L.A.B. surgiu a partir de uma necessidade de se expressar criativa e musicalmente e fazer disso uma forma de aprendizado constante. Quando o estúdio RedLab ficou pronto na casa do Dan, tivemos a possibilidade de utilizar samplers, softwares de gravação e sintetizadores, sem limite de tempo. Com uma dedicação quase obsessiva, as idéias foram fluindo, principalmente através da experimentação de timbres, texturas e diferentes combinações de processos e técnicas não muito característicos do som que vem sendo feito por aqui.

O L.A.B demonstra certa sofisticação e influências como Kraftwerk, New Order e LCD ficam claras logo na primeira audição. Quais as intenções ao fundir rock e música eletrônica?
Dan: Utilizar uma linguagem contemporânea e atual. Respeitamos toda a história da música, mas olhamos muito pouco para os lados na hora de compor. Não há uma preocupação em ter que soar de uma determinada forma, nem parecido com alguma coisa. Na hora de produzir é claro que se busca uma sonoridade em que as coisas soem bem juntas.

Fê: As intenções ao fundir esses dois estilos surgiram naturalmente, pois são nossos dois estilos musicais prediletos. Eu adoro a música eletrônica, mas considero a L.A.B. uma banda de rock.

Isso aponta mais para uma sintonia com essas tendências ou trata-se de uma aproximação consciente? Vai um pouco além de reciclar influências pessoais e as inserir na sua música?
Dan: Aproximação totalmente inconsciente. No final das contas, é tudo música. As nossas influências pessoais estão ali. Apenas a linguagem que está sendo utilizada na L.A.B é outra. Os tempos são outros. As pessoas também são outras. Inclusive nós mesmos.

Moa: Acho que estamos em uma perfeita sintonia com as novas tendências e ao mesmo tempo surge uma mescla de influências pessoais que contribuem para deixar o som com essa característica. Se foi nossa intenção parecer moderno eu não sei, talvez. É como adicionar os elementos corretos na medida certa. Trata-se da consciência de saber até onde é benéfico flertar diretamente com as maiores influências de cada um.

As letras seguem uma linha mais “oitentista”. Decadência, melancolia e um ar meio futurista são presenças recorrentes e acabam encontrando batidas dançantes. Em outros casos há até uma levada mais pop. Como mesclar elementos – teoricamente – tão opostos entre si evitando cair naqueles velhos clichês?
Dan: Esse contraponto é interessante, não? Decadência e melancolia sempre estiveram presentes e sempre estarão na música. Nem que seja pra falar da mulher que tu perdeu. Mas há muitas maneiras de ser decadente e melancólico. Umas mais legais, outras menos. Não que a temática tenha que ser sempre esta, mas às vezes é. E a idéia é ser pop mesmo. É possível fazer música pop de qualidade. Mas rica e com conteúdo. Tem muita coisa nas letras além de decadência e melancolia também. “O Melhor Sorriso” fala de amor. “Segundo Andar” de frustração. “Uma Vida em 8 Bits” de simplicidade, e assim por diante.

Flertando com este estilo predominantemente estrangeiro como surgiu a opção por cantar em português?
Dan: Esses dias me “parabenizaram” por estar sendo óbvio quando falei sobre isso, mas é uma obviedade mesmo. Eu quero que as pessoas entendam, compreendam o que estamos dizendo. Estamos no Brasil tocando para brasileiros. Cantando em português já é difícil, a maioria das pessoas prestarem atenção no que está sendo dito e realmente compreenderem. Até porque, muitas vezes, é muito subjetivo mesmo e são possíveis várias interpretações. Mas deixa eu te perguntar uma coisa. Que estilo? Por que cantar britpop, punk, folk em português pode? Bandinha “cópia descarada” de tudo que é banda inglesa e americana canta em português e todo mundo acha normal. Isso é coisa de quem classifica o som como isso ou aquilo. Aí pode ou não pode. Pra gente não tem isso não. Até porque estamos começando um trabalho agora, não nos prendemos a estilo nenhum e estamos descobrindo a cada dia o nosso jeito de fazer as coisas.

Qual sua opinião sobre o cenário musical brasileiro independente atual? E como o L.A.B se insere nesse contexto?
Dan: Tem muito som bom rolando aí, muita diversidade e qualidade. Festivais em todos os cantos do país. Tudo muito profissional. Só precisamos descobrir como viver disso. Porque tudo é pago, menos a música. Show muita gente não vai mais, prefere ver no YouTube. Vender música? Quem compra? Gostaríamos de fazer só isso. Mas é preciso viabilizar as coisas, em todos os aspectos. Aproximação com público, parcerias, projetos e patrocínios.

Se analisarmos o cenário independente de uma forma geral, em pouco mais de seis meses a L.A.B já possui uma história bacana. O que vale destacar desse período?
Fê: Tivemos uma excelente recepção por parte do público e de crítica. Logo que lançamos o EP no Myspace e no Trama várias pessoas deram um feedback muito positivo. No mesmo dia que disponibilizamos o som, o Claudio Szynkier, entrou em contato pedindo uma entrevista e deu um grande destaque para a banda. Desde então estamos conseguindo algum espaço na mídia independente. Temos vários shows agendados nos próximos dias, quatro shows em São Paulo no começo de agosto, convites para tocar em outros estados. Enfim, muitas coisas legais acontecendo. O curioso é que em Porto Alegre ainda não conseguimos tocar. Ninguém convidou, nem sinalizou positivamente a contatos feitos pela banda.

Para finalizar quais as novidades e até onde se estende à pretensão da banda?
Dan: Nosso primeiro EP, agora masterizado está no MySpace e também no Trama para download. Provavelmente será lançado nos próximos dias em formato físico, não sei pra que, mas tudo bem (risos). Brincadeira, divulgação não é? Resenhas, inscrição em festivais. Já estamos gravando os sons do segundo EP. Essas músicas mais novas já fazem parte do repertório da banda nos shows. O objetivo imediato é fazer shows, botar o pé na estrada, divulgar. Ganhar experiência, fazer cada vez melhor. Viajar por todos os lugares, tocar e compor novas músicas. Produzir, gravar e tocar mais de novo!

TEXTO: MURILO BASSO FOTO: Divulgação

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