
Maior representante do rock mineiro e grande responsável por colocar Uberlândia (MG) no mapa da nova música brasileira, o Porcas Borboletas se cercou de grandes nomes da música (cinema e literatura) para seu segundo álbum, A Passeio, que acaba de sair.
Disponível para download gratuito, A Passeio foi produzido pela própria banda ao lado do produtor Alfredo Bello. O disco mostra que as viagens (em todos os sentidos) do grupo os levaram a conhecer talentos de diferentes áreas culturais. Essas novas amizades acabaram indo para dentro de estúdio e o resultado não poderia ter sido melhor.
Da trilha sonora do longa Nome Próprio, de Murilo Salles, veio a música título do filme e as parcerias com Clarah Averbuck (cujos livros Máquina de Pinball e Vida de Gato serviram de fonte de inspiração para o Nome Próprio) e Leandra Leal, atriz principal do filme.
O grupo formaod por Banzo, Danislau, Moita, Rafa, Ricardim e Vi, ainda contou com participações especiais de gente do calibre de Arrigo e Paulo Barnabé, Simone Sou, Arthur de Faria e Bocato.
O Urbanaque pediu para Enzo Banzo dissecar A Passeio, explicando cada uma das faixas do disco e suas devidas parcerias. O resultado você confere abaixo:
1 – “Menos”
Resultado da nossa intensa amizade com a Clarah Averbuck (a letra é dela). Sonoridade crua, clima de Rua Augusta na madrugada, uma espécie de manifesto pra começar o disco: “eu sei que não era pra eu ser assim… pra viver mais eu sei que eu devia viver menos, mas eu não sei viver menos”. Tem uma pegada rock mais linear que a gente não tinha experimentado até então.
2 – “Nome Próprio”
Já circulou como tema do filme Nome Próprio (do Murilo Sales, com a Leandra Leal e baseado na obra da Clarah). Achamos que essa e a primeira são pós-punks, uma abertura noturna. A letra também carrega uma espécie de visão de mundo, tipo é isso que a gente pensa da vida: “quando você tira a roupa algo se revela”. E o som é uma pancada!
3- “A Passeio”
Depois da introdução noturna, o sol chega nesta faixa, com sonoridade mais leve, uma balada existencialista que por pouco ficou fora do disco, mas que acabou virando título por sintetizar essa coisa que a gente tem de passear musicalmente e flertar com as linguagens sem restrição. Tem uns teclados do Marcelo Jeneci que aprofundaram ainda mais a dimensão lírico-psicodélica da canção.
4- “Tem gente”
Veio de um poema do livro do Danislau, “O Herói Hesitante”. A gente já toca essa há um tempo, o público conhece e gosta, mas ela não tinha registro gravado. Em estúdio ganhou cores muito nova, com a Simone Sou “moendo” na percussão suingada, com baixo acústico do Alfredo Bello (que trouxe também samplers com a narração de “Alice no País das Maravilhas” em inglês), e com o amadurecimento expressivo que o estúdio traz pra banda.
5- “Super-herói playboy”
Radionovela. Estrelando: Arrigo Barnabé, como o cafetão; Leandra Leal, como a prostituta; Junio Barreto, como o cantor de cabaré; Danislau, como Super-Herói Playboy.
6 – “Dinheiro”
Um momento de distensão pegada mais pop com naipe de metais gravados pelo Marcelo Monteiro, mistura meio patética entre prejuízos do amor e das finanças.
7 – “Estrela Decadente”
Momento de polifonia, riff quebrado, Sílvio Santos (morreu em 84?), Costinha, percussões da Simone Sou, performance fenomenal do Bocato no trombone. Um texto cara a cara, olho no olho, que te encosta na parede: “e você, morreu quando meu filho?”
8 – “Sinto Muito”
Acho que a gente nunca tinha feito uma música gostosa pra dançar como o que ficou nessa faixa no estúdio. Interessante que ela contrasta uma letra muito seca (um fora em alguém) com um clima latino passional, gerando um sentido meio dúbio.
9 – “Beijo Menta”
Canção passional dor de cotovelo meio brega meio MPB meio rock meio tango com acordeon gaita gaúcha argentina do Arthur de Faria.
10 – “O Rato”
Baseada em ratos reais, punk-jazz com pianos esquizofrênicos de Paulo Barnabé. Faixa noturna, onírica, em que não se sabe quem é gente quem é rato.
11- “Sertanejo”
Última composição a entrar no CD. Um electro punk retão ao contrário das quebradeiras de costume. Saga. O Alex Antunes achou a letra meio gay e o Danislau responde que tem uma corporalidade meio estranha.
12 – “Caminhar a Dois”
Uma das mais belas do disco tem a força exata pra encerrar a conversa. Sempre foi tratada como uma música que ficaria de fora, e no final das contas foi um dos grandes momentos do CD. Latarias, sanfona, canto contido, texto rasgado. Síntese.









