
O ar de novidade hypada anunciado pela vinda do Dirty Projectors animou a indiezada a comparecer em uma quarta-feira quente no Clash Club , dia 02/12, e a esvaziar – mais – os bolsos, após a saraivada de festivais que trouxe Faith No More e Iggy Pop para o Brasil e esvaziou o bolso dos paulistanos. Para abrir o show, a nova promessa do rock independente de 2009, os paulistanos do Holger.
A casa cheia na medida certa permitiu duas coisas essenciais quando as atrações da noite prezam pelo barulho e diversão, muitas vezes incompreendidos pelo público: espaço suficiente para circular e o bar tranquilo para comprar uma cerveja.

Holger: clima de diversão no palco contagiou a plateia
Apesar de começar a tocar com quase uma hora de atraso e para um público que começava a chegar, o Holger mostrou nos primeiros 15 minutos de show o motivo de estar ganhando espaço e respeito na cena independente brasileira. “The Auction”, a música do “clipe ensaiadinho” lançado no Youtube foi cantada – e dançada – pelos presentes. O grupo ainda aproveitou para testar algumas músicas novas, como “Truffles Turtles’, uma boa música que, se bem trabalhada e produzida, tem grande potencial dançante. A partir daí, o show descambou para a improvisação e diversão exagerada, comprometendo o que poderia ser uma apresentação impecável dos paulistanos.
O Dirty Projectors começou o show com a calmíssima “Two Doves”. O silêncio foi tão absoluto que quase o som do ar condicionado do Clash Club cobre o som dos nova-iorquinos. Focando o repertório no recém-lançado Bitte Orca, o coral composto pelas três vozes estridentes de Angel Deradoorian, Amber Coffman e Haley Dekle, contrastava com a voz à Neneh Cherry Tracy Chapman de Dave Longstreth. Uma combinação muitas vezes ensurdecedora como em “Useful Chamber”. Longstreth estava tão empolgado em tocar no Brasil que confessou “ser uma honra se apresentar para um público tão musical como os brasileiros, enquanto eles só faziam gritar e arranhar suas guitarras”.

Dirty Projectors: guitarras e vozes estridentes sincronizadas
O único ponto fraco foi quando descambaram para a barulheira excessiva. Braços cruzados e o clima de “quem entendeu, bate palma” foi normal durante uns vinte minutos. Mas aí o grupo resolveu emender a sequência “No Intention”, “Cannibal Resource” e “Stilness in the Move”. Catarse geral. Até mesmo “Fluorescent Half Dome” foi capaz de manter o transe instaurado a essa altura do show. Pausa para respirar e o bis para lá de merecido com “Temecula Sunrise”.
Apesar do experimentalismo muitas vezes incompreendido, a noite no Clash Club serviu para mostrar que a cena independente brasileira quer cada vez mais estar em plena sintonia com o que acontece de mais novo em outros países.
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[TEXTO CIRILO DIAS FOTOS LEONARDO DIAS PEREIRA]










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