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Festival Fogo no Cerrado vira o show de uma banda só

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É praticamente impossível traduzir em palavras o que um show do Móveis Coloniais de Acaju é capaz. De cara o que salta aos olhos é a entrega. Com 5 mil pessoas ou duzentas a energia é a mesma: o prazer do grupo ao tocar é tão grande que acaba refletindo no público. E a maneira como a apresentação cresce aos poucos é surpreendente. Combine estes elementos com uma bateria precisa, guitarras em sincronia e uma verdadeira orquestra sustentando um punhado de canções pop. Fica difícil não se emocionar e faz você compreender o porquê esses rapazes de Brasília, conseguiram fazer mais barulho do que todas as bandas que passaram pelo palco nas duas noites da 2ª edição do Fogo no Cerrado, em Campo Grande (MS).

O jogo parecia ganho antes mesmo dos meninos entrarem no palco. O público presente não deixou dúvidas quanto à popularidade do conjunto, que se apresentava pela primeira vez na cidade: cerca de 500 pessoas não se preocuparam em pular, cantar e gritar durante uma hora com uma apresentação perfeita do ponto de vista técnico. Faz você ir para casa sorrindo e como cantam em “Indiferença”, “se tudo pode ser melhor, ainda dá tempo”.

O fato é que após o show do Móveis tudo pareceu pequeno. Lembra daquelas festas de aniversário de sete ou oito anos? Então, é uma comparação é valida. O dono da festa, alguns convidados bacanas, outros “inofensivos” e uma dúzia de pentelhos que sempre aparecem da maneira mais inconveniente.

Logo na primeira noite os paranaenses do Wolf Attack mostraram ter evoluído após circular por festivais. Com vocais melhores trabalhados o trio soube dosar suas canções e, mesmo prejudicado pelo som, conseguiu dar seu recado. De São Paulo, o quarteto de punk rock Inocentes fez o melhor show do primeiro dia (o vocalista Clemente Nascimento chegou a parar a apresentação para conter os mais exaltados). Com o repertório contando com canções como “Miséria e Fome”, “1983” e “Pânico em Recife” saíram aplaudidos. O Bêbados Habilidosos (MS) trouxe uma atmosfera nostálgica e com seus blues bem humorado divertiu o pequeno público. Já o Facas Voadoras provou ser o “melhor” nome da cena local.

Do lado dos inconvenientes, o Snorks (MT) não foi capaz de se livrar da derivação exagerada e acabou parecendo uma cópia barata de grupos como MxPx e NOFX – o que por si só já diz muita coisa. Já Brown Há (DF) e os locais da Jennifer Magnética, responsável por pérolas como “Placenta” (Pupila dilatada, sol bem alto e um tom de fim de linha / Têmpora sangrando, pintando a esquina / Caio no clichê fajuto e juro que não lembro nada / Restos de placenta da noite abortada), ainda precisam de muitas horas de estúdio, além de alguma inspiração antes de subir em um palco. O Capim Maluco (SP) se perde em meio à gritaria desnecessária enquanto o Repúdio (MS) passa completamente despercebido.

Na segunda noite, novamente, os conjuntos locais decepcionaram ao não conseguirem romper a barreira da repetição. Midnight Purple, Santo de Casa e Link Off não mostram nada que mereça uma atenção diferente da oferecida por amigos, parentes ou outros músicos com doses consideráveis de paciência. Gobstopper (MS) e Hierofante Púpura (SP) não mudaram o cenário, mas ao menos não pioraram as coisas. O Inimitáveis (MT) é o clássico (e constrangedor) exemplo de tentar agradar e não conseguir. Já o Ecos Falsos (SP) parece ser adepto da filosofia “estou aqui me divertindo e dane-se o ouvido alheio”. Garante algumas boas risadas e acaba quebrando aquele marasmo de quem em está em um festival para ouvir canções, beber cerveja e não pretende se aborrecer. Reza a lenda que Louva Dub, Curimba e Dimitri Peliz fizeram as grandes apresentações da última noite, lavando a alma da cena local. Os poucos que conseguiram chegar ao fim confirmaram a história.

Se no geral a  organização não deixou a desejar (apesar de atrasos e pequenos contratempos já característicos), a produção precisa, para as próximas edições, selecionar alguns nomes que chamem e segurem o público. Por enquanto a aposta parece ser estimular a cena local, o que até certo ponto é uma atitude digna de aplausos. De qualquer forma o Fogo no Cerrado demonstra capacidade para se firmar no cenário nacional – embora para isso seja necessário que as bandas locais colaborem um pouco. Sente e espere.

[TEXTO MURILO BASSO FOTOS DIVULGAÇÃO]

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6 Responses to " Festival Fogo no Cerrado vira o show de uma banda só "

  1. Jon Jon says:

    Caramba….vc foi um dos poucos com coragem até hj de falar umas verdades destes festivais organizados pelos amigos das bandas. Meus parabéns eterno. Urbanaque mostrando que é foda pra cacete e não tem medo de represálias. Se bem que depois dessa acho que vcs não ganham hospedagem e alimentação. Espero que continuem assim e não se vendam em respeito aos seus leitores. Bandas decentes e profissionais agradecem. E nossos ouvidos também.

  2. Renan says:

    Achei ridículo o texto principalmente sobre as bandas, medíocre a forma como escreveu sobre elas, tão medíocre como a forma que você deve ter a escutado.

    Escuto as merdas que são feitas Brasil a fora, e essas bandas moderninhas que dizem ser o que presta são na verdade um pé no saco.

    Por ultimo queria dizer ler que uma banda que tem 3 músicos por formação, professores de musica precisa de estúdio me deu até vontade de rir.

  3. João Silverio says:

    Apesar do Murilo ter pegado pesado com algumas bandas, acho que tem que fazer isso mesmo, falar a real, sem frescuras.

    E não acho que os festivais vão fechar as portas ou deixar de chamar o Urbanaque. Festival sério, que quer melhorar e crescer, quer mesmo é que falem o que aconteceu de verdade.

    Só acho que faltaram alguns vídeos para provar que o que o jornalista falou foi verdade.

    Ah, e acho o Móveis Coloniais um porre!

  4. [...] 21 21UTC Dezembro 21UTC 2009 Nosso correspondente Murilo Basso causa indignação em alguns leitores ao resenhar o Festival Fogo … [...]

  5. Luiz Freitas says:

    Eu não estava lá pra ver se as bandas eram dignas de tias palavras, e aliás, acho Móveis uma tremenda bosta. Mas de modo geral, concordo com o autor do artigo.

    Por mais que seja necessário “alavancar a cena local”, é importante lembrar que quando se endossa bandas que visivelmente não deveriam estar aonde estão (erro bastante comum aliás, na nossa imprensinha “indie”, que dá capas de jornais de circulação nacional e hype exagerado na MTV para as medíocre bandas dos seus amigos, e nem preciso citar nomes para se saber de quais estou falando), estamos na verdade prestando um desserviço a cena. Uma das provas de que o autor não está só de pegação no pé com as bandas pequenas é que ele critica não só as bandas locais, mas aquelas bandas rodadas que estão em simplesmente todos os festivais por aí.

    Quanto ao comentário do Renan, o que eu posso dizer é que não é bem por aí. Anos de aula e teoria musical não garantem criatividade e presença de palco pra ninguém. E só tem um professor que ensina isso: o mp3 player (ou discman, pra quem é mais retrô). Nada ensina tanto sobre como ter uma boa banda do que ouvir o máximo de bandas possíveis e aprender com elas, pelo exemplo.

    No mais, não posso dizer se o autor estava certo no conteúdo: não sei nada sobre as bandas citadas e não estava lá. Mas na forma, ele está: esse erro é comum, tanto da imprensa quanto dos festivais. Mas desejo que iniciativas como essas vinguem, é muito importante que floresçam bons palcos nas cidades do interior do país.

  6. Fred says:

    O cara de cima ai vive numa incógnita ou ele é um carro V8 na lama, na boa teve umas bandas bem legais que duvido que seja o caso do moveis que em 2005 ja era uma banda manjada que ilude todos esses festivais ai e continuam na estrada, mas gosto é isso ai cada um tem o teu. Moveis Coloniais de Acaju não posso afirma mas futuramente vai ser a banda mais achincalhada pelos jornalistas.

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