
Em 2007, o disco “A Amarga Sinfonia do Superstar” marcou a fase de transição dos gaúchos do Superguidis, dividindo a opinião da crítica e sendo acusados de “maturidade precoce”.
Foram três anos de shows pelo Brasil e preparação do terceiro disco de estúdio, tempo suficiente para testar algumas canções e deixá-las em ponto de bala. Contando novamente com a produção de Philippe Seabra, o quarteto gaúcho coloca no marcado no próximo dia 20 de março “Superguidis”, álbum que define uma fase mais melódica da banda.
O Urbanaque aproveitou que as músicas já estão circulando pela internet e pediu para que o guitarrista Lucas Pocamacha fizesse sua análise de seu mais novo rebento. Confira:
“Roger Waters”
Essa música foi feita com o intuito de abrir o disco com estranheza mesmo! A gente queria causar uma sensação de “o quê que esses caras têm na cabeça?”, na primeira audição do disco! Tentamos deixar ela o mais suave possível. Foi uma das últimas a serem compostas por isso já veio com intenção de ter arranjos de cordas. Era pra ter uma faixa gêmea dessa no meio do disco, pra dividir ele em dois, mas acabou não rolando por falta de um piano pra gravar. O disco teria 12 músicas.
“Não Fosse o Bom Humor”
Essa também ocupa um lugar estratégico na ordem do disco. Está propositalmente quase colada com a primeira. É para o cara que está ouvindo pela primeira vez se tranquilizar e parar de achar que a gente virou o Kings of Convenience. É uma música relativamente antiga, acho que veio logo depois do segundo disco. Já tinha sido bem aceita nos shows e faz parte do repertório há um bom tempo. A intenção era deixar ela o mais pedrada possível, talagaço mesmo. Acabou ganhando um clipe do caralho feito por uns amigos nossos da Unisinos.
“Visão Além do Alcance”
Pra mim a música mais bonita que a gente já fez. Tem um refrãozão pegajoso e é cheia de detalhes de arranjo. Foi nessa música que a gente decidiu experimentar pela primeira vez com cellos e tal. Acho que foi por causa dessa “curiosidade” que o disco acabou tomando a forma dele. Acho que ela não tem paralelo nos outros discos.
“As Camisetas”
Acho que nunca tínhamos brincado tanto com baterias quebradas como nessa música. É a batera que chama mais atenção à primeira audição, também tem um baixão bem característico. A diversão nessa música era brincar com a dinâmica e ir adicionando camadas a uma base meio repetitiva, uma filosofia meio Cat Power. Tem um refrão “quase” FM.
“Quando se é Vidraça”
Essa é outra da turma dos talagaços. Veio na mesma época de “Não Fosse o Bom Humor” e também está no repertório dos shows há um tempo. É extremamente divertida de se tocar ao vivo. Eu gosto da parada no meio e a volta da podrera no final, quase “arena”.
“Fã-clube Adolescente”
Define-se com uma palavra bem simples: guitarra. Acho que é música com as guitarras mais podres que gente já gravou, mas mesmo assim tem um violãozinho no fundo que deixa bem clara a intenção de fazer um som bem melódico. Dá-lhe Big MUff! Ela é muito curta, sem frescura. Lá de onde eu venho a gente diz que esse tipo de música é “pau dentro”!
“De Mudança”
É outra que não tem paralelo nos outros discos. Veio depois da “descoberta” que a gente pode experimentar com algumas coisas doidas e não ir pra fogueira por causa disso. Posso estar enganado, mas acho que essa música é um bom termômetro de o que a gente vai fazer daqui pra frente: estranheza e guitarras podres. Mas claro, eu posso estar enganado, provavelmente estou. Eu gosto muito do solo que vem do meio pro fim, pensamos em usar orquestra nessa parte, mas ficou muito mais legal com um guitarrão!
“Casablanca”
Só pra deixar bem claro: é “Casablanca” por causa do filme, não por causa do cara do Strokes, certo? Essa é outra do time das “pau dentro”, claramente movida pelo ódio. Bom, as letras a gente ia precisar de outro faixa a faixa!
“O Usual”
A música mais estranha que a gente já fez. Fiquei muito inseguro com ela no início, surpreendentemente alguns amigos meus elogiaram ela bastante. É difícil pra caralho de tocar ao vivo, tem muita mudança de clima e isso leva a “sapatear” em pedais pra compensar as variações de volume. Refrão quase auto-piedoso.
“Nova Completa”
Bom, esse nome veio da nossa preguiça de colocar nome nas músicas. Antes do ensaio eu mandei pro pessoal uma versão demo dela para lapidarmos. Pô, era uma música nova, tinha o arranjo completo, o nome mais óbvio pro arquivo era “nova_completa”, não? Pois é, acabou ficando assim! Ela tem umas guitarras com delay bem marcantes, foi feita numa época em que o meu avô tinha morrido e tava rolando um monte de turbulências e tal. Mas de novo, letras são assunto pra outro faixa a faixa.
“Aos Meus Amigos”
Cara, acho que esse som é o ponto alto da nossa carreira. Não é por acaso que é a última do disco. Não tem como colocar qualquer música depois daquele final, eu gosto muito do jeito que as camadas vão se mesclando. Toda hora acontece alguma coisa nova as cordas no final acabaram sendo gravadas aqui em casa, por isso a “tosquice”. Bom, esse foi o motivo principal por que o disco demorou tanto pra sair, as benditas cordas.
[TEXTO Bruno Dias FOTO Divulgação]










o disco tá muito foda! O Superguidis mais uma vez de parabéns!! As 4 últimas faixas são sensacionais!!!!
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Disco Foda! Viva o Superguidis!
Melhor disco de 2010!
[...] Superguidis: Lucas Pocamacha destrincha terceiro disco – Urbanaque, 16 de março [...]