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Resenha: Congratulations, MGMT

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Soltando-se das amarras do hype


Nossa, como o disco novo é chato”. “Eles estão cometendo suicídio comercial”. “Eles sucumbiram à síndrome do segundo disco”. Certamente você se deparou com algumas destas afirmações sobre Congratulations, novo álbum do MGMT em twitters, blogs e sites. Mas não preste muita atenção nesse povo, o lance deles é dançar no clubinho indie com os olhinhos fechados as novidades musicais (em boa parte, irrelevantes) que eles arrotam semanalmente (ou diariamente?) na cara dos outros.

E o MGMT é tão 2008, não é? Na verdade, eles não gostam de música. E se realmente gostassem, teriam a mínima sensibilidade em perceber que Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser foram fundo na busca de sua musicalidade e saíram-se muito bem ao gerar um disco em que as belas melodias falam mais alto do que os beats maquiadores de falta de talento. Se na estreia Oracular Spetacular a dupla unia com maestria o passado psicodélico com o futuro eletrônico, em Congratulations eles conduzem uma verdadeira viagem ao passado da música, abusando principalmente dos teclados vintages e de levadas e vocalizações no melhor estilo Beach Boys – talvez venha daí a capa surreal, com um bicho desesperado surfando uma onda em forma de gato.

Outra característica do novo disco são as direções não-lineares que as músicas seguem, com várias mudanças de tempo e ritmo que poderiam evidenciar o propalado “suicídio comercial”, mas que demonstra uma clara ousadia da dupla em arriscar e experimentar ao máximo todas as nuances e sensações que uma música pode causar. Grande exemplo deste sentimento é “Siberian Breaks”, um maravilhoso épico de 12 minutos, daqueles de esvaziar a pista do clubinho indie, mas que é capaz de levar o ouvinte solitário e atento à profundas sensações que vão da introspecção ao extravasamento.

Congratulations, que teve sua produção dividida entre a dupla Andrew VanWyngarden/Ben Goldwasser e Sonic Boom (Spacemen3), traz ainda grandes músicas como “Brian Eno”, uma ode ao músico/produtor que lembra o Pink Floyd doidão de ácido de The Piper At the Gates of the Dawn, a maluquinha “Flash Delirium” e o soul psicodélico de “Song For Dan Treacy”. Mirando certeiro na sonoridade do passado, o MGMT se solta das amarras do hype e se consolida como um dos nomes mais instigantes da música do novo século.

Nota: 4 urbs

[Texto Leonardo Dias Pereira Fotos Reprodução/Divulgação]


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Veja o vídeo de “Flash Delirium” e ouça o disco em www.whoismgmt.com

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7 Responses to " Resenha: Congratulations, MGMT "

  1. O que eu escutei do primeiro, foi o que realmente ficou pop, rolou clipe e etc.

    Nao dei a minima pro album, hoje eu ja escutei o primeiro e acho o segundo MUITO MELHOR que ele.

    O grande lance é fazer musica e nao necessariamente ter que pensar em fazer hit, esse album é muito mais disco que o primeiro.

  2. João Rabay says:

    Mais chato que o hype, só tentativas estúpidas de remar contra a maré

    o Congratulations é bom, mas não tem nenhuma música de grande inspiração, como Time to Pretend, Kids, Pieces of What ou Of Moons, Birds & Monsters.

  3. Fabio Navarro says:

    De todas as resenhas que li sobre Congratulations, essa foi a que mais se aproximou do que eu achei do disco. Texto massa de se ler…….
    Acho louvável hoje em dia uma banda dentro de uma grande gravadora (Sony/Columbia), poder ligar um foda-se e fazer o que quer sem amarras de lançar um hit espetacular. Isso sim mostra uma certa vanguarda. Mas atitude demais e som de menos não é muito bom, e esse disco tem muito mais citações e caminhos já traçados por nomes como Syd Barrett, Zappa, Beach Boys e até uma citação às composições de George Harrinson (a cítara no início de Flash Delirium vem dos tempos de canções como Within Or Without You ou Love You To). Não estou comparando as canções nem dizendo que tudo não pode passar de uma homenagem. Como mostra de um novo passo o disco cumpre bem esse papel, mas é só isso. Redefinir estilos já usados na música é uma coisa que o Record Club do Beck e o novo disco de covers do Nada Surf fazem bem melhor.

  4. tadeu says:

    Ouvi o Congratulations antes de ler qualquer resenha e a minha impressão foi que os caras fizeram um trabalho bem ousado, com uma musicalidade bastante apurada, cheio de referências boas saltando aos ouvidas em cada faixa.
    Fiquei bastante surpreso ao ler vários textos que praticamente execraram o novo álbum, talvez pela falta de hits, talvez pelo excesso de expectativa gerada em comparação ao disco de estréia.
    Acho que existe duas maneiras de entender o Congratulations: A primeira é como uma viagem sonora particular da dupla, mergulhada na psicodelia lisérgica na qual somente eles estariam curtindo o barato.
    A segunda é tentando entrar na mesma sintonia deles e embarcar nesta trip, deixando de lado as tais “amarras” e as comparações ao Oracular Spetacular.

  5. Gregório says:

    Gostei muito do novo álbum.
    Escrevi uma resenha sobre ele no meu blog também:
    http://blogregorio.blogspot.com/2010/03/congratulations-mgmt.html

  6. Esse é um disco muito bom, discordo que não tenha a sucessora de “Time to Pretend”. Quando ouvi a faixa “Congratulations” achei que confirmaram que não são uma banda de um disco só e a música “It´s working” confirma o talento quase escasso nos dias de hoje, o de criar melodias cativantes. Esse resgate da lisergia caiu como uma luva para tirar os ouvidos desse resgate sem fim de sonoridades oitentistas, não que eu não goste de algumas coisas, mas é que tem muitos surfistas nessa praia.
    “Congratulations” merece ser brindado, nessa era de bandas de brinquedo.

  7. Marcos says:

    Um Ótimo Álbum, porem retro como todos os bons álbuns que podemos ouvir nos últimos tempos, o rock definitivamente esta em uma encruzilhada criativa. Aqui temos Surf Music, uma pitada de psicodelia (coisa que os Beach Boys fizeram com maestria), tecno e vamos lá, mesma impressão do Popular Songs do Yo La Tengo, ótimo álbum, mas misturar musica pop com Motown a essa altura do campeonato não impressiona mais ninguém, o novo do Midlake é otimo, mas remete ao Fairport Convention. Hoje o que resta é isso ou ser um cover do Radiohead, e olha que os ingleses do Radiohead não lançam nada de bom desde o Kid A, se perderam em um Krautrock moderninho pra inglês ver. Mas se falarmos somente da música em si, mesmo sem novidade nenhuma, Congratulations é muito bom eesta muito acima do álbum anterior dessa banda.

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