
A beleza de High Violet, novo disco do The National, é quase indiscutível. Mas para compreender como eles chegaram até seu melhor álbum é preciso percorrer quase dez anos de história, composta por quatro álbuns e dois EPs. É fato que quem acompanha a evolução do trabalho desses nova-iorquinos percebe que com o passar do tempo são incorporados novos elementos; sempre buscando descobrir e aperfeiçoar novas ideias. “Acredito que estes novos elementos a que as pessoas se referem têm relação com a orquestração e arranjos usando instrumentos fora da esfera ‘guitarra / baixo / bateria’. Basicamente, Padma e Bryce são responsáveis por essa parte. Nico Muhly também escreveu alguns arranjos para nós, como ‘Vanderly Crybaby Geeks’ em nosso último álbum”, diz o baterista Bryan Devendorf. “E em Nova York existe uma pequena multidão de músicos de cordas e metais só esperando por sua ligação”, brinca.
Nos shows a banda se mostra capaz de percorrer extremos. De momentos mais calmos e melódicos, até chegar a guitarras ensandecidas. O próprio estilo do vocalista Matt Berninger é um ótimo exemplo disso, ora debruçado sobre o microfone, em registro vocal grave e profundo, ora em transe.
“Talvez o conflito entre as partes mais calmas e os momentos mais barulhentos seja intrínseco a identidade da banda. Eu não sei ao certo… Nós estamos começando a fazer shows novamente, vamos re-aprendendo”, comenta Bryan.
As ideias e os temas presentes nas canções são extremamente pessoais, fazendo com que haja uma interação bacana entre banda e público. Em alguns momentos você tem a sensação de que o público precisa do The National. “Não posso falar pelo nosso público, mas sei que para mim existem algumas canções como, ‘Daughters of the Soho Riots’ no Alligator e ‘Sorrow’ no High Violet que me emocionam bastante. São canções que levam um tempo para conquistar o público e, a emoção que eu sinto, pode ser algo parecido com a que alguém da platéia possa sentir”, completa.
O mais novo trabalho do grupo, High Violet rendeu comparações com Alligattor, terceiro registro da banda. “Ambos são discos pesados musicalmente. E acredito que tematicamente também”, analisa Bryan. ‘Terrible Love’ é uma canção com uma força impressionante. E músicas como ‘Sorrow’ e ‘Little Faith’ seguem o mesmo caminho. Para Devendorf, o disco segue esta linha: “são canções que realmente dividem uma espécie de pulsação semelhante”.
“England”, talvez seja a grande surpresa de High Violet. A balada mais “The National” já composta. A canção segue lentamente até sua metade, para depois explodir em uma atmosfera pra lá de melancólica. “Gostaríamos que a canção fosse para uma direção, mas não acho que conseguimos chegar lá. Então nós fizemos o que pudemos com o final. E realmente tentamos fazer com que o corpo da música funcionasse, então chamamos Padma Newsome para trabalhar com a orquestração dela”, diz Bryan.
Já “Bloodbuzz Ohio” é o que faltava ao The National; rock para grandes públicos – e, até então, não era possível enxergar esse tipo de canção vindo do grupo. “Nós tocamos ‘Bloodbuzz Ohio’ por um tempo, antes de gravá-la. Confesso que ela nos atormentou um pouco. Acertamos um arranjo que soasse certo, assim re-gravamos as baterias e adicionamos detalhes harmônicos na mixagem”, explica.
Talvez High Violet não consiga ampliar o leque de possibilidades do The National, mas certamente é capaz de provar sua competência no que a banda vem propondo durante seus quase dez anos de carreira: belas baladas, algumas doses de barulho e muita melancolia! Agora só nos resta arrumar um lugar para eles nas listas de melhores do ano.
[TEXTO Murilo Basso FOTO Divulgação]










Sem dúvida alguma Murilo, este “High Violet”, merece desde já, – e juntamente com “Knives In The Senate” do Ghost Voo e “ALPS” do Motorama – estar inserido em qualquer lista de melhores do ano ! Um belo disco !