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“Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución” – A revolução será musicada

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“Se não posso dançar, não é minha revolução”, seguindo essa afirmação a risca, Rodrigo Maceira e Fernando Paiva colocam a três anos paulistas e cariocas para dançar ao som de bandas latino-americanas, trazidas ao país graças ao revolucionário projeto “Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución”.

“O SNPB [‘Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución’] surgiu em 2007, como um projeto amplo de integração entre artistas independentes latino-americanos. ‘Amplo’ no sentido de não ter um direcionamento claro. A ideia era juntar bandas e artistas em uma coletânea ‘generalista’, com participações de estilos e países variados”, explica Rodrigo Maceira, que acredita ter criado uma forma das pessoas se integrarem através do intercâmbio cultural entre o Brasil e o restante da América Latina. “Poderíamos ter começado o SNPB por diversas razões. No nosso caso, foi pura ‘ação entre amigos’. Conhecíamos diversos argentinos e chilenos com trabalhos lindos.”

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Com suas coletâneas “Porque este Océano es el tuyo, es el mio”; “Pero ese olor en el cuarto del piano fue el primer perfume que necesitó en su vida”; e “Aquí podría terminar la historia”, o SNPB já colocou no mercado brasileiro mais de 30 artistas de países como Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela. Sendo que 11 desses já vieram ao Brasil para se apresentar: Juan Stewart (Argentina), Franny Glass (Uruguai), Jóvenes y Sexys (Venezuela), Coiffeur (Argentina), Modular (Argentina), El mato a un policia motorizado (Argentina), El sueño de la casa propia (Chile), Javiera Mena (Chile), Rosário Smowing  (Argentina), Caramelitus (Chile) e Federico Durand (Argentina).

A última ação do “Si No Puedo Bailar, No Es Mi Revolución” no Brasil fez parte do projeto “Seus Pares Latinos”, que promoveu encontros musicais entre artistas brasileiros e seus “correspondentes” latino-americanos. Com apresentações em Brasília e São Paulo, o “Seus Pares Latinos” reuniu em junho deste ano Móveis Coloniais de Acaju com Rosário Smowing (Argentina); Franny Glass (Uruguai) com Tiê; e Jóvenes y Sexys (Venezuela) com Lulina.

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“Os encontros entre Franny Glass (URU) e Tiê; e Jóvenes y Sexys (VEN) e Lulina fizeram um dos maiores episódios do SNPB, com público excelente e repercussão muito positiva. Sem antes nem depois! As pessoas cantaram, conversaram, compraram discos”, relembra Maceira, que ficou impressionado com tamanha repercussão positiva de mídia e público. “Bonito demais, muito mais que a expectativa que levamos ao SESC. Gonzalo (Franny Glass) refazendo Adriana Calcanhotto, e Loocila traduzindo os versos de ‘Para olvidar todo en la vida, solo hay que encontrar una salida’ são lembranças para sempre.”

Muito esforço e pouca circulação

Apesar da boa repercussão do “Seus Pares Latinos” e da quantidade de artistas apresentados durante os três anos de existência do SNPB, Rodrigo Maceira ainda acredita que o espaço dedicado a shows de nossos vizinhos latino-americanos em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo “é minúsculo”. “O espaço é pequeno, mas a internet tem ajudado muito a descentralizar o consumo de música. Vejo mais e mais brasileiros interessados na produção independente latino-americana”, conta Maceira, que completa “ando bastante satisfeito com o momento que o intercâmbio está vivendo. Diversos artistas bons e bastante gente curiosa em relação ao que estão fazendo.”

Federico Durand, em São Paulo from Rodrigo Maceira on Vimeo.

Já o caminho contrário, de artistas brasileiros se apresentando principalmente na Argentina, Chile e Uruguai, nunca esteve tão fácil. Bandas como Superguidis (RS), Macaco Bong (MT), Móveis Coloniais de Acaju (DF), Autoramas (RJ), Black Drawing Chalks (GO) e Do Amor (RJ), já foram pelo menos uma vez neste ano tocar em países da América Latina. “O Brasil está mais rico, viajar ficou mais barato. Especialmente para Argentina e Uruguai. Na prática, não acho que o caminho inverso seja tão mais difícil. Diria que ele é mais preguiçoso”, polemiza Maceira.

A língua, por anos apontada como principal obstáculo para bandas latino-americanas ganharem lugar no gosto nacional, já não é mais o grande empecilho. “O Brasil é um país pra lá de conservador. Puxa o freio quando o assunto parece novidade. E a América Latina, por absurdo que pareça, ainda é estranha para a gente. O preconceito existe, mas extrapola e muito a questão dos vizinhos”, afirma Maceira, que já vê o aumento da simpatia dos brasileiros pelo castelhano: “ninguém resiste a uma argentina dizendo ‘vos sabés’ [você sabe].”

[TEXTO Bruno Dias FOTOS e VÍDEOS Divulgação]

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