Seria 2011 um ano ímpar (além da obviedade matemática) para a música? Um ano de idas e vindas significativas, de celebrar o passado e lamuriar perdas importantes de nosso cenário?
Entre momentos como os 20 anos dos 90s, a renascença do novo-velho Britpop (com os irmãos Gallagher de volta aos palcos e aos tabloides e o Blur que “estava em conversas sobre voltar”), o retorno jurássico de Stone Roses, Primal Scream, Black Sabbath e uma década de Strokes, Gorillaz e “Fell in Love with a Girl”, 2011 também foi marcado pelo encerramento das atividades de diversas bandas , importantes e definitivas no que fizeram.
Já começamos o ano com a fim do The White Stripes. Jack White abriu mão da parceria com Meg em fevereiro – e depois, em junho, se separou de Karen Elson, com que casou em 2005. Estaria Jack sobrecarregado com os trabalhos de seu mega auto empreendendimento, a Third Man Records? Ou teria visto que aquele era o momento de declarar o fim antes que a banda perdesse toda identidade? O duo, primeiro projeto a alavancar o potencial de Jack White já era cult antes de terminar e com o fim anunciado, entre tanto lamúrio e descrença, tornou-se ainda mais forte e referencial .
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Por volta de junho, tivemos uma grande perda nacional. O Superguidis, melhor banda de indie que o nosso rock 00 já teve, anunciou, de sopetão, que estava se separando e causou comoção. Fãs, amigos, entusiastas: todos incrédulos. Como assim nunca mais veríamos os Guidis naqueles shows já épicos, com o melhor dos riffs alternativos, os timbres únicos dos pedais de Lucas Pocamacha, as letras da “nossa geração” não sendo mais cantadas com aquele sotaque gaúcho? Uma banda que vai fazer falta, pelo menos para escolar uma galera nova a tocar guitarra de verdade.
E o REM? E o Sonic Youth? O que faremos?! Será que teremos bandas como eles daqui 30 anos? Temos alguém como eles hoje? Pensar que não se verá mais o pop rock estilístico de Mike Stipe, sempre um exemplo de compositor e grande mente do Rock ou as variações de frequência de Peter Buck e sua guitarra tão genuína que só pode ser descrita como ‘parece REM’.
Video – rem – crush with eyeliner
Thurston Moore e Kim Gordon, um dos casais mais punks – e felizes – que a nossa contracultura musical já teve, anunciaram separação e o destino do Sonic Youth se tornou um hiato. Os brasileiros se deram bem durante o ano: os rumores de que o show no SWU era o último se petrificou e a apresentação no festival ganhou status de funeral pré-anunciado aqui e no mundo. Desde então, tudo que se sabe é que não mais teremos as microfonias, as difusões, a bateria proto-grunge e o 100% do amor de Thurston e Kim.
No Brasil, mais um de nossos independentes das antigas anunciou sua dissolução. Os Ecos Falsos, banda ativa e com um séquito de fãs fieis, comunicaram que estavam encerrando as atividades da banda, também sobrecarregados pelas profissões e vidas pessoais. O cenário de São Paulo perdeu um dos grupos que foram mais a fundo ao conquistar público e trabalhar a banda como marca. Os Ecos Falsos militaram país adentro quando os festivais independentes ainda caminhavam para se tornar uma grande rede corporativa, quando cachê era luxo e, talvez, o festival pudesse pagar todas as despesas de viagem. Na prateleira ficaram 3 trabalhos oficiais com honra ao mérito.
Vídeo – ecos falsos – reveillon
O The Von Bondies, importantes na cena garageira de Detroit e até o U2 deram um tempo. Para todos os gostos e variedades, o cenário rock perdera um tanto de seu brilho.
Mas, e o Black Eyed Peas?!? Como vamos fazer sem aqueles refinadíssimos hinos do hip pop? O BYP foi extremamente significativo para estabelecer um novo estilo dentro da cultura hip hop: o mega produzido, o futurista, visionário, de beats disco e vibe dance. As invenções de Will.I.Am, o poder de Fergie e sobretudo o flow de Taboo e apl.de.ap, que mantinham o teor rap vivo na banda, serão sentidos.
Video – black eyed peas – let’s get started
No electro, o LCD Soundsystem também entrou na lista e estão separados desde fevereiro. E teve até o Adriano Cintra saindo do CSS, mas dizem que isso não afetou em nada a banda…
E o que dizer da explosiva, porém furada e superada, separação de Zezé di Camargo e Luciano? O Brasil, que viu a dupla disseminar um estilo tão próprio de nossa cultura (o sertanejo), fazendo história na música típica brasileira por tantos anos, quase não acreditou no fim repentino – e descabeçado – que Luciano pronunciou.
Quem substituiria a dupla de irmãos mais conhecida e respeitada do interior de Goiás? Quem mais do novo sertanejo tem capacidade de enfrentar duas décadas, mais de vinte discos oficiais e continuar queridinhos do país? Mas seria este um indício de que as relações e laços musicais dos dois também já estão se esgotando? Afinal, são 20 anos desde o lançamento do primeiro disco e do sucesso absoluto de “É o Amor”.
Fim de banda/dupla boa e unânime entre tantos nichos de gostos musicais nos faz pensar que talvez a música não se reinvente tanto assim. Quais artistas de hoje teremos saudade no futuro depois de anunciarem seu fim? Quais realmente farão falta e quais são essas bandas, grupos, duplas, com legado suficiente para marcar a história?
Estamos precisando de grupos com mais identidade, que façam diferença por usar a inteligência na música e não apenas cortes e recortes óbvios. Que lotem estádios, arenas e clubes por serem seminais, não apenas virais ou pastiches vazios de sensibilidade. Precisamos de uma nova geração que consiga descobrir o segredo da longevidade.
[TEXTO MARIÂNGELA CARVALHO FOTO URBANAQUE]











Faltou a The Name.
Superguidis tá fazendo falta. Faltou silverchair nessa lista!