Atrações brasileiras arrebatam público da 15ª edição do festival Porão do Rock

Neste fim de semana, o festival brasiliense Porão do Rock chegou à sua 15ª edição. Foram dois dias de shows, em que 38 atrações e 45 mil pessoas passaram pelo estacionamento do estádio Mané Garrincha, dentro do Complexo Poliesportivo Ayrton Senna, o coração do esporte na capital do país.  Trata-se de uma iniciativa da ONG que leva o nome do festival, e realiza a façanha de trazer shows internacionais e ainda conseguir cobrar um preço pequeno por isso, em comparação aos megaeventos produzidos por empresas. Mas quem arrebatou o público desta edição não precisou mexer no passaporte para chegar no Porão.

Dois nomes conhecidíssimos do rock nacional arrebataram a maior parcela do público nos dois dias: na sexta-feira, Capital Inicial, e no sábado, Paralamas do Sucesso. O primeiro misturou músicas do disco novo (Saturno, 2012) com seus hits radiofônicos, as sempre presentes versões do Aborto Elétrico e ainda covers de Raimundos, Legião e White Stripes. O ponto alto do show foi não terem tocado “Natasha”, nesta que foi a primeira apresentação da banda no festival.

Já o Paralamas mereceu cada um dos presentes que se aglutinaram em frente ao palco para dançar e cantar a avalanche de hits, nada mais nada menos do que uma boa parcela de tudo o que a música brasileira já produziu de melhor em mistura de influências, composições pop e refrões pra cantar empolgado. De” Alagado”s a “Cuide Bem do Seu Amor”, passando por “Romance Ideal”, “Lourinha Bombril”, “Você” do Tim Maia, citações de Police e Led Zepellin, nenhum clássico ficou de fora. O Paralamas não joga pra perder e ainda tem um naipe de metais como um trunfo. Foi o show de comemoração pelos trinta anos – bem vividos – da banda.

Outro nome consagrado do rock nacional oitentista foi Lobão, que fechou o festival já na madrugada de sábado, apresentando a famigerada música sobre o Fora do Eixo. Para arrematar a reverência às bandas que colocaram o rock nas paradas brasileiras há duas décadas, o projeto de covers Nem Liminha Ouviu foi escalado, executando uma série de músicas de bandas mais cultuadas do que conhecidas, como Fellini, Replicantes e Inocentes. Fizeram uma boa performance e um bom resgate da memória desses nomes.

Da linha mais recente da produção nacional vieram nomes como Leela, Matanza, Selvagens à Procura da Lei, Krisiun e Devotos, todos cativando seu devido público no festival. Destes, quem despontou foi o Dead Fish, fazendo um dos melhores shows do Porão do Rock: hardcore impecável e bruto, com direito a músicas dedicadas às manifestações que aconteceram no país recentemente e o vocalista Rodrigo Lima pulando as grades do palco para se juntar à roda punk.

 

– NO PRÓXIMO TEXTO: como foram os shows dos gringos, a barulheira do palco metal e as novidades locais e nacionais que fizeram bonito

[TEXTO: Janaína Azevedo Lopes FOTOS: Flickr do Porão do Rock]

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