Bandas e artistas brasileiros prestam homenagem ao Nirvana em “A Soulful Tribute To Nirvana’s In Utero”

No ano em que completa 25 anos de lançamento, o icônico disco do Nirvana, In Utero, ganha uma belíssima e inusitada releitura feita por um time de peso do atual cenário musical nacional.

Sob a produção do inquieto Rodrigo Lemos (Lemoskine, Naked Girls & Aeroplanes e ex Banda Mais Bonita da Cidade) e seu selo Mezcla Viva Records, “A Soulful Tribute To Nirvana’s In Utero” reúne bandas e artistas como Letrux, Tuyo, Blubell, francisco, el hombre, entre outros, formando o coletivo/banda Heart-Shaped Tracks.


De acordo com Lemos, a intenção é lançar periodicamente obras que revisitam icônicos álbuns da cultura pop mundial, e o tributo ao Nirvana foi o primeiro da série.

Para explicar melhor o processo criativo do disco, Lemos preparou este faixa a faixa:

01. Serve the Servants feat. Raissa Fayet & Bananeira Brass Band

O mundo já está cheio de bons tributos de rock… E no âmbito da música digital é cada vez mais difícil reter ouvintes por um “full lenght”. Então, ter uma cantora como a Raissa abrindo o álbum foi fundamental para não deixar dúvidas de que se trataria de um remake da obra do Nirvana. Acho que ela passou lindamente essa vibe contemporânea, cool jazz, “ecos de Erykah Badu”, sem perder a energia da canção original.

02. Scentless Apprentice feat. Yuri Lemos & Igor Amatuzzi

É uma das faixas mais pesadas do “In Utero”. Creio que os fãs mais xiitas possam se ofender com a subversão aqui neste projeto. O remake conta com os vocais do Yuri Lemos – que também entrega seu groove para a banda Motriz. Dou destaque especial para a conversa dinâmica entre sax (Igor) e guitarra (Jan), que permeia a faixa toda.

03. Heart-Shaped Box feat. Lemoskine

Talvez tenha sido o ponto de partida deste projeto. Estava tocando piano quando me vieram esses acordes… Por um momento, pensei estar compondo uma música minha, mas, notando a semelhança da progressão, fui caindo no Nirvana e, de repente, estava decidido a fazer isso com as outras músicas também. Chamei a Bananeira Brass Band para adicionar balanço funk nesta e em outras versões.

04. Rape Me feat. Michele Mara

Impossível não arrepiar na presença da Michele; e ela tem esse poder de transferir o feeling para uma gravação. Acho que a versão suaviza, com irreverência, uma canção que deve ser a mais polêmica já escrita por Kurt Cobain. A base old school é uma singela homenagem a “12 bit blues”, do Kid Koala.

05. Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle feat. Juliana Strassacapa (Francisco, El Hombre) & Bananeira Brass Band

Foi um achado esta participação da Ju Strassacapa. O Guigo Berger (que assina a mix do álbum e também faz o som ao vivo da francisco, el hombre) fez a ponte; eu a convidei e ela mesma escolheu a faixa e trouxe a interpretação. Essa faz parte do núcleo de “baladas soul” que aparecerão mais adiante no repertório.

06. Dumb feat. JAN & Machete Bomb

Aqui começa uma série de três faixas mais inclinadas aos beats, 808s e samples. Madu, da Machete Bomb, colocou efeitos malucos com seu cavaco “from hell” e Jan entrou com vocais processados mais à frente.

07. Very Ape feat. Natasha Durski (The Shorts)

A Natasha é muito poderosa com sua performance. Quem a encontra longe do mic não imagina a profundidade de sua voz arrepiante que deu vida à essa base de “Very Ape”. Aqui rola uma mistura de beats e percussão latina.

08. Milk It feat. Blubell & Dopler Beatz

Sem sombra de dúvidas a faixa mais difícil de mexer. O João Taborda (aqui usando a alcunha Dopler Beatz) mandou a base do beat diretamente de seu “exílio” em Londres, e fiquei com a incumbência de encontrar o encaixe ideal para a voz. Edições aqui, cortes e colagens ali, grava synth, grava piano, joga fora, vira de ponta-cabeça… e eis que, meses depois, estávamos com uma versão trip-hop malvadão para a Blubell deitar e rolar. Adoro sua abordagem para essa letra.

09. Pennyroyal Tea feat. Tuyo & Bananeira Brass Band

Tive a sorte de cruzar o Tuyo no início do ano passado e produzir uma faixa para a banda. Lio e Lay colocam irmandade em tudo o que cantam. Aqui elas “sentaram e tomaram um Pennyroyal Tea”. Pra doer. Pra curar. Uma das minhas releituras favoritas; super spiritual.

10. Radio Friendly Unit Shifter feat. Naked Girls and Aeroplanes & Bananeira Brass Band

O que era um surf/garage rock virou um funk da pesada com os grooves da Bananeira e os vocais do Wonder Bettin e do Artur Roman, que integram junto comigo o Naked Girls and Aeroplanes. Gosto da maneira como essa faixa, apesar da alta energia, dialoga com a sonoridade das baladas soul.

11. Tourette’s feat. Isabela Caféfortesemaçúcar

Uma grande subversão… Interpretação super envolvente da estreante Isabela. Surpreendeu a todos os participantes. A faixa original, mega ruidosa, beirando o incompreensível, sempre foi uma das minhas favoritas do In Utero. Aqui os ecos são de jovens artistas do R&B internacional como Hiatus Kayote, Tom Misch e Lianne La Havas.

12. All Apologies feat. Letrux & Bananeira Brass Band

(Longo… Longo supiro)
Quando a Letícia Novaes disse “sim, mas tem que ser All Apologies”, eu caí de joelhos e fui correndo pedir ajuda para o Olaf (gênio criativo na Trombone de Frutas / fã mais absoluto de Nirvana de que tenho notícia), pra que essa base de piano elétrico estivesse bem sedimentada. Sempre quis trabalhar com ela, desde que tocamos juntos num festival, ainda em 2011. A sensação que fica é de que este final de álbum só poderia ser com ela e mais ninguém. Parece que o mundo esperou 25 anos para ouvir essa homenagem, desse jeitão assim. E, amem ou odeiem, valeu muito a pena passar por isso.

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

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