Bruce Springsteen e sua noite memorável em São Paulo

Fotos: Stephan Solon/XYZ Live

Na última quarta-feira, dia 18 de setembro, Bruce Springsteen resolveu aproveitar sua passagem pelo Brasil, para realizar um único show em São Paulo, para 6 mil pessoas, antes de embarcar para o gigantesco palco do Rock in Rio, neste sábado, dia 21, no Rio de Janeiro.

O lugar escolhido para o show, o Espaço das Américas, não colaborou muito com as expectativas da noite. Área vip ocupando ⅓ do lugar, estrutura de som que sempre deixa a desejar e filas e mais filas que acabam com a boa vontade de qualquer um. Mas parece que desta vez os organizadores do evento (XYZ Live Music) reconheceram que quem estaria ali no palco na noite seria simplesmente o “Boss” e sua formidável E Street Band, e tudo funcionou.

Com pouco mais de 10 minutos de atraso, os integrantes da E Street Band sobem no palco, tomam seus lugares, esperam Bruce Springsteen assumir o comando e já emendar uma versão de “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas, para espanto de muitos. O sorriso de orelha a orelha de Bruce e sua empolgação ao gritar “Viva, Viva” já mostrava que tudo iria dar certo, inclusive o som, que por incrível que pareça estava funcionando perfeitamente bem.

Prestes a completar 64 anos, Bruce é incansável, carismático e sabe conduzir de forma espetacular uma maratona de mais de 3 horas de show. Emendando uma música atrás da outra, o público não tem nem tempo de digerir e aplaudir a sequência de “We Take Care of Our Own”, “Badlands” e “Spirit in The Night”. Nesta última, Bruce sai correndo para o corredor que separa a área vip do público, sobe num mini-palco montado ali e simplesmente se joga no braço do público e é carregado de volta para o palco. Isso sem contar no peso absurdo que os 16 integrantes da E Street Band conseguem realizar a cada música.

O público vai ao delírio, e Bruce também. Parece se sentir em casa e, bem à vontade, começa a ler os cartazes do público, vê algumas senhorinhas no lado do palco, vai lá dar uma braço, acaricia a barriga de uma jovem grávida, sorri e responde com um sorrisão a cada cartaz que ele lê na plateia. Sim, o “chefe” estava se divertindo de verdade.

 

Um rapaz que escreveu que queria ‘ouvir “Bobby Jean’ e ganhar a palheta” após a canção, tem o pedido atendido por Bruce. Até mesmo o momento “mais calmo” do show com a seqüência “The River” e “American Skin (41 shots)” é de uma intensidade emocionante.

Aí foi a hora de “Because the Night” (parceria com Patti Smith) aparecer e deixar o público enlouquecido. Em alguns momentos era difícil ouvir a voz de Bruce, de tão alto que o público cantava.

Foto: Marcelo Costa / Scream & Yell

Na hora de “She’s the One”, mais um momento inesquecível: Bruce dá uma olhada num cartaz de um rapaz que solicitava permissão para o “Boss” deixá-lo pedir sua namorada em casamento em pleno palco. Pedido atendido, e o público mais uma vez vai ao delírio.

A partir deste momento, quem estava precisando de fôlego era o público. Já passava de duas horas de show e Bruce não dava sinais de que queria parar tão cedo de tocar. O repertório ainda reservaria mais uma hora e vinte de músicas. Quem decidiu ir embora perdeu a sequência “Born in The USA” e “Dancing in The Night” e “Tenth Avenue Freeze-Out”, que fez até mesmo os vários “tiozinhos” ali presentes se abraçarem e pularem como se não houvesse amanhã.

Já encharcado de suor e se divertindo com a chuva de cerveja e água que tentavam refrescá-lo no palco, Bruce chegava a incríveis 3 horas de show, sem parar um segundo sequer e sem demonstrar qualquer sinal de cansaço. Artista e público estava extasiados, em uma das noites mais memoráveis que São Paulo teve a honra de presenciar.

Mas ainda sobrava fôlego, e Bruce manda uma versão de “Shout”, do Isley Brothers, e “This Little Light of Mine”. Nesta altura o público já desconfiava se o “chefe” iria mesmo sair do palco e era possível ver as pessoas irem em direção a porta torcendo o pescoço para ver se algo aconteceria novamente no palco. E aconteceu, Bruce volta com seu violão a tiracolo e se despede do público com “This Hard Land”.

Uma noite memorável, inesquecível e contagiante que nem mesmo um Rock in Rio será capaz de superar.

SETLIST:

Sociedade Alternativa (Raul Seixas cover) (Live debut)
We Take Care of Our Own
Badlands
Death to My Hometown
Spirit in the Night
Darkness on the Edge of Town
Prove It All Night (’78 intro – Sign request)
No Surrender (Sign request)
Bobby Jean (Sign request)
Hungry Heart (Sign request)
The River
American Skin (41 Shots)
Because the Night (Patti Smith cover)
She’s the One
Darlington County
Working on the Highway
Shackled and Drawn
Waitin’ on a Sunny Day
The Rising
Thunder Road
Land of Hope and Dreams

BIS:
We Are Alive
Born in the U.S.A.
Born to Run
Dancing in the Dark
Tenth Avenue Freeze-Out
Shout (The Isley Brothers cover)
This Little Light of Mine

BIS 2:
This Hard Land

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

Be first to comment