Circuito Banco do Brasil coloca Stevie Wonder para emocionar plateia paulistana

A etapa paulistana da edição 2013 do festival Circuito Banco do Brasil levou aproximadamente 17 mil pessoas até o Campo de Marte para apreciar uma tarde agradável de bons shows. A primeira atração importante foi Marcelo Jeneci, que defendia seu recente segundo disco De Graça para uma plateia ainda em formação e valente por encarar um sol irradiante.

Jeneci e sua competente banda privilegiaram as canções viajandonas do segundo álbum, entregando muito pouco da elogiada estreia Feito Para Acabar. Uma escolha corajosa, diante da complexidade das novas músicas. Algumas funcionaram muito bem, como “Temporal” e “O Melhor da Vida”, mas em certos momentos o show se tornou arrastado e provocou certa impaciência de pequena parcela do público que preferiu correr atrás de uma sombra. Em um lugar menor (e mais fresco) esse formato de show teria melhor sorte.

Em seguida no palco principal Dinho Ouro Preto e seu Capital Inicial subiram no palco principal para comandar um pequeno show de horrores com toques tragicômicos. Chega a ser impressionante a falta de técnica do baterista Fê Lemos ao vivo, martelando a bateria sempre no mesmo ritmo mesmo após décadas de carreira. O lado bom é que Dinho nos poupou dos discursos políticos vazios, preferindo puxar o saco dos paulistanos entre uma música e outra.

Da mesma geração do Capital Inicial, Os Paralamas do Sucesso entraram logo em seguida para aliviar nossos ouvidos e despejar um caminhão de hits quando a noite chegava e a temperatura passava a ser mais amena. “Alagados”, “Patrulha Noturna” e “Cinema Mudo” vieram numa pancada só, mostrando como é incrível o vigor da banda mesmo depois de décadas de estrada. Um dos momentos mais bonitos da apresentação aconteceu na balada “Lanterna dos Afogados” do álbum Big Bang (1989), com Herbert caprichando no solo de guitarra. Um show que mostra que a banda ainda tem muito gás para queimar.

Pela reação do público, não havia dúvidas de que o queridinho do festival seria Jason Mraz e seu reggae/soul elaborado para vender produtos no verão. Embora tenha tocado com o jogo ganho, o americano se esforçou na comunicação com a plateia, falando várias vezes num português meio vacilante, mas que arrancava gritinhos histéricos da mesma forma. Inteligente, o cantor deixou os maiores hits, “93 Million Miles” e “I’m Yours” para o final, deixando o palco com o sentimento de dever cumprido.

O som de Jason Mraz mal tinha cessado quando o rapper Criolo assumiu as atenções no palco menor. Para quem já viu alguns shows dele, esse foi apenas mais um na conta. Com apenas um disco nas costas, o rapper potencializa e gasta com prazer suas poucas músicas. Ainda assim, “Grajauex”, a lamentosa “Não Existe Amor em SP” e “Sucrilhos” continuam com força suficiente para aguentar a bronca de uma apresentação.

Enquanto Criolo terminava seu show, o mestre Stevie Wonder começou a tocar pontualmente às 21h50 o cover de “How Sweet It Is (To Be Loved by You) de Marvin Gaye, música que vem abrindo seus shows na última turnê. Os sons dos dois palcos misturavam-se, sendo mais perceptível e prejudicial para quem estava posicionado no lado esquerdo do palco de Stevie. Quando o problema cessou, foi possível apreciar o gogó privilegiado de um dos maiores artistas vivos da atualidade.

A primeira impressão quando se ouve Stevie ao vivo é de espanto total com a clareza e boa forma de sua voz. Depois de décadas de atuação na indústria do entretenimento tudo soa perfeito e o homem não economiza, manda sem dó várias estrelas de seu repertório.

“As If You Read My Mind” numa interpretação vulcânica emendada em “Higher Ground”; Michael Jackson sendo homenageado com “The Way You Make Me Feel”, música que Stevie tomou para si depois da morte do amigo; chegando então num clássico absoluto de seus anos dourado, “Living for the City”. O show de Stevie é feito para os fãs saírem da experiência claramente emocionados. Afinal, não é qualquer artista que tem uma “Superstition” para mandar todo mundo embora com um sorrisão de lado a lado no rosto.

No final das contas, o Circuito Banco do Brasil mostrou-se bem organizado na parte estrutural, principalmente pela localização e horários que permitia o público optar pelo metrô, tendo apenas falhas pontuais como uma banda decrépita como o Capital Inicial entre as atrações e o som embolado entre o show de Criolo e Stevie Wonder.

[TEXTO: Leonardo Dias Pereira FOTOS: Equipe Circuito Banco do Brasil]

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