Com escalação enxuta, Festival Casarão mantém relevância em sua 14ª edição

Entre os dias 23 e 25 de maio, Porto Velho (RO) foi mais uma vez palco do Festival Casarão, que reuniu 18 bandas de diferentes estados do Brasil, representando bem a atual cena da região e mantendo sua relevância como um dos maiores festivais do norte do país.

Se comparado com o ano passado, o Casarão 2013 teve uma programação mais enxuta e com predominância de artistas da região norte, vindos do interior do estado e do vizinho Amazonas.

Como já é de costume, o Casarão aposta sempre em uma escalação com headliners, que neste ano foram os grandes Matanza (RJ) e Nasi (SP); e a emergente Cassino Supernova (DF).

Confira os destaques de cada um dos três dias de festival.

Quinta-feira, 23 de maio

No primeiro dia, artistas com pegada mais pesada aqueceram o público de cerca de 600 pessoas que lotou o Pioneiros Pub para ver o Matanza.

Nomes como Leave Me Out (MG) e Maria Melamanda (RO) deram conta de colocar os presentes pra bater cabeça e cantar muito (como no caso dos veteranos da cena local, Maria Melamanda).

Destoando desse clima de rock pesado estavam Os Últimos, trio de indie-pop vindo de Ariquemes, interior do estado, que não se deixou intimidar pelos fãs de Matanza, fazendo um dos melhores shows da noite.

Por volta da 1h, após meia hora de espera para montagem de palco, o Matanza reencontrou seus fãs de Porto Velho, que se espremiam na beira do palco para tentar chegar perto de Jimmy. Até uma garrafa de Jack Daniels foi entregue ao vocalista, pra se ter ideia do clima de festa e adoração que estava rolando por lá.

Aliás, Jimmy fez questão de reconhecer a dedicação de seus seguidores do norte do país, parando para contemplar a massa e dizer por seguidas vezes: “Puta que pariu, Porto Velho”.

Sexta-feira, 24 de maio

O segundo dia teve um público menor, pouco mais de 300 pessoas, mas reuniu alguns dos melhores nomes da nova cena de Rondônia: o indie “loshermânico” da Sub Pop (Vilhena); e os queridinhos de Porto Velho, Versalle, que tocou apenas quatro músicas e acabou saindo revoltado do palco, para dar lugar a estrela da noite, Nasi.

Apesar de trazer na formação os estados da Bahia e Rio de Janeiro, o Dimazz Trio (BA/RJ) era praticamente um grupo forasteiro de alma rondonense, já que o vocalista que empresta seu nome ao trio é da terra e irmão de outro herói local, Breno, da Maria Melamanda.

E isso acabou pesando a favor, já que Dimazz não escondia a felicidade de estar tocando em sua cidade natal, se empenhando ao dobro no palco do Casarão, colocando todo mundo pra dançar ao som de sua mistura de brasilidades e indie rock, com direito a marchinha de Carnaval psicodélica.

De Manaus, o Mezatrio levou a força de suas três guitarras ao Pioneiros Pub, apresentação que já contou com o recém-lançado single do grupo, “Qualquer Um”. Uma bela preparação para o segundo semestre, que promete ser agitado com o lançamento do aguardado segundo disco de Paulo Lins (vocal e guitarra) e cia.

Fechando a noite, Nasi mostrou que ainda tem fôlego de sobra, apesar dos cabelos brancos e quilos a mais. O ex-vocalista do Ira! fez um apanhado de sua carreira solo, com versões bastante particulares de clássicos como “Música Urbana”, do Legião Urbana; “As Minas do Rei Salomão”, de Raul Seixas; e “O Tempo Não Para”, de Cazuza.

Apesar de animado, o público queria mesmo era escutar os clássicos do Ira!, sendo agraciados com hits como “Envelheço Na Cidade”, “Eu Quero Sempre Mais” e “O Girassol”, que fechou a apresentação.

Sábado, 25 de maio

Mantendo a tradição, o último dia de Casarão foi ao ar livre, em frente ao Mercado Cultural, no centro de Porto Velho, dando espaço principalmente para bandas locais de hard core e metal.

E o melhor representante local do estilo, com um dos shows mais divertidos e esperados do festival, é o grupo Coveiros (RO), que lotou a frente do palco montado próximo ao Palácio do Governo de Rondônia.

O carisma do vocalista Giovanni Marini (professor, mestre e geógrafo) é impressionante, sempre com o público na mão e sendo acompanhado de perto pela molecada metaleira de Porto Velho.

Beradelia e Kali os Kalhordas, ambas de Porto Velho, levaram um pouco de música regional e mpb ao palco do Casarão. A primeira, fez questão de prestigiar artistas locais mais velhos e falar da vida dos beradeiros em seu discurso embalado por uma sonoridade que lembra muito a Nação Zumbi.

A segunda atração, liderada pela voz doce de Kali, acabou sendo prejudicada por problemas no som em quase toda sua apresentação, principalmente no vocal delicado de Kali, que acabou sumindo com as dificuldades de regulagem do palco. Show que talvez funcionasse melhor em um local fechado.

E a missão de fechar mais uma edição do Festival Casarão ficou para o quinteto de Brasília, Cassino Supernova, que já havia se apresentado no ano anterior e voltou maior, com um público apaixonado (formado principalmente por jovens garotas) cantando tudo.

O show foi calcado no álbum de estreia, Na Estrada, e o grupo deu conta do título de headliner este ano. Destaque para a performance retardada do vocalista Gorfo, que chegou a escalar uma das laterais do palco.

[TEXTO e FOTOS Bruno Dias]

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