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Festival Calango 2006 - Cultura ligada em rede
por BRUNO
DIAS e MARIÂNGELA
CARVALHO |
Cuiabá, devidamente
apelidada de Hell City, celebrou mais três dias de rock em
seu calendário, com alegria, entusiasmo e uma interação digna de comentários
por todos os presentes e prestigiado pelo público local, que pôde
assistir a mais de 40 bandas de inúmeros estados brasileiros na quarta
edição do Festival Calango de Artes Intregradas.
Desmistificando o calorão que faz por lá, a cidade recebeu seus convidados
com um clima ameno, mas o festival deu conta de aquecer a temperatura.
Primando pela organização e produção bem estruturada - mas nem por
isso sem falhas - o Festival Calango foi exemplo de bom trabalho,
cronograma seguido à risca e uma produção que não parou um segundo
para que tudo corresse da melhor maneira possível. Com alguns imprevistos
e todos sendo solucionados prontamente, a equipe organizadora conseguiu
preparar e fazer um evento que, definitivamente, foi um marco.
Muito além de um festival de música, a qualidade "Artes Integradas"
do evento se deu pelas palestras organizadas no MISC, localizado no
centro da cidade - muito bonito, diga-se. O Calango na Mesa
suscitou questões importantes quanto à disseminação e distribuição
da cultura alternativa por todo o território nacional, além de ter
abrigado reuniões do Circuito Fora do Eixo onde produtores,
bandas, jornalistas, representantes de selos, gravadoras, revistas,
TV e rádio se encontraram para uma conversa e para a pré-estruturação
de um plano de ação que discutirá a implementação das artes e sua
distribuição pelo país inteiro.
Confira como foram os três dias de shows realizados no estacionamento
da UNIC na bem estruturada arena do Festival Calango 2006.
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Bem-vindos à Hell City
por BRUNO
DIAS e MARIÂNGELA
CARVALHO |
(ESPECIAL
EM CUIABÁ/MT) Artes integradas e a iniciativa de ligar em uma grande
rede a produção cultural brasileira. Essa foi a forma encontrada pela
Espaço Cubo para realizar em Cuiabá (MT) a quarta edição do Festival
Calango 2006. Com uma temperatura atípica para o clima da cidade -
carinhosamente chamada de Hell City devido a suas temperaturas
escaldantes - a noite de sexta-feira começou fria: pouco público e
com um atraso de duas horas, apesar do cancelamento de três shows.
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Quem abriu o festival foi o trio sergipano, radicado em São
Paulo, Rockassetes. Dividindo o show entre as músicas
do primeiro EP com o recente single "As Flechas", lançado
pelo Senhor F Discos, João Melo (baixo) e os irmãos Léo (bateria)
e Bruno Mattos (guitarra/vocal) mostraram um rock que alternava
entre rocks-pra-dançar-sessentistas e baladas também
com um pé da década dos Beatles. "As Flechas", "Sogra boa é
aquela com a boca de aranha" e "A garota do tênis vermelho"
foram os pontos altos da apresentação.
Com exceção dos já citados Rockassetes e da banda Enne
(MG), a noite foi dedicada a grupos adeptos do peso, baterias
carregadas e muitos esporros no palco. Os goianos do Sangue
Seco (GO) proporcionaram a primeira roda punk da noite.
Em seguida mais peso com Sinestesia (TO). A noite começou
a esquentar de fato com o show dos caseiros Chilli Mostarda.
A partir daí, o Calango começou a adquirir clima de festival
mesmo, com mais público presente e olhos e ouvidos atentos ao
palco. Seguindo uma linha mais pesada, marca da primeira noite,
os Coveiros (RO) subiram ao palco para mais uma apresentação
de rock extremo, nesse caso hard-core, suficiente para
inflamar a platéia em mais uma roda de quebradeira.
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Sammliz (Madame Saatan) - "vozerão" a serviço do
metal! |
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Os mineiros
do Enne mostraram suas guitarras pesadas - cinco ao mesmo tempo
- combinadas a um som mais melódico com certas influências grunge.
Tocaram por volta das 23h quando o estacionamento da UNIC já recebia
um bom número de espectadores. E foi um público estarrecido que pode
conferir Johnny suxxx ´n the Fucking boys (GO). Os goianos
que já passaram por Cuiabá antes (no Grito Rock também deste ano)
parecem ter deixado alguns fãs em Hell City que estavam doidos
por uma próxima apresentação da banda. Com influências glam (rolou
até um cover de "Twenty Century Boy" do T-Rex em parceria com Daniel
Belleza) e principalmente de Iggy Pop and The Stooges - Johnny possui
os mesmo tremeliques e poses sexuais de Iggy - eles conseguiram esquentar
de vez a fria noite (para os padrões cuiabanos). E foi justamente
o vocalista Johnny (ou João ou até mesmo Joana, como é "carinhosamente"
chamado pelos amigos) usando um shortinho bem estilo Axl Rose e rebolando
como uma Carla Perez da vida que roubou a cena da noite.
A seguir, Zagaia, também de Mato Grosso, se apresentou contanto
com o apoio dos presentes para fazer um dos shows mais cantados e
interativos do festival. Em seqüência o surf-music dos paulistas
do The Dead Rocks colocou a platéia para dançar. Foi tanta
empolgação que até solo de guitarra com corda estourada rolou durante
o show dos caras. Vestidos em ternos pretos e gravatas coloridas,
The Dead Rocks entram para o escalão das melhores bandas de
surf-music no Brasil, ao lado do Gasolines e Retrofoguetes.
Às 0h30 sobe ao palco os paraenses do Madame Saatan. Liderados
pela bela e carismática Sammliz, mostraram que pra fazer rock pesado
não são necessários gritos guturais - Sammliz possui uma bela voz,
de dar inveja a qualquer Ivete Sangalo e afins - e letras em inglês
para ninguém entender. A princípio, o público se mostrou apático e
displicente, mas essas qualidades também podem ser confundidas com
hipnose. Sammliz é a melhor show-woman que deve existir no
cenário independente. Durante o show a vocalista mostrou uma evolução
de sua performance de palco, confirmada por ela mesma momentos após
o show. Com uma das apresentações mais redondas do cenário, a banda
- que também conta com Ícaro Suzuki (baixo), Ivan Vanzar (bateria)
e Edinho Guerreiro (guitarra) - se prepara para gravar um disco completo.
Ainda bem que o pessoal do Madame Saatan não se intimidou com
as 56 horas de viagem de Belém (PA) à Cuiabá e fizeram valer cada
quilômetro rodado - melhor show do primeiro dia!
Para fechar a noite três bandas mantiveram o peso, cada uma em seu
estilo. Os Borderlinerz (SP), banda paulistana com já alguns
anos de estrada e que agora conta com Jeff Molina na bateria (um dos
Corações em Fúria da trupe de Daniel Belleza), mostraram seu punk
rock clássico. E justamente no show dos paulistanos ocorreu o excesso
de controle da produção do Calango. Faltando menos de um minuto para
o final da última música, os responsáveis pelo palco cortaram o som
da banda. O que desagradou os integrantes, principalmente ao verem
que os "pratas da casa" do Fuzzly fizeram um show quase interminável
- que ultrapassou facilmente os 40 minutos - de puro stoner-rock.
Para esse show, os caras do Fuzzly, tiveram a volta de Daniel
Típico em sua formação, ele havia deixado a banda tempos atrás e retornou
especialmente para esta apresentação, onde quase transcenderam o peso.
Quase porque têm potencial para fazer muito mais do que fizeram na
apresentação e também porque pareciam distantes e pouco confiáveis
em seu próprio trabalho. Bom para o público que recebeu doses cavalares
de rock sujo.
Para fechar a noite - ou mandar embora todos de uma vez - subiram
ao palco os paranaenses do Subtera. Adeptos do grind-core,
os caras tocaram para poucas pessoas remanescentes na arena do festival.
O mais impressionante no show foi a velocidade do baterista Waldner,
que espancou seu instrumento. Difícil foi dormir depois de tanto barulho
em pouco mais de meia hora.
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Cuiabá nunca mais será a mesma
por BRUNO
DIAS e MARIÂNGELA
CARVALHO |
(ESPECIAL EM
CUIABÁ/MT) - ) Já para a segunda noite, o mais esperado era
a sucessão de bandas boas, conhecidas e já de certo renome na cena
independente. O evento foi iniciado pela apresentação de duas bandas
escolhidas durante as prévias do festival, seguido por Regra Zero
(RJ), The Bonnie Situation (SP), formado por integrantes do
Ludovic, Asthenia (MT), Mezatrio (AM) e The
Melt (MT).
Por volta das 21h30, a arena do Calango virou literalmente o clube
quente dos Sapatos Bicolores de Brasília. O visual retrô do
grupo com direito a topete-brilhantina, sapatos lustrosos e os poderosos
olhos verdes do vocalista André Vasquez, arrancaram gritinhos femininos
vindos das garotas do local. Músicas como "Garota cor de fogo", "A
cobrar" e até uma inédita, botaram fogo nos pés dos presentes que
não pararam de dançar até o final do show. Uma apresentação com grande
dispêndio de energia e que conseguiu esquentar ainda mais a melhor
noite do festival.
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Os brasilienses deram início à seqüência matadora de bandas
durante a melhor das três noites do Calango 2006. Porcas
Borboletas (MG), numa apresentação redonda e com participação
de Hélio Flanders e Daniel Belleza, ensandeceu e encorpou o
espírito rock que pairava no ar. Já os Los Porongas,
fizeram uma apresentação exata no que se refere à inexistência
do estado do Acre: ele existe e não é mentira. E, musicalmente
falando, eles são a maior confirmação disso. O show deles funciona
mesmo ao vivo e leva a sinceridade dos MP3 ao palco, principalmente
com a mais conhecida "Lego de Palavras" - cantada por alguns
poucos fãs que se colocaram em frente ao palco. Fiquem esperto
no som dos caras, eles estão prestes a lançar um disco pelo
Senhor F Discos de Brasília.
O Revoltz, que tem sua formação distribuída por São Paulo,
Porto Alegre e a própria Cuiabá, foi assistida de perto e com
empolgação. Os hits chicletudos do vocalista, baixista e letrista
Ricardo Kudla bateram de frente com o espírito jovem e destemido
do público. Tocando quase na íntegra as músicas do primeiro
EP, A Chinesa, os cuiabanos (sim, porque eles se referem
a si próprios como uma banda cuiabana) parecem ser um dos preferidos
da cena local e foram ovacionados, além de terem sido acompanhados
em coro em canções como "Arnoldileine", "Mr. White", "Você Não Vai Me Conquistar" e a mais pegajosa de todas: "O
Capítulo que Ela Encontra o Monstro".
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Hélio Flanders (Vanguart) esboça um sorriso diante
de seus súditos |
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Em seguida
vieram Pelebroi Não sei (PR), Macaco Bong (MT) e Ludovic
(SP). Os paranaenses são autênticos representantes do punk rock inventado
por Joey Ramone e companhia. A apresentação ganha destaque por conta
da irreverência e insanidade do vocalista Oneide. Ele pula, canta,
esperneia e até chegou a implorar por perdão em cima do palco - ingredientes
perfeitos para interação com o público que correspondeu à altura.
Macaco Bong, consagrado em sua terra natal, teve uma apresentação
impecável, adornada por um som bem construído e se desvencilhando
das previsibilidades que eram de se esperar de uma apresentação em
casa. O público pôde apreciar o bom show do quinteto paulistano -
Ludovic. As letras viscerais, a catarse prolixa das músicas
e a entrega total de seus integrantes ao momento, fizeram bonito nas
terras cuiabanas. Jair Naves, dono de uma serenidade incrível e de
opiniões contundentes deixou muitos dos presentes boquiabertos. O
show é uma ebulição de sentimentos - culpa, arrependimento, raiva,
desolação e introspecção. As letras pesadas e soturnas têm arranjos
de mesmo nível, arquitetados e construídos pelas mãos de Zeek Underwood,
Fabio Sant'Anna, Júlio Santos e Eduardo Praça. Se o pessoal de lá
já gostava, depois desta apresentação o jogo já está ganho.
Eis que o melhor show da noite começa, os donos da casa, Vanguart,
liderados pelo vocalista e letrista Hélio Flanders - uma espécie de
Bob Dylan misturado com Tim Buckley. O mais impressionante foi vê-los
reinando absoluto em casa, com amigos, conhecidos, família e etc.
Assistir a um show do Vangs é sempre um espetáculo, principalmente
se for em Cuiabá, onde a apresentação se transforma em um verdadeiro
culto aos músicos. Logo de cara eles mandaram "Hey Yo Silver". Também
estiveram presentes no set da banda os já clássicos "Cachaça" (com
clipe indicado ao VMB 2006), "Semáforo", "Rainy day song" e para finalizar
- "Last Express Blues", o mais conhecido e adorado trem expresso musical
levou à loucura total os espectadores da noite, que cantaram em uníssono
todas as músicas.
Apesar da noite ter acabado para muitas pessoas - uma pena não terem
escalado o Vanguart para fechar o dia - ainda restava mais
um show - Astronautas (PE). Mesmo com um disco novo pronto,
em fase final de produção, o show dos pernambucanos vestidos de macacões
vermelhos, máscaras e efeitos cibernéticos foi composto por músicas
do último disco, Cidade Cinza. André Frank chegou a discursar
sobre o voto consciente e cenário independente entre os hits "Cidade
Cinza", "Não faço nada" e reservou uma surpresa aos presentes - uma
versão de "The Model" do Kraftwerk.
O que se viu no sábado não foi apenas o sucesso daquela noite ou do
festival, mas o de uma cena musical (que muitas vezes leva indevidas
aspas) que, não fosse a extensa territorialidade do Brasil, já teria
se estendido por todo o país com força e pela competência de vários.
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Valeu a pena Cuiabá!
por BRUNO
DIAS e MARIÂNGELA
CARVALHO |
(ESPECIAL EM
CUIABÁ/MT) - Assim como nos outros dias, a terceira noite do festival
teve sua abertura com bandas escolhidas durante as Prévias Calango.
Na seqüência, Unknown Project (SP) tocou para um público pequeno,
mesmo assim conseguiram atrair a atenção dos poucos presentes com
um som etéreo, espacial, destilando influências de Frank Zappa, At
The Drive In e Mars Volta.
A próxima, uma das mais surpreendentes apresentações do festival,
foi da dupla playmobil-punk (rótulo perfeito para eles) Lucy and
The Popsonics. Eles mostraram o electro (?) punk (?) rock and
roll (?) feito nas terras do Planalto Central. Com influências declaradas
da dupla The Kills, Fernanda (baixo) e Pil Popsonic (guitarra) sabem
ao que vieram: diversão. Um show divertido, cheio dos barulhinhos
sintetizados e programados - detalhe que a Lucy levada para o Calango
era nada mais que um mp3 player - um baixo bem pontuado e uma guitarra
bem barulhenta. Sem contar os vocais doces-raivosos da Fernanda e
os backing contrastantes de Pil. O show também teve direito à gemidos,
gritos, dança sincronizada e uma versão incrível para "Rockaway Beach",
dos Ramones - que virou uma incrível faixa do mais puro electro-rock.
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Não fosse pela não-ida de Marco Butcher (Thee Butcher's Orchestra),
o próximo show seria do próprio, encarnando seu alter-ego blues
The Uncle Butcher. Fica para a próxima uma apresentação
do cara - se ele aparecer. Brinde (BA) - autênticos representantes
do brit-pop brasileiro (sic) - e Dragsters (MT).
Essa última apresentou guitarras bem sujas, no melhor estilo
grunge saído de Seattle.
O último dia de Calango realmente provou ser o dia da diversidade
musical, o show do Trilobita, de Londrina (PR), é a prova
disso. Eles levaram à Cuiabá seu space-rock com influências
de Man or Astro-man? e, principalmente, Trans Am (eles chegaram
a dizer que o show dos norte-americanos na cidade de Maringá
(PR) em 2001 foi determinante para o som da banda). O grupo
era formado por uma trinca baixo/bateria/guitarra e um laptop
ligado em uma espécie de theremim vibrando pelas mãos de Dino,
responsável também pelas bases programadas. Talvez o show deles
funcione melhor em um lugar fechado, mas nem por isso deixaram
de fazer uma das mais interessantes apresentações do festival.
Detalhe, eles estão com um cd demo pronto em busca de um selo
para lançar. A dica está dada.
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| Superguidis:
Por que, cargas d´água, eles são tão bons?! |
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De estilo completamente
diferente, era a vez das garotas do Lazy Moon, também banda
local, subir ao palco e destilar suas influências college-rock-pop-pirulito-indie-guitar.
Elas têm potencial e a julgar pelas influências podem chegar longe,
mas o som ainda é cru, chegando a desafinar em alguns momentos, e
precisa dar mais uma encorpada. Grupo perfeito para se juntar ao escalão
de outras bandas com "riot girls" como o Drosóphila e, quem sabe,
chegar a ser as Donnas brasileiras. Já o Monno (MG), com influências
do rock 00, fez uma apresentação intensa, com seus integrantes realmente
sentindo na pele a interpretação de suas músicas que beiravam o emo-core.
Com 23 anos de estrada e um show envolvente, o Caximir (MT)
conseguiu entreter de forma psicodélica. Com direito a muitas cores,
jogo de luz, influências regionais e até um guarda-sol multicolorido,
o septeto agradou, misturando música, teatro e contra-cultura. O público
local por já conhecer a banda de outros "carnavais" empolgou-se com
show que começou intenso e foi diminuindo gradativamente o ritmo.
Exageros a parte, conseguiram cumprir seu papel que era entreter a
galera. Na mesma linha regional auto-referencial, foi a vez do La
Pupuña (PA) subir ao palco. Vestidos de camisas floridas, mostraram
aos cuiabanos a tradicional guitarrada - marca registrada do
regionalismo do Pará - combinada à levada surf-music. Mistura
que os torna uma das bandas mais criativas da atual cena brasileira.
O que se viu foi o show mais dançante e dançado do Calango. Verdadeiras
rodas se abriram no público, cada um dançando da maneira que melhor
lhes convinha no momento.
Já os gaúchos, Superguidis, mostraram para o público em Cuiabá
porque são considerados a melhor banda nacional da atualidade. Fizeram
um show na medida exata, e um tanto corrido para tocar em pouco mais
de 30 minutos o maior número de músicas possíveis de seu primeiro
(e excelente) disco lançado pelo Senhor F Discos. Abriram com "Malevolosidade"
e em seguida despejaram uma sucessão de hits - "Discos Arranhados",
"Espiral arco-íris", "O banana" (dedicada aos "chinelões do Graforréia
Xilarmônica") e fecharam com "Riffs" - música que estará presente
no segundo disco dos garotos previsto para janeiro de 2007. O quarteto
gaúcho tem pinta de loser, mas somente na opinião dos próprios.
No palco, eles são guitar heroes em potencial e fora são jovens
como tantos por aí, felizes com a possibilidade de fazer o que gostam
(desnecessário dizer): música.
A penúltima apresentação do festival foi do Lord Crossroad
(MT) seguida pela bem humorada Graforréria Xilarmônica. Durante
a apresentação, os conterrâneos do Superguidis se divertiam
com as ótimas sacadas presentes nas letras do grupo. Autênticos representantes
do rock gaúcho, o trio liderado por Frank Jorge, se encarregou de
fechar as festividades de três dias e mandar todos felizes da vida
de volta para casa. A noite da diversidade também trouxe a certeza
de que a cena independente nacional de hoje já é uma realidade que
funciona. Valeu Cuiabá!
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