O Rio Wolf e o Peixe Grande (ou Um bom amigo)
por PAULO TERRON
Têm assuntos que eu não consigo evitar. Um deles é o Jeff Buckley, um cantor americano do começo dos anos 90. O que isso tem a ver com vídeo? Bom, como fã dedicado, eu fiquei babando ao saber a BBC 2 ia passar um documentário inédito sobre ele, em 2003.

Apesar de não ser extremamente conhecido, o Buckley tem admiradores dedicados. Não demorou muito e o especial, chamado "Everybody Here Wants You", foi parar na internet. A minha cópia eu achei no WinMX, mas tenho certeza que deve haver outras dezenas.

O programa, de pouco mais de uma hora, mostra como estilo único do músico conseguiu se encaixar em uma época que via "a morte do grunge e o nascimento do britpop". Desde os grupos de heavy metal dos quais ele fez parte (uma fase pouco conhecida da carreira dele) até a morte por afogamento no rio Wolf (em uma bela cena que sobrepõe depoimentos de todos entrevistados em uma grande e emocionante bagunça sonora).

Alguns dos meus momentos preferidos foram: o assessor de imprensa de Tim Buckley, pai de Jeff, dizendo ter achado que o antigo amigo estava em frente dele quando viu o filho pela primeira vez; Jimmy Page, famoso por seu envolvimento com magia, chamando o músico de "mago";
a mãe, Mary Guibert, dizendo que a voz do cantor era uma mistura das de Robert Plant e Nusrat Fateh Ali Khan.

Ainda há depoimentos de Brad Pitt, Patti Smith, Chrissie Hynde e vários outros. Dá para entender bem como as incertezas do disco "Grace" - o único lançado em vida por Buckley - influenciaram na morte dele (ao som de "Whole lotta love", do Led Zeppelin). O documentário da BBC é repleto de detalhes deliciosos, que fazem a diferença. Depois de vê-lo, se prepare para o desejo imbatível de correr para a Amazon mais próxima e encomendar o DVD "Live in Chicago" e o CD duplo "Live at Sin-É" (que tem um DVD bônus). Ao final, perguntado sobre como gostaria de ser lembrado, Jeff solta: "Como um bom amigo". Tarefa cumprida.
Ilustração sobre fotos de divulgação:
Cirilo Dias
Finalmente!

Apesar de me considerar um admirador do diretor Tim Burton ("Batman", "Marte Ataca!"), sempre achei que ele prometia muito e sempre nos deixava no "quase". Saí do cinema exatamente com essa sensação depois de ver "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça". Faltava alguma coisa...

Em "Peixe Grande", que estréia sexta-feira (6) no Brasil, ele achou. A mistura de drama familiar com conto de fadas caiu muito bem para o estilo fantástico de Burton. Não houve excessos visuais nem falta de roteiro, como anteriormente. Na mosca!

Albert Finney interpreta a "versão velha" do personagem de Ewan McGregor, um contator de histórias que se recusa a viver no mundo real. Billy Crudup (de "Quase Famosos") é o filho, inconformado com o fato de o pai viver em uma ilusão. Além de tudo, o cast ainda manda muito bem! Isso é mais do que talento - é talento aliado a sorte, o que é bem mais raro.

Já vi "Peixe Grande" (que por aqui recebeu um complemento no nome: "E Suas Histórias Maravilhosas") duas vezes e pretendo ver pelo menos mais uma. Preciso dizer mais alguma coisa?