Converse Rubber Tracks Live acerta na escalação mas faz público perder a paciência

De 30 de julho a 3 de agosto rolou em São Paulo o Converse Rubber Tracks Live, festival com quatro artistas por dia – entre nacionais e internacionais -, todos com entradas disputadas e gratuitas.

A preocupação em deixar artistas do mesmo estilo em cada noite foi um dos acertos do festival, mas sua distribuição de ingressos, não limitando entradas de acordo com capacidade do local, causou muitos transtornos e reclamações do público, já que muita gente esperou na fila, com entrada na mão, e não conseguiu entrar.

Em noites como a de sexta (1/8), que teve Chet Faker e Busta Rhymes como headliners, o público teve que esperar mais de 3 horas para (tentar) entrar no Cine Jóia, onde cabem 1.200 pessoas.

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Fãs de nomes como Chromeo, Dinosaur Jr. e o já citado Busta Rhymes tiveram que ter muita disposição, mas principalmente paciência, para conseguir ver seus ídolos de perto sem gastar um tostão.

O Urbanaque esteve presente em três dos cinco dias do Converse Rubber Tracks Live, abaixo vão algumas impressões sobre os shows que assistimos:

Chromeo – quarta-feira (30/7)

Principal atração da noite de abertura do Converse Rubber Tracks, a dupla canadense Chromeo fez valer a espera, subindo ao palco depois da 1h da madrugada de quarta para quinta-feira.

Após uma pequena introdução, P-Thugg (Patrick Gemayel) e Dave 1 (David Macklovitch) não economizaram energia e foram disparando alguns de seus principais hits – Night By Night, Hot Mess e Tenderoni -, logo nos primeiros minutos de show.

Empolgados por se apresentar novamente no Brasil, o duo interagiu bastante com o público, que aguentou firme pra poder dançar muito ao som de músicas como Sexy Socialite, Jealous (I Ain’t with It) e Frequent Flyer.

Don L – sexta-feira (1/8)

O rapper cearense Don L, uma das revelações do novo rap nacional, apresentou suas rimas embalado por bases pesadas destiladas pela DJ Typá.

Don L conseguiu fazer uma ótima apresentação, esquentando o público para o grande astro da noite, Busta Rhymes. Ele apresentou canções de sua mixtape Caro Vapor / Vida e Veneno de Don L.

A apresentação teve seus pontos altos em faixas como Morra Bem, Viva Rápido e Caro Vapor, e contou ainda com a participação do rapper Terra Preta, que dividiu o microfone com Don L durante o show.

Chet Faker – sexta-feira (1/8)

Em sua primeira interação com o público Chet Faker já fez questão de avisar: sua bagagem, com todo seu equipamento, havia extraviado na viagem.

Talvez isso explique a curta apresentação, de oito músicas e pouco menos de 40 minutos. Apesar do som ruim e de todos esses problemas, ele conseguiu levantar os presentes com músicas como I’m Into You, No Diggity e 1998.

Sozinho no palco, mas fazendo barulho suficiente para preencher o ambiente como se fosse uma banda, Chet Faker fez também uma versão para Archangel, do Burial, faixa que abriu seu show; e encerrou a noite consagrado, com todo mundo cantando juntinho o hit Talk is Cheap.

Busta Rhymes – sexta-feira (1/8)

A ansiedade e expectativa para ver de perto Busta Rhymes começou assim que o palco de Chet Faker foi desmontado. O rapper demorou bastante para começar seu show, além de mais de 30 minutos de montagem/desmontagem/discotecagem, o público teve que esperar outros 15 minutos para Rhymes aparecer no palco, ouvindo os gritos de “make some noise, São Paulo”, de seu DJ.

Não faltaram hits como Make It Clap e I Kown What You Want, mas o que marcou a noite dedicada ao rap do Converse Rubber Tracks Live foi um incidente bizarro, que acabou ferindo a DJ Typá (que acompanhada Don L) e um cliente da casa.

Durante o show de Busta Rhymes, um rapaz exagerou na dose (da empolgação e do álcool), resolveu escalar e andar por uma parte do forro, fazendo algumas placas de gesso caírem nas pessoas que estavam no mezanino do Cine Jóia.

Ele chegou a ficar pendurado no teto, chamando a atenção até do rapper Busta Rhymes, que apontou e improvisou uma música em homenagem ao maluco, repetindo: “OH SHIT! THERE’S A GUY ON THE ROOF!”.

Typá quebrou o nariz e teve algumas escoriações. Já o outro ferido foi levado para a Santa Casa de Misericórdia.

F*cked Up – sábado (2/8)

Um nome resume o show do F*cked Up: Damian Abraham. O vocalista do grupo, que ajudou a elevar os ânimos e o volume do Cine Jóia, praticamente não ficou no palco durante toda a apresentação.

Ele se jogou na galera logo na primeira música, Queen of Hearts, e por lá ficou, alternando os lados do Jóia e chegando até a explorar o balcão ao fundo da casa, próximo aos caixas e banquinha de merchan.

As três guitarras do F*ched Up combinadas às marretadas da bateria e ao vocal gritado de Damian conquistaram o público, em sua maioria esperando pelos veteranos do Dinosaur Jr., embalando canções como Black Albino Bones, Police e The Other Shoe.

Até Damian declarou seu amor aos “dinossauros”, contando a primeira vez que foi a um show deles e fez contato visual com J. Mascis, que por sinal estava no cantinho do palco assistindo ao F*ucked Up.

Dinosaur Jr. – sábado (2/8)

Barulho, muito barulho, foi o que fez o Dinosaur Jr. no Converse Rubber Tracks Live. Com dez amplificadores ligados no volume máximo, J. Mascis, Lou Barlow e Murph fizeram a alegria dos presentes (em sua maioria garotos de vinte e poucos anos) com um show sem firulas, interações ou qualquer interferência.

Começando com Bulbs of Passion, a banda foi soltando um clássico atrás do outro como Out There, Start Chopin, Feel The Pain e Freak Scene.

Quem assistia ao show da grade tinha que ter certeza de não sofrer de labirintite ou algo do tipo, pois o som estava tão alto, que poderia fazer alguém perder o equilíbrio e desmaiar. Sem brincadeira.

Just Like Heaven, do The Cure, abriu o bis, que teve ainda participação de Damian Abraham para elevar (como se fosse preciso) o barulho da já barulhenta Chunks, que fechou a noite de sábado, mandando todo mundo embora com o ouvido zunindo e praticamente surdo.

[TEXTO Bruno Dias FOTOS Luisa Migueres]

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