Courtney Barnett no Popload Gig em São Paulo

Todo ano alguém sempre vem com a eterna discussão sobre o fato do rock estar ou não morto. Claro que se formos nos basear em nomes como Greta Van Fleet, o gênero musical favorito do capeta não só está morto como virou um zumbi do Led Zeppelin, mas é aí que está o erro. O rock está vivíssimo e a prova disso vem das guitarras empunhadas por mulheres como St. Vincent, Angel Olsen, Sharon Van Etten, Lucy Dacus, Mitski e Courtney Barnett, que no dia 21 de fevereiro fez um show sold out no Fabrique Club, em São Paulo, em mais uma noite de Popload Gig.

Courtney abriu a temporada de shows da Popload trazendo ao Brasil a turnê de seu segundo álbum de estúdio, “Tell Me How You Really Feel” (2018). Ela já havia se apresentado por aqui em 2016, quando encerrava a tour de “Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit” (2015), seu elogiado disco de estreia.

“Hopefulessness” e “City Looks Pretty”, canções que abrem “Tell Me How You Really Fell”, também serviram pra começar o show na capital paulista, entregando como seria a noite, que teve um público dedicado cantando tudo, quase cobrindo a voz rouca de Courtney, que retribuiu rapidamente o carinho: “Vocês são a melhor plateia do mundo!”.

Pra levar suas canções até seus fãs Courtney Barnett não precisa de muito, a banda é simples (apenas ela na guitarra, um baterista e um baixista) e a decoração do palco trazia apenas pequenas luzes, tipo aquelas que você compra na 25 de março no natal. A força está mesmo na performance (a guitarra praticamente se transforma em uma extensão do corpo de Courtney) e na qualidade de canções como “Need a Little Time”, “Nameless, Faceless”, “Depreston” e “Pedestrian at Best”, que fechou o set regular.

O bis começou com “Let It Go”, música do álbum “Lotta Sea Lice”, que Courtney lançou com Kut Vile em 2017, numa execução solo, somente a cantora e sua guitarra. “Kim’s Caravan” e “History Eraser” foram as responsáveis por fechar a noite.

Em sua segunda passagem por São Paulo, os brasileiros tiveram novamente o privilégio de ver uma das maiores artistas da atualidade. Usando mais uma vez o clichê do começo do texto, daquela briga pra saber se o rock ainda respira, a prova está no trabalho de Courtney Barnett e de outras tantas mulheres (a lista só aumenta todos os anos!). É só seu ouvido machista que não te deixa perceber isso.

[TEXTO Bruno Dias FOTOS Ana Luiza Ponciano/ @picsofgigs_]

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