Dissecando o Lollapalooza Chicago 2013

Um festival que surgiu como um sonho de um rock-star, cujo talento não se limitava apenas ao palco mas também em encontrar e promover artistas: Perry Farrell, o idealizador e vocalista da banda Jane’s Addiction, há vinte e três anos criou o que hoje é uma marca: Lollapalooza. O público estimado de 2013 em Chicago foi de 90 mil pessoas.

Além de contar com bandas hoje consagradas, como o Nine Inch Nails, o festival tinha apresentações circenses bem bizarras, é só checar em: (http://www.lollapalooza.com/20th-videos/2011/07/25/circus-stories/).

Após se consolidar como um festival reconhecidamente procurado pelo público e circular por algumas cidades dos EUA, Perry voltou a Chicago (que havia sofrido uma enorme reconstrução, devido a um incêndio). O intuito era  “aterrissar” no centro da cidade. Deu tão certo que ele repetiu a idéia já em 2 outras megalópoles (Santiago no Chile e São Paulo no Brasil). A terceira edição em São Paulo, cuja produção mudou de mãos e já conta com nova locação (Autódromo de Interlagos), está confirmada para os dias 5 e 6 de Abril/2014. Em Chicago o parque que recebe o evento já está reservado no calendário da cidade até 2021.

Locação
As razões que possivelmente inviabilizaram a utilização do Jóquei Clube podem variar  desde o fato da instituição ser, por um lado, um “elefante branco” na cidade com uma multa de IPTU inimaginável ou, por outro, por nossa causa, o público.

O bacana da experiência de ter tido a oportunidade de conhecer o Lolla São Paulo antes do original em Chicago, foi porque pude reconhecer tudo o que acertamos e o quanto estamos, na maioria dos quesitos tecnológicos ou pessoais, atualizados.

Não vou colocar neste artigo, minha impressão sobre os shows, mas não posso deixar de citar a dobradinha do Queens Of The Stone Age e do Nine Inch Nails, porque ela foi legendaria.

Confere lá!





Segurança
A primeira e chamativa surpresa: um festival no coração de Chicago em que a revista para aqueles que estavam sem mochila, era baseada na pergunta: “o que você tem no bolso?” e muito tranquila, mesmo para os que as carregavam.

Cadastramento/filas
A pulseira com chip já está completamente difundida. Dica para os empreendedores! Muito prática, dura bem os três dias e de difícil falsificação. Para dias individuais, as pulseiras eram as tradicionais.

Eu não peguei filas para entrar ou sair em nenhum dia mas para bebidas e comidas podiam ser um pouco demoradas.

Celular
Os celulares não funcionavam, quando muito mensagem de texto. Minha conclusão é que qualquer rede pré-estabelecida em um determinado lugar nunca dará conta do imenso número de pessoas que utiliza o aparelho ao mesmo tempo em festivais. Mas no Coachella o celular funcionava perfeitamente, no meio do deserto, inclusive a internet. Acho que para esse festival em específico, uma rede dedicada deve ter sido construída.

Preço
O ingresso para três dia custava 235 dólares, bem “salgado”. Mas o cuidado com o conforto do público era evidente. A constante manutenção da limpeza e a ordem me chamaram muito a atenção.

Limpeza
Banheiros Químicos: a manutenção era constante, mais de uma vez eu pude usar o banheiro recém limpo pela empresa responsável pela administração. Admirável.

Chicago foi onde eu vi o maior “paredão” de banheiro químico na vida.  Aqui vale a ressalva, em festivais, onde tiver fila, não hesite, ande mais um pouco porque vale a pena. Filas sempre existirão, basta encontrar a menor delas.

Outro exemplo de habito/cultura diferente da minha, foi ouvir de algumas pessoas a reclamação quanto à espuma sanitária, que havia acabado. Pode isso? Tinha espuminha pra lavar as mãos praticamente durante o dia todo! Mal acostumados eles ou então o meu nível de exigência em festivais é outro/em outros quesitos…

Reciclagem: Uma idéia simples, eficiente e interativa. Voluntários (outro hábito louvável em festivais pela América do Norte), circulavam pelo parque com sacos de lixo personalizados, angariando pessoas para recolher latas. Para ganhar a camiseta exclusiva de cada edição desde 2003, foi só eu permanecer por alguns minutos após o término de um show para recolher a quantidade de latas suficiente, contribuir e ganhar.

Na edição Brasileira a idéia foi implementada em um formato parecido. No Brasil não é permitido entregar as latas para o público, mas os copos de plástico serviram como troca. Era preciso juntar 10 copos para trocar por um brinde. Eu, particularmente prefiro a idéia do saco de lixo cheio, por uma camiseta.

Além dessa ação, o mesmo patrocinador, em Chicago, permitia a qualquer pessoa escrever em um postal bem “style” e enviar para qualquer lugar do mundo Para cada envelope enviado, o patrocinador acima do custo do selo doava um dólar para caridade. OK, a verdade é que rolava um “perrengue” também; a estação de entregas das latas estava no lado oposto de onde eu as recolhi. O parque tem quase 100 mil metros quadrados. Andar com um saco de “reciclados” escorrendo nas pernas não é das coisas mais bacanas!… Mas tá valendo!

Palcos
Eram seis grandes palcos e outros dois desdobramentos com programação ao vivo. Entre os seis; os dois principais eram construídos (box truss), três eram caminhões-palcos (os maiores que a a Stage Line oferece) e um era uma concha acústica do próprio parque.

Diferente do Coachella, e com uma edição no curriculum já interrompida por causa de um tornado, no Lolla Chicago os fechamentos laterais e de fundo de palco estavam presentes. A não ser pela testeira dos dois palcos principais, não havia comunicação visual patrocinada. Os fechamentos laterais não estampavam marcas. O P.A. era instalado em um ponto que dispensava o uso de telas acústicas.

O maior palco era espetacular. Uma estrutura que eu nunca tinha visto, de ferro e que dava sustentação aos boxs. Parecia muito prática. Às cinco da tarde do dia seguinte ao término, o teto já estava baixo.

Para aqueles que não se incomodam em ouvir os retornos dos músicos e não ao P.A. principal, ingressos para assistir ao show em uma plataforma muito bem posicionada acima das áreas de serviço dos palcos, eram vendidos. Um dinheiro fácil para a planilha de produção.

O Grant Park, em Chicago, é imenso e, portanto, os palcos eram muito bem distribuídos, não havia conflito entre os shows. Como conta com muitos palcos e os dois principais eram em lugares opostos, tive que caminhar muito e valia até a famosa corridinha para não perder um show.

Pela primeira vez em um festival de grandes proporções eu vi a “house mix” construída não exatamente no centro. Parece que não, mas isso beneficia muito o público, que ganha melhor visão do palco. Deve ser uma luta convencer aos técnicos de som, mas é bom saber que é possível.

Como todo festival deve ser, as trocas de palco eram muito pontuais. Não houve atrasos em nenhum show que tenha assistido e o “bis” só acontecia na última banda de cada dia. Mas, pontualmente às 10 da noite, já não havia mais nenhum show acontecendo.

Som x Luz x Telões

Era maravilhoso o visual de fundo, com a cidade ao redor.

Depois do Coachella deu para parar de se assustar com a qualidade da tecnologia. Minha fixação sempre foi nas imagens das telas de LED, que mesmo durante o dia eram perfeitas, sem um” catso” de LED queimado. No palco da banda Vampire Weekend, além dos pilares brancos utilizados na turnê, havia um fundo de  tecido colorido e um espelho falso que refletia algumas imagens nos telões; o que se via era muito maluco.

Só vendo mesmo para crer:

Tendas
Além da VIP, não havia nenhuma tenda para o público, mesmo no palco eletrônico, era tudo ao ar livre. Caso houvesse chovido teria sido muito mais inconveniente do que o da edição paulistana.

Eu pude acompanhar a montagem da edição paulistana e o tempo e efetivo necessário para montar as gigantescas tendas, pode ter sido uma das causas para a impossibilidade de se manter o festival no Jóquei SP. “Tá na chuva cidadão, É PRA SE MOLHAR!” LAMA? Sim teria tido muita lama se tivesse chovido.

Junto com Murphy, acompanhei a previsão do tempo; no primeiro dia era de 80% de chance de chuva. Pela primeira vez na vida levei um guarda-chuva a um festival. Ficou no bolso.

Água
O reabastecimento era gratuito, assim como no Coachella e em todos os bares que frequentei. Isso é um diferencial bacana e acredito muito que seja possível introduzir este hábito no Brasil.

Patrocínios
A cerveja Bud Light e o energético Red Bull eram os patrocinadores “masters”, um em cada palco, os dois maiores. Ao todo eram 30 patrocinadores, o mais bacana para mim foi o da empresa que fornecia água. Eram garrafas feitas em um papelão especial, estas eram vendidas a dois dólares.

Desmontagem

Às três da tarde do dia consecutivo ao final do evento, a rua principal que abrigava dezenas de tendas, ações publicitárias e o “paredão” de banheiros a que eu me referi anteriormente, já estava liberada ao trânsito de carros sem resquícios estruturais ou sujeira. Espetacular exemplo! O parque já estava aberto ao público.

Chamou-me a atenção a multidão que dominou o centro e que, após meia noite já estava dispersa, consequência dos trens que dão nome ao centro  da cidade, o “The Loop”.

365 dias
Grandes aprendizados, muita influência positiva, a oportunidade de participar de grandes festivais e, acima de tudo, estudar novamente. Esse foi o meu #festivalhunt, para aqueles que me acompanharam no Instagram.

[Roberto UC de Moraes: produtor e aficionado para executar no Brasil o que é monetariamente prático e viável em festivais de música.]

Leia também:

http://urbanaque.com.br/2013/2013/04/29/20-motivos-para-investir-seu-dinheiro-no-coachella/

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

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