ENTREVISTA: Diretores destrincham “Cure for Pain: The Mark Sandman Story”

“Baixo com slide, saxofone e bateria? Que porra é essa?!”. Esta frase de Josh Homme define bem a sensação de quem ouve Morphine pela primeira vez. Uma experiência que se torna viciante a cada disco ou B-side descoberto de seu líder Mark Sandman.

Ao lado de Dana Colley (sax) e Billy Conway (bateria), Mark Sandman criou uma sonoridade própria, caracterizada pelo baixo de duas cordas com slide e o principal, suas letras e voz.

E Mark Sandman vai além dos cinco discos de estúdio do Morphine. E a prova disso é o documentário Cure for Pain: The Mark Sandman Story, produzido pela Gatling Pictures, de Los Angeles, que conta a história do músico que morreu em 3 de julho de 1999, durante um show em Palestrina (Itália), em decorrência de um ataque cardíaco.

O filme mostra a trajetória musical e legado de Sandman (Mark Sandman Music Project, Treat Her Right, Hi-n-Dry Studios and Records); depoimentos de familiares e ex-companheiros de Morphine; e declarações de artistas que de alguma forma foram surpreendidos por Mark Sandman, como Josh Homme, Ben Harper, Josh Homme, Les Claypool (Primus), Mike Watt (The Stooges), Dicky Barret (Mighty Mighty Bosstones) e Chris Ballew (Presidents of the U.S.A.).

Para isso, Robert G. Bralver, Jeff Broadway (primo de Sandman) e David Ferino passaram dois anos viajando para cidades como Nova York, Boston, San Francisco, Los Angeles, Londres, Roma e Palestrina. Onde falaram com cerca de 50 pessoas.

Por email, o URBANAQUE conversou com os três idealizadores de Cure for Pain: The Mark Sandman Story, que destrincharam o documentário.

URBANAQUE: De onde surgiu a ideia de fazer um documentário sobre o Mark Sandman?
Jeff Broadway: Sou primo de Sandman e inicialmente tive a ideia de garimpar essa história na Primavera de 2008. Sempre fui um enorme fã da música de Mark e percebi que estava em uma posição única para contar sua trajetória, melhor até do que algumas pessoas mais próximas a ele.

Quanto tempo levaram para fazer Cure for Pain: The Mark Sandman Story?
David Ferino: On e off, uns dois anos filmando e editando.

Quantas pessoas foram entrevistadas?
Robert G. Bralver: Entrevistamos cerca de 50 pessoas. Amigos, familiares e músicos próximos.

Durante a produção do documentário vocês encontraram canções inéditas do Mark?
JFB: Sim, quando entrevistamos o Billy Conway [companheiro de Sandman no Morphine] ele disse que o Mark era um dos artistas que mais gravavam material na história da música. Ele sempre estava com a fita rolando quando eles improvisavam. Recentemente retornamos de Boston com uma mochila cheia de bootlegs. Vamos fazer uma triagem para transformar em um único CD, que queremos incluir na caixa de DVD do Cure for Pain: The Mark Sandman Story.

Como foi falar com a família dele?
DAF: A generosidade apresentada por cada membro da família de Mark foi enorme. A maioria dos tópicos que conversávamos com eles nunca eram fáceis, e mesmo assim eles se abriam como se já nos conhecêssemos por anos. No caso de Jeff, isso realmente era verdade. A confiança deles em mim e Rob significou muito para nós.

Qual depoimento foi o mais emocionante?
DAF: Posso dizer que a entrevista mais emocionante foi com os pais do Mark. Foi a primeira entrevista que tínhamos agendado e sabíamos que teríamos que ser cuidadosos. Não só tivemos que conduzir a conversa de forma bem profissional, como também tivemos que ser incrivelmente sensíveis às histórias deles sobre o Mark. Nenhum de nós, inclusive Jeff, sabia o que esperar. Para nossa sorte, Robert e Guitelle [pais de Mark Sandman] pareciam bem confortáveis com a nossa presença e as histórias que eles compartilharam conosco foram incríveis.

Porque vocês escolheram Cure for Pain para o título do documentário?
RGB: Tivemos muitas discussões sobre o título. Por um tempo o nome era Sandman: At Your Service [“Sandman: Ao seu dispor”], que era a forma que ele se apresentava no palco. Mas aí chegamos a conclusão que era um pouco vago para as pessoas que não eram fãs, então Cure for Pain: The Mark Sandman Story foi uma escolha lógica. Não é apenas o disco mais conhecido, mas também descreve muito bem a história de vida de Mark da forma que mostramos: uma longa busca pela “cura da dor”.

No filme, alguém mencionou a época em que Mark Sandman trabalhou como taxista no Brasil?
DAF: Os mitos sobre os trabalhos de Mark fora da música são muitos e vão longe. Existem muitos que dão conta dele ter trabalhado como taxista em Nova York e Boston também. De repente ele foi taxista nas três cidades!

Qual o momento do documentário que vocês consideram mais emocionante?
DAF: Filmar em Palestrina [cidade italiana onde Mark Sandman se apresentava quando teve um colapso no palco e morreu devido a um ataque cardíaco, em 3 de julho de 1999] foi de longe a experiência mais gratificante para mim. Aquela cidade tem um charme e uma mágica que eu nunca havia sentido em outro lugar. E aquela viagem marcou o começo de nosso relacionamento com aqueles que eram próximos de Mark, incluindo sua namorada, Sabine Hrechdakian, e os integrantes remanescentes do Morphine [Dana Colley e Billy Conway].

Existe alguma chance de que Cure for Pain: The Mark Sandman Story seja lançado no Brasil?
JFB: Nós gostaríamos muito de levar o filme para o Brasil, para passa-lo no máximo de plataformas possível, incluindo DVD, TV e digital.

Fale um pouco sobre o trabalho da Gatling Pictures.
JFB: Nosso segundo documentário, Tsua-Lei-Dan, será nosso foco principal nos próximos meses. O filme vai explorar temas relacionados à independência de Taiwan e ao bizarro e único status do país dento da política global. Juntamente com outros integrantes da Gatling, Kai Boydell e Cory Bailey, eu fui para Taiwan onde fiquei cerca de um mês no final de 2010 para filmar as eleições e o fervor político em volta dela. Kai e eu, juntamente com nosso colega taiwanês, Sam Lang, estamos produzindo e dirigindo o projeto.

[TEXTO Bruno Dias FOTOS Divulgação]

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