ENTREVISTA: Mono Men, a banda protopunk que influenciou o grunge fará sua primeira turnê no Brasil.

Em poucos dias, começa a primeira turnê latino-americana da Mono Men, com shows marcados em São Paulo, Brasília (dentro da programação do festival Porão do Rock), Goiânia e Buenos Aires. Banda de rock rápido, seco, comumente associada ao protopunk e citada como influência do grunge de Seattle, a Mono Men encara sua segunda reunião, que começou com um convite: tocar na festa do 40º aniversário de um amigo da banda, o Carl.

Foi o que inspirou o guitarrista Dave Crider, o baixista Dave Morrisette, o baterista Aaron Roeder, o guitarrista Marx Wright e o vocalista John Mortensen a se juntar para relembrar os velhos tempos no palco pela segunda vez. A primeira havia sido em 2006, quando a banda realizou cinco shows na sua cidade natal, Bellingham (Washington) e na Espanha. Os shows voltaram, mas ainda não há planos concretos de novos lançamentos. O último disco da Mono Men saiu há 16 anos.

Dave Morrisette e John Mortensen quem explicam melhor na entrevista abaixo, concedida por email ao Urbanaque.

 

Quais são as expectativas para o primeiro show no Brasil? Vocês fazem alguma preparação especial para tocar em festivais, como o Porão do Rock?

DM – Estamos muito animados pra tocar no Brasil. Sabemos que é um país com grande tradição em música e que os fãs brasileiros são muito apaixonados. Estamos honrados em sermos convidados para tocar para vocês.

JM – Não temos nenhuma preparação especial. As músicas da Mono Men não são complexas. Como a maioria de nós tem tocado em outras bandas, nós ainda lembramos de como ligar guitarras e bateria.

Essa turnê é a segunda reunião da banda. O que motivou esse retorno?

DM – A banda foi convidada para tocar no aniversário de 40 anos do nosso amigo Carl. Como a Mono Men nunca havia tocado na América do Sul, perguntamos se não haveria interesse em fazermos shows aqui. Estamos muito gratos pela oportunidade de tocar pros fãs brasileiros.

E quais as diferenças entre o que a banda é hoje e o que era naquela época?

DM – É como se fosse o mesmo de quando tocávamos em 1990. Somos todos bons amigos e realmente gostamos de tocar juntos. De alguma forma, eu sinto que estamos ainda melhores agora.

JM – Nós estamos mais velhos, mais os amps parecem tão altos quanto sempre estiveram. Então, não mudou muito.

Nesse meio-tempo, o que os membros da banda estiveram fazendo?

JM – Dave Crider continua com a Estrus Records e toca com os DTs. Aaron Roeder fechou o lendário bar 3B Tavern e agora cuida de outro, em Bellinghan. John Mortensen trabalha com produções em vídeo. E Ledge Morrisette se mudou pra Denver, no Colorado.

O último disco da banda foi lançado há 16 anos. Há planos de um novo?

DM – Temos conversado sobre gravar novas músicas, mas não há nenhum plano definido ainda.

JM – Nós todos estamos abertos a qualquer possibilidade de novas gravações. Particularmente, eu adoraria gravar outro disco da Mono Men.

Como a cena local de Bellingham ajudou a banda?

DM – As cenas locais de música são bons indicativos de quão apaixonada a cidade pode ser. Nós viemos de uma cidade pequena com uma cena música diversa. É muito legal ver essa cena evoluir com o tempo. Tocamos no México neste verão e a maioria das pessoas nos shows era fãs jovens, que não acompanharam nossa carreira quando tocávamos nos anos 90. É ótimo ver fãs jovens curtindo o mesmo tipo de música que nós curtimos.
JM – A melhor coisa que qualquer garoto pode dizer pra mim é que ele quis aprender a tocar guitarra porque ele nos viu tocar. É isso que valeu a pena pra mim. Espero que venha o tempo onde as crianças queiram fazer música com instrumentos, e não gerá-la com programas de computadores. Bellingham é uma cidade muito pequena, então é muito fácil estar em contato com o que está acontecendo. Nós vamos a vários shows.

Depois da turnê latino-americana, quais são os planos pra banda?

DM- Depois da turnê da América do Sul, Mono Men não tem planos definidos. Os shows que tocamos esse ano têm sido muito divertidos e esperamos que nos inspirem a gravar mais música e continuar tocando em lugares onde as pessoas queiram nos ver.

JM- Sempre conversamos sobre shows e projetos. Nada sólido ainda. Tenho certeza de que algo vai vir.

 

[TEXTO: Janaína Azevedo Lopes FOTOS: Divulgação]

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