Especial “POR ONDE ANDA?” Capítulo #02: Flaming Moe

Para este Por Onde Anda?, o Urbanaque revive a história de uma das bandas stoners mais legais e importantes de São Paulo – quiça do país todo. O Flaming Moe foi formado em 2003 por cinco amigos que estudavam no mesmo colégio. As influências? Bandas pesadas, graves, que tocam no talo – todas aquelas que deixavam nossas mães de cabelo em pé.

Fazer rock pesado não tem nenhuma fórmula secreta e nunca foi privilégio de poucos, mas o que o Flaming Moe fazia não era para qualquer um. Não tinham somente elementos stoner em suas músicas: rolava um verdadeiro revival de raiz, umas pegadas setentistas de deixar fãs de Black Sabbath com sorriso de orelha a orelha. Rolavam umas garageiras também, bem típicas do independente nacional de uma década atrás – Walverdes, alguém? E tinha aquela parede de peso: baixo, guitarra e bateria trabalhando juntos (e bem alto) para deixar alguns ouvidos sangrando.

O Flaming Moe, apesar de contar com apenas um disco cheio, Soul Hunter (2008), participou de coletâneas, splits e tributos,e lançou uma demo e um single. Nos shows, além das composições próprias, o set era recheado de Black Sabbath, Deep Purple e The Hellacopters. Ainda sobre shows, eram raras as pessoas que não se impressionavam com a banda em cima do palco. Fosse pela música, fosse pelo comportamento do vocalista Gui Klaussner, que se entregava ao momento com veracidade não muito comum entre as demais bandas da época. O Flaming Moe levou seu rock de roqueiro para festivais e excursionou por algumas regiões do país, mas fazia sucesso mesmo era na cidade de São Paulo, onde tocava com frequência e lotava as casas de show.

Porém, apesar de todos esses méritos, a banda acabou, oficialmente, em janeiro deste ano. Acabou não, passou por uma transição, ganhou nova roupagem, integrante novo e, bom, virou outra banda.

Mocho Diablo, como foi batizado o novo grupo, ainda tem os pés no rock pesado mas investe numa personalidade mais conceitual, com propósitos maiores que o de apenas “reunir os caras para fazer um som”. Na formação do Mocho constam três originais do Flaming: Gui Klaussner (vocais), Maurício Peruche (guitarra) e Thiago Pinho (bateria). O baixo está atualmente ocupado por Muga, que tem contribuído bastante na composição das músicas.

A ideia do Mocho Diablo é lançar apenas EPs, e somente em formato virtual. O guitarrista Peruche nos contou que “cada EP vai ter uma cor. Essa cor que vai guiar para onde estamos indo. Acabamos de lançar o verde, o próximo é o preto e na sequência o amarelo. O preto já estamos produzindo. O amarelo vamos gravar na Alemanha (o Gui – vocal – vai morar um ano lá)”. Nada mal, hein?

A evolução do Flaming Moe para o Mocho Diablo dá para conferir aqui. Para reviver os momentos altos da banda-embriã, bem, só se alguém inventar uma máquina para voltarmos para o passado. E que passado!

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