Êstevão Bertoni comenta as inspirações do novo álbum do Bazar Pamplona

A banda paulistana Bazar Pamplona lançou no meio do ano seu segundo álbum, Todo Futuro É Fabuloso. Seguindo a nossa tradição, convidamos o vocalista Êstevão Bertoni para comentar as inspirações por trás das músicas. Leia o faixa a faixa, e baixe o álbum no site da banda.

1. “Todo Futuro É Fabuloso”: A faixa mais acelerada do disco pede para os ouvintes não se esquecerem de viver bem devagar. O título é uma frase do escritor cubano Alejo Carpentier usada como epígrafe no “Jangada de Pedra”, do Saramago. A música tem imagens absurdas (chuva na velocidade da luz, por exemplo) por influência do livro.

2. “Greve”: Música alegre para um tema triste. A ideia da letra surgiu em 2006, quando a GM demitiu 300 funcionários em São Caetano, o que gerou uma greve. Aqui, o pai de família, demitido, afunda-se no bar. Os filhos vão em frente.

3. “O Gringo”: Foi feita para o nosso antigo baixista, o Batata, que foi morar nos EUA logo após a gravação do primeiro disco, em 2006. Ele se tornou o mais paulista atravessando as ruas da Califórnia. Agora, de volta ao Brasil, provavelmente vai se sentir, por algum tempo, o mais norte-americano cruzando a Paulista.

4. “Quem Eles Pensam Que São?”: É nóis. Canção sobre a bandinha mais sem graça da cidade. Além do amigo Pélico nos vocais, tem um monte de participações: em 2009, pedimos aos membros da nossa finada comunidade no Orkut que nos mandassem uma frase, em áudio, dizendo quem eles eram. Todos estão na música. A voz em “Não é possível, é preciso desmascarar esse sujeito” é da filósofa Marilena Chauí, roubada de uma palestra (ela nem imagina). 

5. “Ela Tem Uma Ambulância”: Heitor, da Banda Gentileza, no violino, e Tatá Aeroplano nos barulhinhos. A música já ficou um pouco velha para a banda. Ela já vendeu a ambulância.

6. “Declaração # 1”: Um recadinho breve.

7. “Canção do Meio”: Estrategicamente colocada no meio do disco, pede para o ouvinte aguentar firme, não pular a faixa e ouvir o disco até o final.

8. “É Tão Cafona O Que Sinto Por Você”: Foi escrita por encomenda de uma querida amiga, a Fabíola, para servir como trilha de uma peça de teatro. Em 2008, tocamos a música no palco do CEU Butantã, durante a encenação. Escolhemos a Lulina para dividir os vocais porque adoramos o sotaque dela.

9. “Quero Ser Grande”: Feita para a priminha ainda pequena, virou trilha de uma propaganda de leite fermentado que passava nos intervalos da Discovery Kids e da TV Globinho. Por isso, é possível achar no YouTube vídeos de crianças (que a gente nunca viu na vida) cantando essa música. Esperamos ter um público renovado em 20 anos.

10. “Declaração # 2”: No intervalo da gravação do disco, o baixista Rafael Capanema pegou o violão e ficou brincando com essa música. Sem que ele soubesse, registramos tudo. Acabou entrando no disco.

11. “As Nuvens Não Têm Playground”: Surgiu num período de desemprego, em que tudo o que se podia fazer era ficar tocando violão na sala de casa e vendo pela janela as nuvens passando devagar. Tem um videoclipe caseiro feito com muito esforço.

12. “Abaixo-Assinado”: Música sobre o fim das distâncias, mesmo para as pequenas bandas desafinadas.

13. “Faixa Bônus”: No fundo, é isso: o disco acabou, mas siga em frente e olho aberto.

Baixe o disco aqui.

[FOTO: Fabricio Sousa]

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