Exposição “Nostalgias Africanas”, de Pedro Figari, retrata as populações afro-uruguaias

O Uruguai aboliu a escravidão em 1842, 46 anos antes de ser abolida no Brasil. Mas apesar de ter uma rica cultura afro-uruguaia, principalmente nas danças e festividades, como o candomble, apenas 4% da sua população de 3,5 milhões do país é negra. Culpa da falta de um programa público ou estatal na época para a inserção dos ex-escravos na sociedade. A miséria nas condições de vida no campo fez com que houvesse um grande e contínuo movimento migratório.

A rica cultura dos africanos forçados a migrar e escravizados na região foi registrada pelo advogado, político Pedro Figari (1861-1938). Filho de imigrantes genoveses, sempre atuou em prol das classes mais pobres da época, e conseguiu representar a populações negras de seu país através de cenas da vida comum, revelando toda a complexidade dos modos de vida daquelas pessoas.

Pedro Figari, Candombe, circa 1930, acervo MASP

Figari foi o único artista branco que recebeu uma exposição no MASP em 2018, durante um ano todo dedicado às histórias africanas, e a exposição apresenta uma seleção de 63 obras, dividas em seis conjuntos no segundo subsolo do museus: Danças e Festividades, Dia de Reis, Conventillos, Casamentos, Solenidades Fúnebres e Escravidão.

“Nostalgias Africanas” foi organizada pelo MASP, em parceria com o Museo Nacional de Artes Visuales e o Museo Figari, de Montividéu, e fica exposta até o dia 10 de fevereiro de 2019.

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand fica Avenida Paulista Paulista, 1578. Horários e preços dos ingressos no site do museu.

 

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

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