Lollapalooza 2013: destaques do 1o. dia

Como era de se esperar, a chuva que caiu durante toda semana transformou o Jockey Club em um grande lamaçal e as 53 mil pessoas que compareceram no primeiro dia da segunda edição do Lollapalooza Festival tiveram que aprender alguns malabarismos para não atolarem no percurso entre um palco e outro.

Pitty e Martin com seu projeto Agridoce

Não passada das 14h e os fãs de The Killers e Of Monsters And Men já ocupavam os melhores lugares em frente aos palcos Cidade Jardim e Butantã, respectivamente. Sorte para os estreantes Holger que conseguiram descruzar os braços da plateia e arrancar dancinhas e aplausos “tonificados” com músicas do recém-lançado “Ilhabela”. Já o Agridoce, que apesar do formato voz, violão e piano, contou com o carisma de Pitty e covers (“Across The Universe”) para tentar despertar o sonolento público do palco Cidade Jardim.

Of Monsters and Men

Empolgação mesmo só veio na hora do show do Of Monsters And Men. Apostando o set quase inteiro no disco de estreia, My Head Is an Animal (2011), a vocalista Nanna Bryndís Hilmarsddóttir e o comparsa guitarrista Ragnar “Raggi” Þórhallsson superaram as expectativas dos fãs com hits como “Mountain Sound”, “King and Lionheart”, “Little Talks”, “Dirty Paws”, “From Finner” e até um cover de “Skeletons”, do Yeah Yeah Yeahs. Nem mesmo a chuvinha chata que resolveu cair na hora do show foi suficiente para esfriar a animação.

John McCrea, vocalista do Cake

Uma das decepções do dia foram os californianos do Cake. O vocalista John McCrea preferiu passar mais tempo batendo papo e forçando – sem sucesso – o público a embarcar em suas interações do que caprichar no set list. A impressão é que eles sequer haviam feito um e decidiam as músicas ali na hora, no palco. Empolgação mesmo só na hora dos hits “Never There”, “Short skirt / Long Jacket” e nos cover de “I Will Survive” de Gloria Gaynor e “War Pigs” do Black Sabbath.

Wayne Coyne ninando seu bebê de mentira durante o show do Flaming Lips

Pontualmente às 18h30 o Flaming Lips subiu no palco Cidade Jardim, que a esta altura já estava lotado. A apresentação causou uma certa estranheza aos desavisados que esperavam ursinhos no palco, confetes e o vocalista Wayne Coyne andando sobre a plateia dentro da famosa bolha. Em compensação, o grupo apostou suas fichas no seu lado mais psicodélico e fez uma bela apresentação basicamente com músicas dos discos “Embryonic” (2009) e do ainda inédito “The Terror”. Mas a simpatia de Coyne, que entre uma faixa e outra soltava uma piada a cada avião que sobrevoava o Jockey, e os hits “Yoshimi battles the pink robots pt.1” e “Do you realize??” foram suficientes para garantir a satisfação geral.

Na sequência foi a vez de andar quase meia hora para chegar até o palco onde o DJ canadense Deadmau5 se apresentava. O set calcado em muito house, techno e outros subgêneros da música eletrônica espantou boa parte do público, o que deixou o lugar suficientemente agradável para os fãs do DJ dançarem e se lambuzarem à vontade. O remix de “Killing in The Name” foi responsável por aquela famosa cena clichê: uma grande roda de pogo e pessoas “revoltadas com o sistema” apontando seu dedo do meio para o alto.

Continuando com a maratona, ainda deu tempo de ver  os últimos 15 minutos do show do Passion Pit, que lotou o palco Independente. Nessa hora, não dava para saber se eram fãs da banda ou o público do The Killers que já tomava contado do palco Cidade Jardim. Mesmo assim, a banda garantiu a animação de todos por ali.

Às 21h40 o The Killers subiu ao palco, para o delírio dos milhares de fãs que foram se acumulando desde a abertura dos portões, às 12h. Com quatro discos lançados (Hot Fuss, Sam’s Town, Day & Age e Battle Born), o grupo de Brandon Flowers pôde se dar ao luxo de abrir o show gastando o hit “Mr. Brightside” e não esperar duas músicas para gastar mais um, “Smile Like You Mean It”.

O repertório ainda contou com “Miss Atomic Bomb”, “Human”, “Somebody Told Me”, “A Dustland Fairytale”, “Read My Mind”, “Jenny Was a Friend of Mine” e “When You Were Young”, garantindo um dos shows mais cantados do Lollapalooza até então.

[TEXTO CIRILO DIAS FOTOS: Cambria Harkey / Imprensa Lollapalooza]

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

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