Lollapalooza 2013: destaques do 2o. dia

Com um line-up caprichado com nomes como Alabama Shakes, Franz Ferndinand, Steve Aoki, Criolo, Two Door Cinema Club, NAS, Tomahawk e Queens of The Stone Age, era de se esperar que o segundo dia de festival fosse o mais cheio.

As 55 mil pessoas que lotaram o Jockey Club também evidenciaram alguns problemas que já apareciam em menor escala no dia anterior como filas quilométricas para tudo: comprar ingressos do lado de fora, ir ao banheiro, entrar no festival, comprar comida e bebida e até mesmo em alguns postos médicos. O esquema de “orientadores oficiais” espalhados para distribuir o pessoal entre os vários guichês do local simplesmente sumiram na lama, que tomou conta do local.

Ludov

Mas pelo menos uma promessa foi mantida e cumprida à risca pela organização, a pontualidade dos shows. Stop Play Moon, Graforréia Xilarmônica, Ludov e Toro Y Moi cumpriram bem a tarefa de ir aquecendo o público que mais uma vez chegou bem cedo para garantir bons lugares em frente ao palco, especialmente os fãs de Black Keys.

Mike Patton esgoleando durante o show do Tomahawk

Às 15h30 em ponto, Mike Patton subiu no palco Butantã acompanhado de Duane Denison (Jesus Lizard), John Stainer (Helmet) e Trevor Dunn (Mr. Bungle, Fantômas) e sem cerimônias já começaram a porradaria sonora do Tomahawk. Um pouco menos insano do que o habitual, Patton praticamente levou o show inteiro nas costas emendando seus habituais palavrões em português entre uma música e outra. O repertório explorou todos os discos da banda e contou com faixas como “Rape This Day”, “Oddfellows” e até mesmo um cover de “How low can a punk get”, do Bad Brains, para fechar a apresentação.

Two Door Cinema Club

Do outro lado do Jockey, no palco Cidade Jardim, o Two Door Cinema Club não conseguia esconder a cara de satisfação ao ver tanta gente junto dançando os hits “Do You Want It All?”, “Something Good Can Work” e “Sleep Alone”. Por diversas vezes o vocalista Alex Trimble parava para declarar que estava emocionado em estar tocando para o público brasileiro.

Alabama Shakes

Mas aí chegou um dos momentos mais injustos do festival. No Palco Alternativo, Brittany Howard e seu Alabama Shakes botaram todos os indies para cantar juntinhos os hits “Hang Loose”, “Hold On” e “Hearbreaker”, que ao vivo ganharam um peso especial.

Alex Kapranos todo animado durante o show do Franz Ferdinand

Enquanto isso o  Franz Ferdinand abarrotava o palco Butantã, e também apostou em um repertório recheado de  hits como “Take Me Out”, “The Dark of the matinée”, “Do You Want To”, “Can’t Stop Feeling”, “Walk away”, “Michael”, “Ulysses” e “This Fire”. Se não fosse pelos problemas técnicos como o som embolado durante quase todo o show e a lotação absurda, teria sido o melhor show do sábado.

Queens of The Stone Age

Só que em seguida o Queens of The Stone Age subiu no palco e Josh Homme estava em um noite especialmente encapetada e inspirada. Sem muita enrolação a banda já mandou “The Lost Art of Keeping a Secret”, “No One Knows” e “First It Giveth”, tudo isso somado a um volume absurdamente alto, levando o público à loucura.

Em certo momento Homme pede licença para tocar uma música nova, “My God is The Sun”, que estará no novo disco do QOTSA, … Like Clockwork. Se ao vivo a música já mostrou seu peso, no disco ela com certeza vai ganhar mais peso ainda com Dave Grohl espancando a bateria. Será?

Billy Howerdel, guitarrista e líder do A Perfect Circle

A grande decepção da noite foi o A Perfect Circle. Com direito a tocar no nobre horário das 20h ali no palco Cidade Jardim, o grupo que contava com Maynard James Keenan (Tool) nos vocais e James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na guitarra, conseguiu a proeza de esvaziar o palco e empolgar apenas uma dezena de fãs que estava na grade. Sem contar que abrir o show com uma versão vergonhosa de “Imagine”, do John Lennon, acompanhada do famoso vídeo com montagens de “vítimas de guerras” digna de powerpoint não dá, né?. Sorte para Criolo e Madeon, que absorveram o público que debandou de tamanha chatice.

Eis que chega o momento tão aguardado. De um lado, no palco Cidade Jardim, o Black Keys. Do outro lado, na tenda Perry, o DJ Steve Aoki. Ambos abarratados de fãs.

Dan Auerbach fechando a segunda noite do festival com o The Black Keys

Quem esperava um show animado, dançante e contagiante era melhor ter corrido para a tenda onde Steve Aoki lambuzava os presentes com muito bolo e barco inflável navegando pela galera, porque o The Black Keys apostou em um show arrastado, intercalando músicas de seus sete discos lançados. Contando com uma banda de apoio para dar conta da bronca, o grupo liderado Dan Auerbach empolgou mesmo quando mandaram as faixas “Dead and Gone”, “Howlin’ for You”, “Same Old Thing”, “Lonely Boy” e “I Got Mine”.

Em uma noite onde o rock foi devidamente representado por Mike Patton e Josh Homme, até que o Black Keys não foi dos piores, só estava no horário errado.

[TEXTO CIRILO DIAS FOTOS: Cambria Harkey / Imprensa Lollapalooza]

 

 

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

2 Comments

  • […] Jardim, Maynard James Keenan parecia consciente do papelão que foi o show de sua outra banda, A Perfect Circle, no dia anterior, e resolveu aproveitar o domingão no Jockey para pesar a mão e transformar a […]

  • Reply April 8, 2013

    Paula

    Respeito total a opinião do redator, mas não acho que o show do APC foi uma grande decepção. Sou fã e apesar de ter sentido falta de “Judith” no setlist, assim como queria muito ter ouvido algo mais próximo da versão original de “3 Libras”, acho que tanto eu quanto os outros fãs sabiam que ao vivo Maynard e Billy nunca tocam suas músicas iguais ao disco. Na verdade, sempre fazem versões. Mais do que ouvir exatamente o que eles gravaram há anos, a experiência foi ter músicos incríveis fazendo um belo show. E apesar de estar longe do consenso, na minha opinião, o que eles fizeram com “Imagine” foi algo semelhante ao que Jimi Hendrix fez com “All Along The Watchtower”, do Bob Dylan. Isto é, deu uma nova vida a música, que pra mim faz muito mais sentido na versão deles, que tira o ar inocente de John e a coloca cara a cara com a nossa realidade.

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