Lollapalooza 2013: destaques do 3o. dia

O último dia de festival contou com um line-up mais modesto apostando bastante em bandas mais indies como Foals, Kaiser Chiefs, Puscifer, Major Lazer e Hives. Conhecidas pela maioria mesmo apenas o Planet Hemp e Pearl Jam.

A chuva deu uma trégua, o sol apareceu mas as poças de lama com estrume continuavam lá, firmes e fortes, estragando o dia de quem ainda insistia em não vestir uma galocha ou algo parecido.

Mas não foi o suficiente para espantar os fãs de Pearl Jam que já lotavam consideravelmente o palco Butantã. Sorte para Lirinha+Eddie que segurou bem a barra de entreter aqueles que esperavam pelo ar da graça de Eddie Vedder.

Foals
Foto: Liliane Callegari

No palco Butantã, o Foals apostou em um repertório mais focado nos últimos dois discos da banda (Tapes e Holy Fire) para fazer uma apresentação barulhenta e contagiante. O vocalista Yannis Philippakis alternava momentos entre esgoelar loucamente e praticamente espancar sua guitarra, para delírio do público que estava tão concentrado no show que nem percebeu o pessoal do Alabama Shakes ali no meio da galera.

Puscifer
Foto: Reprodução

Do outro lado, no palco Cidade Jardim, Maynard James Keenan parecia consciente do papelão que foi o show de sua outra banda, A Perfect Circle, no dia anterior, e resolveu aproveitar o domingão no Jockey para pesar a mão e transformar a apresentação do Puscifer em uma grande celebração regada a vinho.

Poucos sabem, mas Keenan é dono de duas vinícolas no Arizona (EUA), Merkin Vineyards e Cadeceus Cellars, e resolveu levar algumas garrafas de suas melhores safras para encher várias taças de vinho e serví-las para quem estivesse ali por perto no palco. Em certo momento, ele chama Eddie Vedder, que corre pro palco, senta numa mesinha e fica ali, calmamente bebericando e fumando um cigarro, enquanto o Puscifer se apresentava. O alvoroço na plateia foi tamanho que ao final da música Keenan dá uma risada e diz “Ah, agora vocês estão acordados, né?”.

As músicas dos mais de 6 Eps lançados pela banda ganham uma execução primorosa e um peso absurdo no palco, o que fez Keenan sair dali aliviado e com a sensação de dever cumprido.

Kaiser Chiefs
Foto: Liliane Callegari

O Kaiser Chiefs conseguiu manter a animação e deixou o público do palco Cidade Jardim completamente enlouquecido. O vocalista Ricky Wilson exibia todo seu preparo físico correndo loucamente pelo palco e até escalando a estrutura da torre de som que ficava ali no meio da galera. O ponto alto foi durante os hits  “Everyday I Love You Less and Less” e “Ruby” que fez muita gente quase esquecer de correr para o outro lado do festival, onde o Hives se apresentava e também fazia um show barulhento e tão animado quanto o dos Chiefs.

Com o calor torrando a cabeça as filas da cerveja voltaram a ficar monstruosas, o que  prejudicou bastante a circulação entre os shows. Sem contar que os banheiros já estavam impraticáveis antes das 19h. Com o Hot Chip escalado para o palco Alternativo, o jeito foi apelar por aumentar ainda mais o trajeto entre os palcos e dar uma bela volta pela pista de areia do Jockey.

Planet Hemp
Foto: Liliane Callegari

Mesmo assim, o público guardou forças para assistir a apresentação do Planet Hemp. Para alegria dos fumaceiros de plantão, os hits “Legalize Já”, “Até a última ponta” e “Quem tem seda?” estavam no repertório. O show teve vários momentos de discursos, mais um protesto “Fora Feliciano” e uma homenagem a Chorão, do Charlie Brown Jr.

Pearl Jam
Foto: Cambria Harkey

A esta altura o palco Cidade Jardim estava completamente tomado pelos fãs de Pearl Jam, que sequer os esperou terminar de bater palmas e  começou o show com “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”.

Assim que terminou a música, Eddie Vedder pediu para ligarem as luzes e perguntava olhando espantado para as 60 mil pessoas, “Está todo mundo seguro? Todos bem?”. Durante quase duas horas, o grupo apostou o repertório nos hits da banda como “Do The Evolution”, “Even Flow”, “Jeremy”, “Given to Fly” e “Jeremy”. Para os fãs que já viram outras apresentações do grupo, o repertório foi um pouco burocrático demais, mas para uma grande maioria ali presente, foi de emocionar.

Agora é esperar que na edição de 2014 problemas como as previsíveis filas, o preço ainda salgado dos ingressos e banheiros impraticáveis sejam resolvidos, porque o repertório já confirma o festival como um dos mais importantes do país.

[TEXTO: CIRILO DIAS]

Co-fundador e editor do Urbanaque.com.br e Birrinhas.com

1 Comment

  • Reply April 8, 2013

    Paula

    Só pra concluir o que falei sobre o show do APC, acho que o que vimos no segundo dia de Maynard no Lollapalooza foi exatamente o que ele costuma mostrar com o Puscifer, banda que ele sempre mostrou ter uma identidade totalmente diferente dos dois outros projetos. Assim como ele mesmo se coloca no palco. No APC cantando ao fundo. Apesar de mais alto que os outros integrantes, sem nenhuma luz voltada diretamente a ele. Já no Puscifer, junto com Carina ele é o centro das atenções e leva as coisas com muito mais bom humor – ideia original da banda, como pode ser visto nas capas de discos e EPs – e leve. Então acho que em ambas as ocasiões ele deixo o palco mais do que satisfeito. 🙂

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