Los Hermanos McKenzie fala sobre o CD Siamés e a nova cena argentina

Em julho de 2010, durante uma semana de férias em Buenos Aires, tive a sorte de trombar uma das bandas mais legais da atual cena argentina se apresentando no estiloso Le Bar, no centro da capital argentina: o quinteto Los Hermanos McKenzie.

Formado por Eric Brown (Guitarra, baixo e voz), Cecilia Czornogas (voz e teclado), Nacho Czornogas (Guitarra, saxofone e voz), Daniel Digon (bateria e voz) e Marina Perez (trompete, guitarra e voz), a banda tinha apenas um EP lançado e já chamava a atenção por sua qualidade.

Não é à toa que meses depois a banda figurou como uma das apostas do ano na Rolling Stone Argentina. Ano passado, o Los Hermanos McKenzie lançou seu primeiro CD, Siamés, um trabalho melancólico, movido pela voz doce de Cecilia Czornogas, que sempre aparece envolto na ótima linha de metais do grupo.

Para abrir o ano, conversamos via email com Nacho Czornogas, que falou um pouco mais sobre o que é o Los Hermanos McKenzie e nos deu dicas de novos nomes da cena argentina.

Urbanaque – Para quem não conhece o Los Hermanos McKenzie, como vocês se definem?
Nacho Czornogas – Fazemos canções em espanhol que combinam um pouco de folk, um espírito circense, algo de swing orquestrado e outro tanto de experimetação. O som é regido pela voz feminina de Cecilia, pela presença constante de instrumentos de sopro (trompete, saxofone e clarinete), harmonias vocais, guitarras (elétricas e acústicas) e distintos instrumentos percurssivos.

Fale um pouco sobre como começou o Los Hermanos McKenzie.
N.C. – O projeto começou de um duo de irmãos de verdade, formado por minha irmã Cecilia e eu, há pouco mais de três anos. Decidimos inventar um sobrenome de mentira e sair para tocar, rapidamente a formação se ampliou para um quinteto.

Qual a principal diferença entre Siamés, de 2011, e o EP homônimo, de 2009?
N.C. – O EP que gravamos em 2009 foi o começo de algo e nos ajudou muito a encontrar nossa característica e a forma que queríamos soar. A partir deste EP saímos para tocar e apresentar a banda. Fizemos isso durante um par de anos e aprendemos muito. Siamés nasceu de outra forma, foi uma busca por algo que tínhamos em nossas mentes e necessitávemos transformar em um disco. Ele nos deu 10 vezes mais trabalho!

A melancolia é algo muito presente no som de vocês, é uma inspiração frequente na hora de compor?
N.C. – Não sei se é uma inspiração, mas tem influência em nossa forma de escrever. Acredito que seja uma parte do processo de nossas vidas, a quizás las nuevas canciones que estamos escribiendo no tienen tan presente ese carácter melancólico

Los Hermanos McKenzie – “Elisa” from Urbanaque.com.br on Vimeo.

Quais são as principais influências musicais de vocês?
N.C. – Todos temos gostos muito diferentes, mas posso te nomear alguns artistas que vêem a nossa cabeça: Violeta Parra, Sumo, David Bowie, Charles Mingus, Pink Floyd, The Beatles, [Bob] Dylan e Mulatu Astatke.

Como se encontra a nova cena musica argentina atualmente? Muitas bandas surgindo e lugares para tocar?
N.C. – Sim, na verdade existem muitas bandas novas e bem boas. Com relação aos locais para tocar, existem muitos, mas para tocar com um formato mais reduzido. Não são muitos e nem sempre as condições são boas. Para fazer shows um pouco maiores existe mais volume, mas tem que se adequar conforme aparecem as possibilidades.

Quais nomes vocês recomendam dessa nova cena argentina?
N.C. – Springlizard, Les Mentettes, Las Kellies, Los Reyes del Falsete, Sofía Viola, El Hipnotizador Romántico, Val Veneto, Julio y Agosto, Warning with the Snake, Cosmo e Pablo Malaurie são alguns bons exemplos.

Vocês conhecem música brasileira? Sentem vontade de vir tocar no Brasil?
N.C. – Conhecemos um pouco de música brasileira: Caetano Veloso, Vinícius de Moraes, Os Mutantes, Baden Powell. Mas de música brasileira atual não conhecemos nada. Adoraríamos tocar no Brasil, é um lugar incrível. Gostaríamos de compartilhar nossa música por aí.

[TEXTO Bruno Dias FOTOS Catalina Bartolome/ Divulgação]

Be first to comment