Mais Porão do Rock 2013: os destaques nacionais e internacionais da 15ª edição do festival brasiliense

 

Com o ouvido aberto para a cena brasiliense, o Porão do Rock dedicou boa parte do seu line-up para as novas caras brasilienses. A abertura de cada um dos três palcos ficava a cargo de bandas escolhidas em seletivas regionais prévias. Além disso, um nome conhecido do público fez um show empolgado: o músico Alf, que inicia seu trabalho em carreira solo, mas já tocou no Rumbora e Raimundos. No set list, músicas novas, que pendem pro lado dos riffs quebrados, com uma referência notável de Queens of the Stone Age, misturadas com músicas de suas antigas bandas. Isso produziu a curiosa sequência da pop e radiofônica “Mapa da Mina”, do Rumbora, com a pesada e crítica “Tá com medo?”, do Câmbio Negro.  O público não pareceu se importar com a discrepância.

O Sexy Fi despontou como uma das grandes novidades de Brasília nos últimos tempos, e no palco do Porão, foi possível notar o motivo. O indie-abrasileirado-climático-noisy funciona muito bem ao vivo, com uma execução refinada do quinteto e a condução da voz delicada da vocalista Camila. Ela bem que tentou chamar a plateia do palco ao lado, que já esperava pela atração que tocaria logo a seguir, o Paralamas. Não conseguiu, mas mesmo assim esteve à frente de um dos melhores shows do festival. O delírio psicodélico-tropicalista Rios Voadores e a banda de new metal com bases eletrônicas Na Lata arremataram a escalação local.

O Porão não é um festival de metal, mas costuma fazer uma escalação de respeito para o estilo: foram 15 das 38 bandas a tocar. Entre shows de novatos irregulares, bandas com uma firme trajetória como Devotos e Galinha Preta e os dois headliners, Soulfly e Suicidal Tendencies, o melhor foi o de uma dupla paulista: o Test. Conhecidos por transportar seus equipamentos em uma Kombi e improvisar shows nas ruas, João (vocalista) e Thiago (baterista), tocam de frente um pro outro. Não há concessão: o grindcore do Test é brutal e o gutural de João parece saído direto de uma tumba. O show foi baseado no primeiro disco da banda, Árabe Macabre, lançado em 2012.

E por fim, das esperadas atrações internacionais, o Porão garantiu momentos memoráveis para contar. O Suicidal Tendencies, veteranos do hardcore, fez o público subir no palco durante seu show. A Banda de la Muerte, revelação argentina, mostrou sintonia com o melhor produzido em sludge e stoner metal, em um show pesado e denso, que contou ainda com uma versão sludge para “I Wanna Be You Dog”, dos Stooges. A Mono Men divertiu o público com seu protopunk.

O headliner da primeira noite foi o Soulfly. Não há dúvidas de que, apesar da sólida e produtiva carreira da banda, nos shows, os fãs querem mesmo é ouvir Sepultura. A dobradinha “Refuse/Resist” e “Territory” foi um dos momentos mais ovacionados do show – e não sem razão, a banda consegue manter a qualidade de execução da formação clássica dos mineiros nos anos 90. O show ainda teve música nova, participação do João, do Test, e homenagem a Renato Russo.

E o Mark Lanegan, que trouxe um baixista, um violonista, sua voz e nada mais para seu primeiro show em Brasília. Justamente pelo minimalismo, a apresentação foi climática e delicada, com versões acústicas dos discos de Lanegan, um cover de Andy Williams que deve sair no próximo disco do cantor e um final surpreendente: “Halo of Ashes”, música icônica do Screaming Trees, finada banda de Mark. Depois de passar o show inteiro sem se dirigir ao público, ele se despediu dizendo: “thank you, beautiful people”. Final mais ‘Mark Lanegan’ que isso, impossível.

[TEXTO: Janaína Azevedo Lopes FOTOS: Flickr do Porão do Rock]

 

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