ORUÃ lança EP e prepara seu “episódio mais ousado em Acapulco”

Ter a oportunidade de tocar com seus ídolos é pra poucos e pode-se dizer que o ORUÃ, trio formado por Lê Almeida (guitarra, cassetes e voz), João Luiz (baixo) e Phill Fernandes (bateria), entrou para um seleto grupo de artistas que realizaram tal feito. Além de serem a banda de abertura da nova turnê da Built to Spill (que já seria algo a ser comemorado), 2/3 da banda fluminense também passou a integrar o BTS ao lado de Doug Martsch, celebrando os 20 anos do álbum “Keep It Like a Secret”.

Lançando o EP “Tudo Posso”, após o elogiado (e barulhento) disco de estreia, “Sem Bênção / Sem Crença”, o ORUÃ vive um ótimo momento, após uma turnê pelos Estados Unidos que passou por Boise, Seattle, Tacoma, Portland e Walla Walla, no último mês de março, e se preparando para mais uma tour internacional. Serão 26 shows na Europa, passando por Berlim, Paris, Roma, Praga, Lisboa, só para citar algumas das principais capitais do velho continente.

“Tudo Posso”, que já rendeu o clipe de “Cruz das Almas BA”, com imagens feitas durante o giro norte-americano, será lançado em vinil 7″ nos EUA, via IFB Records, e aqui no Brasil pela Transfusão Noise Records, que por sinal completa 15 anos em 2019. O EP é uma prévia do que podemos esperar do segundo álbum do ORUÃ, “Romã”, previsto para julho/julho deste ano.

Antes do trio embarcar para sua turnê europeia, o URBANAQUE conversou por e-email com Lê Almeida, que falou um pouco sobre tudo isso que está rolando com eles.

URBANAQUE: Como surgiu essa parceria com o Doug Martsch, líder do Built to Spill?
Lê Almeida: Surgiu ano passado, quando uma amiga minha, a Isa, mostrou umas músicas minhas pro Doug e ele curtiu, quis me conhecer e também os meus amigos.

Dá pra colocar em palavras tudo que rolou ao lado dele até agora, principalmente os shows aqui do Brasil?
Acredito que foi um recado de Deus, do tipo de coisa que une pessoas que criam ligações com outras pessoas e sabem que, em algum determinado momento, essa ligação será para o resto da vida, talvez nem sempre em momentos intensos, mas sempre honestos e reais.

Vocês fizeram uma turnê pelos EUA passando por Boise, Seattle, Portland, Tacoma e Walla Walla em março. Conta pra gente como foi esse rolê.
Foi muito bonito, passamos dias incríveis conhecendo a cidade do Doug e ensaiando todos os dias entre várias partidas de basquete do lado do estúdio. Todos os shows foram movimentos muito diferentes do que fazemos no Brasil, não só por equipamento e por terem ingressos esgotados, mas pelas pessoas parecerem ter uma atenção muito especial com o Brasil, com o Rio e a música que nós fazemos hoje em dia parece provocar no mínimo uma estranheza, isso pra mim já é positivo

Vocês conheceram o Calvin Johnson (Beat Happening) e foram convidados pra gravar na KEXP. Já caiu a ficha que essa tour pelos EUA proporcionou coisas como essas? Fala um pouco sobre esses dois acontecimentos.
A gente foi convidado pra gravar na KEXP exatamente depois do nosso primeiro show nos Estados Unidos, quando fizemos a primeira de duas apresentações dentro do Treefort Music Fest. Pra nós foi muito marcante, podemos sentir um pouco do poder pelo som. Conhecer o Calvin foi demais, desde garoto sempre fui um fã do Beat Happening e da K Records e minha admiração só aumentou. Ele realmente queria nos ver tocar, trocar ideias, foi demais

O que podemos esperar desse EP, “Tudo Posso”, do Oruã?
A gente gravou ele durante o final das gravações do nosso segundo disco “ROMÔ (que deve sair entre junho e julho), não planejamos muito bem na real, tudo poderia ter sido o segundo disco, mas no final das mixagens, achei que daria um bom registro só essas quatro faixas juntas. Elas refletem um momento especial pra nós, não só para o conjunto, mas com alguns amigos colaboradores também. Em algum momento, sentíamos a necessidade de se proteger espiritualmente e, pra mim, o melhor meio sempre foi o som. Nesse caso, nós fomos um pouco mais objetivos do que de costume, lançando um recado real que, mesmo que possa soar subjetivo em alguns momentos, são apenas nossas orações e principalmente nossas afirmações.

Você já tocou em diversas formações e projetos, acha que está vivendo sua melhor fase no ORUÃ?
Acho que o ORUÃ acabou sendo o centro do que realizo e pude compartilhar com o maior número de pessoas dentre várias colaborações em gravações e em tours mais longas, isso pra mim é realizador. No som, pude experimentar um pouco mais além do indie rock.

Queria que você fizesse um resumo desses 15 anos de Transfusão Noise Records, comparando o começo com essa fase que vocês estão vivendo agora.
Levaria 15 dias para um resumo de 15 anos, no mínimo. Vivemos muitas histórias, gravamos muitos discos e hoje não nos importamos muito com questões que saem do campo da música e das artes visuais. Hoje temos nosso estúdio e nossos equipamentos e o que move tudo isso é o som e é por ele que continuamos. Estamos colhendo coisas boas pelas quais somos extremamente agradecidos, temos todos os pés no chão.

Agora vocês se preparam para um turnê extensa pela Europa. Como vai ser esse rolê? Por onde vocês vão passar?
Vamos fazer um pouco mais que 30 shows com o Built to Spill e 26 com ORUÃ. Até agora esse vai ser o nosso episódio mais ousado em Acapulco. Vamos no final de abril e voltamos no começo de junho. Não sei de cabeça todas as cidades exatamente que vamos passar (tenho montado um mapinha pra me organizar), mas vamos a lugares bem bonitos que só conheço de livro e filme, tipo Berlim, Roma, Paris, Amsterdã, Lisboa e Londres. No final da tour vamos assistir o Guided By Voices em Porto, esse momento vai ser marcante pra mim, foi uma das bandas que definiu minhas ideias sobre gravações caseiras.

[TEXTO Bruno Dias FOTO Isabela Georgetti PÔSTER Divulgação]

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