Roberto Parra comenta mercado sul-americano de música e fala da experiência Primavera Fauna

Desde 2011 Santiago, no Chile, tem sido palco para o festival Primavera Fauna, evento promovido por Roberto Parra e seu equipe, trazendo para a capital chilena artistas internacionais como The Raveonettes, Pulp, Dinosaur Jr., The Walkmen, M.I.A., Devendra Banhart, Solange Knowles, entre outros.

O Primavera é realizado nas piscinas do Espacio Broadway, sempre com um público médio de 8 mil pessoas, levando aos chilenos uma experiência mais intimista se comparado ao gigante Lollapalooza Chile, privilegiando a qualidade.

Roberto Parra é um dos convidados do SIM São Paulo, em que irá contar sua experiência na conferência Festivais de Música: Desafios de criar e manter, que acontece na quinta-feira (5/12), na Praça das Artes. (Confira a programação completa do SIM São Paulo)

Urbanaque – Como é trabalhar com música no Chile?

Roberto Parra – Não é fácil, mas acredito que isso seja como fazer qualquer coisa do zero. Apenas muito trabalho…

Existe uma cena local bem desenvolvida no Chile?
Não temos um mercado muito desenvolvido porque as pessoas não compram música, não temos revistas de música e as bandas locais não têm muitos recursos para crescerem. De qualquer forma todos esses contras não negam a chance de motivar novos produtores e músicos de fazerem o nome no cenário local, fazendo coisas incríveis na música. O cenário não é perfeito, mas temos recebido um monte de shows internacionais.

Qual a importância de um evento como o SIM São Paulo para o desenvolvimento de artistas da América do Sul?
Nós estamos prestes a descobrir.

Existe alguma iniciativa brasileira na música que você gostaria de conhecer?
O SIM será um lugar ótimo para conhecer várias pessoas do mercado da América do Sul que ainda não conhecemos. Acho que o SIM vai ser um grande ponto de encontro de toda uma nova geração de produtores da indústria musical.

O Primavera Fauna tem um estilo de festival mais intimista e menor se comparado com o Lollapalooza Chile. Essa é a ideia principal, deixar o festival sempre desse tamanho e investir na qualidade?
Sim, esse é nosso principal foco. Queremos que ele seja focado mais na música e na experiência. Não tem como ser uma boa experiência se você coloca mais pessoas no festival do que sua capacidade.

Nas últimas duas últimas edições o Primavera Fauna teve artistas brasileiros no line-up, como CSS e Bonde do Rolê. Pretende levar mais brasileiros para as próximas edições?
Não sei, estamos focados na música e uma das ideias é sempre convidar bandas latinas para participar, mas não nos sentimos obrigados a fazer isso sempre. Se tiver alguma banda boa brasileira que seja do nosso interesse, ficaremos mais do que felizes em convidá-las.

Já pensaram em fazer o Primavera Fauna em outros país da América do Sul?
Essa ideia existe nas nossas cabeças, mas não temos pressa, queremos consolidar o festival primeiro antes de decidir fazê-lo em outros lugares. O Primavera Fauna foi feito para se encaixar nas necessidades das pessoas de Santiago e só vamos pensar em ir para fora quando nos sentirmos confortáveis em usar toda nossa energia em um novo projeto.

Ingressos estão encalhando nas bilheterias e grandes produtoras diminuíram suas equipes ou simplesmente fecharam. Já podemos falar em crise no mercado de shows internacionais na América do Sul?
Acho que sim. O mercado era controlado apenas por algumas grandes nomes e agora tem muita gente nova tentando achar seu próprio caminho. Quando você para de trabalhar apenas com bandas alternativas e tenta crescer vendo como as grandae agências funcionam, aí você percebe como os empresários das bandas funcionam. Eles sempre estão de olho nas melhores ofertas, lealdade não é algo que existe, e essa grande briga por preços faz com que muitos produtores percam dinheiro, os forçando a sair do mercado. Acredito que estamos em um momento de ajuste, com o mercado se regulamentando sozinho. É importante poder ver a música e os shows não apenas como um mercado de venda de ingressos, porque se você só se preocupar com isso, logo estará fora do mercado. Atualmente a música te dá várias oportunidades para trabalhar com marketing e propaganda, esse é o nosso principal foco, ter a capacidade de se diversificar e tentar fugir da crise.

Já pode adiantar alguma coisa sobre o Primavera Fauna 2014? Ele vai continuar sendo realizado nas piscinas do Espacio Broadway?
Sim, o festival vai continuar no Espacio Broadway. Não queremos sair de lá tão cedo, porque foi o local original e que nos motivou a criar o festival. Queremos usar a experiência que ganhamos a cada ano para fazer as coisas melhores. Você perde todo o lance da experiência se muda o festival para outro local. Aí seria como começar do zero novamente.

[TEXTO Bruno Dias FOTOS Reprodução]

 

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