Rosanne Machado do Rosie and Me detalha as inspirações do álbum de estreia

Depois de um elogiado EP, a banda curitibana Rosie and Me finalmente colocou na rua o seu aguardado disco de estreia Arrow of My Ways. A gestação complicada por conta de um imbróglio com o antigo selo refletiu na melaconlia já conhecida da voz de Rosanne Machado, a mente criativa por trás da banda e que detalha para o Urbanaque a motivação das delicadas músicas, quase artesanais, do primeiro disco cheio dos curitibanos.  

 

“Home (Intro) feat. Joshua Thomas” – É uma introdução bem simples ao disco. 02:24 segundos de banjo e guitarra que só pedem para que você consiga voltar para algo que possa ser chamado de lar.

“Where The Heart Is” –  É uma resposta à introdução, que versa sobre angústias de viver numa realidade dura e frustrante, longe de quem ou o que te faz bem. Embora tenha o ritmo acelerado, não diria que é uma música “feliz”. Vivemos num lugar cheio de corrupção, qualidade de vida baixa e injustiças que desmerecem trabalho e esforço de quem tanto pena nesse meio para levar uma vida honesta e digna. Pessoalmente, as únicas coisas que me permitem ser feliz nesse ambiente são as pessoas e o trabalho que amo. Por isso, nessa música, deixo claro que eles são capazes de “light up a room”, e trazer motivação para que essas dificuldades sejam superadas.

“Shotgun to The Heart” – Queria destacar o quanto considero difícil falar individualmente sobre as faixas. Gostaria de não precisar explicar, sabe? Elas foram feitas para serem ouvidas e, com sorte, trazer algum tipo de conforto para quem ouve. Mostrar que não estão sozinhos. Acho que essa é uma música bem gráfica e auto-explicativa. Qualquer um que tenha sofrido algum tipo de decepção na vida vai conseguir se identificar com a ideia de um rifle pesado explodindo o peito em pedaços. É como eu descrevo a sensação e o peso desse tipo de acontecimento.

“Light You Up” – Se você tivesse chance de escrever uma música para aquele amor chutado, mal-resolvido e revirador de estômagos de muito tempo, o que você escreveria? A minha é Light You Up.

“Southern Home” – Provavelmente minha preferida entre as 10, por ter uma das letras mais sinceras e espontâneas. É mais uma sobre a frustração em precisar trabalhar mil vezes mais pesado do que o normal para conseguir algo por mérito num lugar corrupto. Tenho muito orgulho de onde vim e do que me foi ensinado. Esses valores, que projeto em “Southern Home”, são elementos que norteiam minha vida e isso é algo de que tenho orgulho, apesar das consequências de ir “contra” uma tradição de “jeitinho”, “jabás” e afins.

“I Couldn’t Reach You” – É uma música sobre ter qualquer coisa importante afastada por injustiças e desavenças. O ano de 2011 foi muito difícil para o Rosie and Me, devido a complicações com um selo que quase nos levaram a desistir de tudo. Essa música conta, simbolicamente, a trajetória desse ano e a nossa determinação em superá-lo.

“Treehouse” – É o que nós sentimos em dia de apresentações. Nada além de luzes no rosto e o som da bateria. Cada lugar em que temos chance de tocar é uma grande satisfação para todos nós. Essa música é uma homenagem a isso.

“Arrow of My Ways” – Conta a história do disco, como foi suado superar o ano difícil e gravar com os meios que tínhamos ao nosso alcance. Ele não teria sido possível sem o apoio dos nossos ouvintes, amigos e familiares. Trata-se de um agradecimento a essa força, que nos motiva a continuar fazendo música.

“Jamie” – Quem não encontra força para trocar de roupa para dormir, em meio a constantes frustrações, sabe exatamente do que eu estou falando.

“Carry On” – There ain’t no love as clean as dove. Uma lição infame e dolorosa.

 

Você baixa Arrow of My Ways no site oficial do Rosie and Me.

 

[TEXTO: Leonardo Dias Pereira]

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