Um pouco do que foi o SIM São Paulo

Durante os dias 5 e 8 de dezembro a capital paulista foi palco da Semana Internacional de Música de São Paulo, evento que movimentou o mercado musical brasileiro com 20 painéis de palestras e debates, e cerca de 50 shows espalhados por diferentes locais do centro da cidade.

O Urbanaque esteve presente no SIM São Paulo, acompanhando alguns dos artistas que se apresentaram e participando da da mesa O Atual Jornalismo Musical: A Grande Mídia e os Novos Canais de divulgação, ao lado de José Flávio Júnior (Billboard), Sérgio Martins (Veja), Paulo Miyazawa (Rolling Stone), Iberê Borges (Move That Jukebox), André Barcinski (R7/ Canal Brasil) e André Forastieri.

Por questões de agenda foi a única mesa que conseguimos participar, mas o retorno conseguido após o debate, que deixou muita gente insatisfeita com as opiniões apresentadas, foi impressionante. Poucos minutos foram suficientes para receber uma penca de discos e contatos de artistas e produtores de diferentes partes do Brasil. Algo que pelas conversas com o pessoal durante os shows e na comunidade do SIM SP foi a tônica de todo o evento.

Shows

Karina Zeviani

Karina Zeviani abriu a programação do SIM SP, na noite de quinta-feira (5), no Cine Jóia, com repertório de seu disco de estreia, Amor Inventado. Pra quem não sabe, Karina morou muito tempo fora e fez parte do Thievery Corporation e da banda Nouvelle Vague.

As canções doces de Amor Inventado deram conta de receber o público, que ainda era pequeno durante o show de Karina, que alternou momentos de doçura com a safadeza dos cabarets.

Owlle

 

A francesa Owlle, outra atração da quinta no Cine Jóia, começou o show parecendo ser só mais uma cantora de electropop vinda da Europa, onde existem uma porção de artistas parecidos. Conforme a apresentação foi esquentando, Owlle foi aumentando a rotação, tanto na agitação no palco quanto da velocidade das batidas que acompanhavam seu vocal.

Ela estava no palco ao lado de um programador/percussionista e de um baterista, este segundo o grande responsável por fazer a diferença durante os cerca de 50 minutos de show.

Tímida nas poucas vezes que falou com o público, Owlle saiu bem aplaudida após colocar o Jóia pra dançar. E olha que por enquanto ela só tem o EP Ticky Ticky e já prepara seu álbum de estreia pra 2014.

Céu

 

Céu abriu seu show no Cine Jóia com “Falta de Ar”, faixa que também dá largada a seu terceiro disco, Caravana Sereia Bloom, lançado no início de 2012. A música, talvez o mais próximo do pop convencional que a cantora chegou em sua discografia, dá bem a tônica do que virá na apresentação: um Céu mais solta, dominando – e ocupando – melhor o palco. Nos primeiros discos e shows, Céu encarava a voz como apenas mais um instrumento. Agora, assume confortavelmente a postura firme de band leader.

Se nos dois primeiros discos de Céu havia uma calmaria nos arranjos, Caravana traz uma Céu mais palatável e menos viajante – claro, os ares enfumaçados permeiam todo o disco. O show reflete exatamente isso, e ganha ainda mais peso com a presença fixa do guitarrista Dustan Gallas. A cantora, no entanto, apesar de soar mais rock e áspera, mantém no palco a malemolência de todos seus discos, principalmente em seu jeito particular de dançar timidamente parada no lugar, dobrando os joelhos e arcando o tronco para trás.

Até pela configuração da banda, Caravana domina o repertório, mas bons momentos dos discos anteriores, como “Grains de Beaute”, comprovam que a linha evolutiva da carreira da cantora é clara. “Sair da zona de conforto é importante. Arte é isso, é você vasculhar, não ficar no mesmo canto o tempo todo”, dizia ela à época do lançamento do último disco. Pela segurança no show, está no caminho certo.

Black Drawing Chalks

 

Pra fechar a peregrinação da noite de quinta do SIM SP, deu tempo de correr até o Da Leoni, na Rua Augusta, para pegar o final da noite promovida pela produtora A Construtora, de Goiânia, em que se apresentaram Hellbenders, Fusile e Black Drawing Chalks.

Pelos relatos anteriores deu pra perceber que só chegamos a tempo de ver o Black Drawing Chalks, que hoje ostenta o título de maior banda de Goiânia, abrindo caminho pra toda uma nova geração de artistas goianos.

O BDC subiu ao palco do Da Leoni acompanhado do baterista do Hellbenders, Rodrigo Andrade, que cumpriu muito bem a função no lugar do Douglas, que se o Victor (vocal e guitarra) não tivesse avisa, muita gente não teria nem percebido, já que fisicamente e no jeito de tocar os dois são bem parecidos.

As faixas de No Dust Stuck on You ficaram ainda mais pesadas ao vivo, ainda mais que o Black Drawing Chalks sempre toca muito alto, dava pra sentir o som do baixo do Denis no peito.

Outra coisa que impressionou no show do BDC foram as projeções na parede, no fundo do palco, com ilustrações feitas pelos próprios integrantes do grupo, que aliás são a grande marca registrada deles.

Boogarins

Os goianos do Boogarins, banda sensação de 2013, são um exemplo do que significou o SIM SP. Eles se apresentaram às 16h do sábado (7), no palco externo da Praça das Artes, mas aproveitaram a vinda para São Paulo e fizeram outros dois shows na capital paulista: Casa do Mancha, na noite de sábado; e Neu Club, no domingo (8). Provando que não são apenas hype.

Embalados pelo sucesso internacional do EP As Plantas Que Curam, que saiu nos EUA pela Fat Possum, o Boogarins contou mais uma vez com uma apresentação inspirada do vocalista e guitarrista Fernando Almeida, que sorria tocando de olhos fechados, levando “boas vibrações” psicodélicas a um pequeno grupo de sortudos que tiraram o sábado a tarde para vê-los.

Doce, uma das melhores músicas nacionais de 2013, fechou a apresentação do quarteto, que abusou das viagens movidas a guitarras e, assim como fez o Black Drawing Chalks, tocou muito alto, atestando o padrão de qualidade e alto decibéis, tradição entre as bandas goianas.

Felipe Cordeiro

 

Na noite de domingo (8), novamente no Cine Jóia, foi a vez de arrastar a chinela com a guitarra paraense de Felipe Cordeiro, que lançou recentemente um dos discos mais deliciosos de 2013, Se apaixone pela loucura do seu amor.

Felipe não precisou de muito para botar a galera pra dançar e apesar do pequeno público, já que ainda era o comecinho da noite, não economizou no rebolado com sua guitarra, fazendo até uma versão de “Alma Não Tem Cor”, do Karnak.

E a coisa incendiou de vez quando Felipe Cordeiro puxou os acordes de “Fogo da Morena”, tirada de seu álbum de estreia Kitsch Pop Cult, de 2011.

O SIM São Paulo

Com a chegada do Conexão e agora da Semana Internacional de Música, São Paulo deixa de ser apenas o pólo de shows, para se tornar um ponto de discussões sobre a atual música brasileira.

Muitas bandas, produtores e jornalistas circularam pelo evento, que teve em suas mesas de negócios e debates seu ponto alto. Conversas essas que já começaram a ser divulgadas pelo YouTube do SIM São Paulo, evento que tem tudo para crescer em 2014 e se fixar na agenda cultural da capital paulistana.

[FOTOS Bruno Dias TEXTO Bruno Dias e Tiago Agostini]

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