3×140: Sparklehorse
“I wish I had a horse’s head, a tiger’s heart, an apple bed”
“Won’t you come to comfort me, won’t you come to comfort me?”
A madrugada de sábado para domingo do fim de semana passado tinha tudo para ser perfeita. Teve festa do Urbanaque na Funhouse, como sempre acontece em todo começo de mês. E essa última tinha uma motivação especial porque marcava 3 anos de festas sempre divertidas e algumas bem marcantes, levando sempre bandas quentes da nova música brasileira. A casa estava lotada e o Charme Chulo, que foi a banda convidada para comemorar essa efeméride, fez um show matador, daqueles de arrancar vários sorrisos durante a apresentação. Como sempre acontece depois do show, rumamos para a Bella Paulista esquentar a barriga antes do merecido sono. Cheguei em casa e fui desligar o computador, mas, curioso que sou, resolvi apertar o F5 no Twitter pra ver o que estava rolando. Nunca desejei tanto ter desligado direto o PC. Tava lá a notícia sendo repetida no frenesi típico do Twitter: “Mark Linkous, a mente por trás do Sparklehouse, se matou”. Minha primeira reação foi ligar para meu irmão Bruno Dias que havia entrevistado ele para a Bizz em 2006 e repassar a notícia. Eu não iria dormir sozinho com aquele barulho todo. Confesso que até o momento em que escrevo essas mal traçadas linhas a perplexidade ainda não passou, e desde o domingo de manhã já revisitei seus trabalhos várias vezes. Desta vez com um sentimento de melancolia maior do que suas músicas passavam. Bom, vejo que estou me delongando excessivamente, e se você é antenado com o rock alternativo, já leu de tudo um pouco sobre a música dele e sua personalidade. Não vou ficar chovendo no molhado. Só diria algo mais: caso encontrasse com seu fantasma distorcido, perguntaria porque ele não continuou descarregando a agonia em suas belas músicas. Não precisava ter puxado o gatilho, cara. Minha singela homenagem é simbolizada nesse 3×140 especial com meus discos preferidos do Sparklehorse (ou que tenham sua marca). Vamos lá: 
It’s a Wonderful Life (2001) – Minha introdução no universo doce amargo de Mark Linkous. Ouvi mais por conta das participações de PJ Harvey e Tom Waits e foi acachapante.
Ouça: “Piano Fire”, “Appe Bed” e “Eyepennies”.
Good Morning Spider (1999) – Talvez o álbum que sintetize melhor toda a sua obra: guitarras distorcidas e raivosas, baladas dilacerantes e o melhor da sonoridade lo-fi.
Ouça: “Painbirds”, “Sick Of Goodbyes” e “Cruel Sun”.

Dark Night of the Soul (2009) – Projeto sensacional de Linkous com o produtor Danger Mouse arregimentando nomes brilhantes da música como Wayne Coyne e Julian Casablancas.
Ouça: “Revenge” (com Wayne Coyne), “Jaykub” (com Jason Lytle) e “Little Girl” (com Julian Casablancas).
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