Demo Sul promove maratona musical em Londrina (PR)

Londrina é uma das cidades mais agradáveis do Paraná e mesmo com o calor absurdo você se sente em casa. É nesse cenário que acontece o Demo Sul, referência no estado quando música independente está em pauta. A programação da nona edição do evento é extensa: 21 atrações se revezam em dois palcos (montados no Grêmio Recreativo Londrinense) durante os dias 20 e 21 de novembro. Estrutura excelente e quase seis horas de música diárias onde praticamente todos os gêneros passeiam pelo festival: MPB, pop, rock, punk brega, reggae e por aí vai.
Sexta-feira, 20 de novembro - Logo no primeiro dia Versana, Vertix e Batuque Muamba Fun tentam mostrar que há espaço para a cena local e decepcionam. O tempo em que “brincar de Renato Russo” era cool já passou e encarnar o espírito “bad girl” se tornou um clichê pra lá de manjado. No mais, algumas pessoas precisam aprender que gritar ao microfone está longe de ser essencial.
O festival já alcançava a marca 2 horas de atraso – culpa da chuva que castigou Londrina durante todo o dia. A organização, por sinal, fez o possível e impossível para contornar os problemas – e até então nenhuma apresentação havia conseguido tirar o marasmo do público. Mas quando o trio Nevilton, de Umuarama (PR), subiu ao palco o cenário mudou. Contando com novo baterista os meninos fizeram sua já característica apresentação contagiante, com Tiago Lobão (baixo) e Nevilton (guitarra e vocais) completamente ensandecidos. O pequeno público presente cresceu e cantou hits do grupo como “Paz e Amores” e “A Máscara”. A banda ainda apresentou uma nova canção: “O Morno”. Um dos pontos altos da noite.

Nevilton foi destaque do primeiro dia de Demo Sul
Na seqüência, os sorocabanos do Fast Food fizeram uma apresentação correta, mas sem grandes novidades – obviamente esquecida cinco minutos após ser encerrada. Eclético e dinâmico, Curumin fez o que dele já era esperado. Lançando mão de uma atmosfera nostálgica, melódica e temática, capaz de olhar para seu passado contrapondo com seu futuro, os paulistas arremessam para o público um repertório de canções cheias de suingue. “Compacto” é um hino a toda essa nostalgia. Curumim é samba com “S” maiúsculo, construído após passear por reggae, soul music, blues… Música moderna que conquista na primeira audição. Impossível ficar parado.

Curumin colocou público para dançar em Londrina
Os londrinenses voltaram a marcar presença com o Trilobit. Mascarados, despejando samplers, colagens e outras variações eletrônicas o quarteto demonstrou saber o que faz, mas acabou prejudicado pelo som, excessivamente alto na maioria do show. De qualquer forma, diversão garantida e um prato cheio para apreciadores do gênero. Rogério Skylab fechou a primeira noite e em meio à habitual interação com a platéia, ficou aquela triste sensação de que algo se perdeu no tempo e não é possível voltar atrás.
Sábado, 21 de novembro - A segunda noite começou com o Wolf Attack (PR) e mesmo com o público ainda chegando ao festival o recado foi dado: apresentação forte e direta, canções bem construídas e, salvo um ou outro deslize nos vocais, o trio provou que é capaz de fazer barulho. Dezzaster (PR) e Detroit (SP) apresentaram um som derivativo demais, reciclando fórmulas que podem parecer sensacionais para qualquer bandinha de colégio. Bem, entre escolher uma cópia, prefira os originais.
Já com um bom público – o mau tempo da noite anterior resolveu dar uma trégua – o Brawn Vampire Catz provou que é possível ultrapassar as barreiras do psycho. A perfeita sincronia entre os instrumentos valorizou a capacidade dos músicos trazendo como saldo final uma apresentação ensurdecedora! Já o Droogies (PR) vale pela piada com o ex-prefeito da cidade. E só.
Os brasilienses do Gilbertos Comem Bacon trouxeram o que era anunciado como “uma bagunça organizada!”. Flertando com os diversos gêneros que compõe a música nacional, é construída uma apresentação pra lá de divertida. “Agora vamos tocar uma da Ivete Sangalo”, “Essa é pra galera emo”, brincam os vocalistas Eduardo Cayrã e João Angelini. Espontâneos e bem humorados saíram aplaudidos.
Na seqüência os catarinenses do Lenzi Brothers passam despercebidos com sua apresentação pragmática enquanto o Hocus Pocus (PR), mesmo se perdendo em alguns exageros, demonstra que pode evoluir caso consiga dosar melhor suas canções. O Nuda, de Recife, traz toda regionalidade característica dos grupos do nordeste. Percussão bem trabalhada, voz e melodias precisas, cuidado com os arranjos e letras sinceras. O Rinocerontes (RS) com sua sonoridade que remete ao rock setentista chama a atenção com sua performance pesada e consegue encontrar seu público.
O festival se encaminhava para o final quando Wander Wildner despejou seus clássicos como “Bebendo Vinho” e “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro” levando o público à loucura. Gostem ou não, Wander nasceu para estar ali; não é uma questão de precisar e sim de “querer estar”, o que torna tudo absurdamente divertido. E lava a alma do punk brega.

Wander Wildner apresentou repertório consagrado
Quase às quatro da manhã o Autoramas subiu ao palco. E o show é um exemplo de energia e carisma. Mostra que um pouco de malandragem é um ótimo remédio para almas cansadas. Pessoas pulam, cantam e se divertem. É isso. Nada de parafernálias, apenas Gabriel Thomaz (voz e violão), Flávia Couri (baixo), Bacalhau (bateria) e rock’n’roll. Muito rock’n’roll. Com o público cantando junto “Música de Amor” e “A 300 km/h” você entende o motivo do Autoramas não parar de fazer shows e conquistar novos fãs por onde passa. Final de festival e ao amanhecer duas certezas: o rock ainda vive e o Autoramas… Vai muito bem, obrigado.

Autoramas fechou nona edição do Demo Sul
[TEXTO E FOTOS MURILO BASSO]
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Discordo de tua análise.
Skylab foi a melhor coisa que aconteceu no festival.
Relaxa, “semos” todos felizes.
Ah, e opinião é que nem bunda mesmo: cada um convive com a sua!
Awey
Já que é assim, então coloco o Trilobit na minha bunda.
Estava quente demais, suando demais, acabei deslizando no meu próprio suor, hahahahaha! foi massa!